terça-feira, 14 de julho de 2015

VERSOS SOLITÁRIOS EM MATIPÓ

DA SÉRIE COSTA FERREIRA












SEMPRE SÓ

Quando toco o solo
Sempre só
Solo da lua, solo da rua
Sempre só

E tudo tá tão solto
E eu envolto em lama
E eu revolto feito mar
E eu decido o que posso
E o que não posso

09.07.2015




ÚLTIMO PINGO DE TINTA

E o poema termina
Após eu dobrar a esquina
Após a última chacina
Após o mergulho na piscina
Após o último pingo de tinta

E o poema recomeça
Antes que o sonho esmoreça
Antes que a flor feneça
Antes que a porta se feche
Antes que a água seque
Antes que a última gota de sangue
Manche o mármore do teu castelo


09.07.2015


QUEM

Quem era feito pó
Quem era poeira cósmica
Quem era de outras eras
Está aqui agora

Quem era apenas pólvora
Quem era apenas pena
Quem nem valia a pena
Está aqui agora

Quem viveu outrora
Quem verá a aurora
Quem foi vento
Em outro momento
É sussurro agora

E a vida segue
Feito um cego na grande cidade


09.07.2015



SOBREVIVENDO

Para vencer o vento
Para vender as flores
Para viver o sonho
Estou solto e sobrevivendo

Para ter atenção de todos
Para tecer as regras do jogo
Para tocar todos os ritmos da rua
Estou sob a soma de todos os medos

Eu vou dizer algo
Que está enlatado
Eu vou fazer algo
Que vai ficar fossilizado

E assim todas as histórias
De derrotas, de vitórias
Foram vítimas do destino
Foram lampejos do desatino
E se foram
E vamos indo


09.07.2015

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