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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

ERA SÓ DE MANHÃ: ENTREVISTA COM LUCAS BARBOSA

 Lucas Barbosa é um músico mutuense que vem conquistando espaço e expandindo seu trabalho em nossa região. Em dezembro ele lançou sua segunda música autoral, Era só de manhã.

Nesta entrevista ele nos fala sobre sua nova música e o evento de lançamento. Confira:


Você fez o lançamento da sua segunda música dia 13 de dezembro no Bar do Vilmar. Qual a diferença para você entre uma apresentação corriqueira e um lançamento?

O lançamento de uma música tem um peso maior porque é algo muito importante pra carreira, além do fato de que o lançamento foi junto com um evento que eu e minha equipe que organizamos. Tudo traz ainda mais uma responsabilidade por que tem todo o processo de produzir o evento.


“Era só de manhã” é uma canção em qual estilo musical?

Ela pode ser considerada uma MPB pela estrutura harmônica, meu primo João Luiz que foi o compositor da música chama de “EmoPB”, uma brincadeira com o emo que é meio melancólico/triste.


A letra aborda qual tema?

A letra é aquela clássica sofrência de amor, de forma abstrata em alguns versos, literais em outros.

 

O que você pontua de relevante no lançamento de “Era só de manhã” em relação ao lançamento do single “Tempo” em 2021?

Pontuo um amadurecimento musical, a música “Tempo” tem uma pegada mais pop/rock, foi meu primeiro lançamento, tudo era novo. A “Era só de manhã” é uma música mais profunda e complexa na composição e letra. E esse amadurecimento também se reflete no timbre da voz, pela idade e na interpretação por ter mais anos de experiência com a minha voz.

 

O lançamento correspondeu a sua expectativa? Se sim, em quais aspectos?

O evento de lançamento superou minhas expectativas, confesso que não imaginava que íamos superlotar o Bar do Vilmar, isso mostra a força do meu público/fãs em Mutum, fiquei muito feliz.

O lançamento da música também correspondeu positivamente as expectativas, tive muitos feedbacks positivos, apesar de que muitas pessoas esperavam de mim algo diferente, e eu entendo, foi um pouco chocante para alguns um cantor de rock lançar uma MPB com uma melodia triste, de fato é um pouco incoerente.


Foi uma apresentação mais intimista. O que te motivou a selecionar um repertório que inclui, entre outros artistas, Djavan e Fagner?

Eu precisava fazer com que o público entrasse em sintonia com a música nova, se eu tocasse meu repertório padrão, quando apresentasse a música “era só de manhã" o choque do estilo seria muito grande, o show estaria em uma vibe, e a música a outra. Por isso decidi relembrar as raízes cantando músicas de artistas que tenham um estilo parecido, a ideia era levar o evento e o lançamento como uma unidade. E foi um acerto muito grande, diversas pessoas elogiaram o repertório, e muitos não conheciam esse meu lado musical, quando comecei toquei muita MPB nos bares.


Também foi apresentado o vídeo oficial da música. Ele foi produzido por sua equipe?

Sim, a ideia do clipe foi minha, e foi gravado pela minha esposa Andressa Bernardo com auxílio do João Luiz. Devido a falta de tempo e recurso fui em busca de ideias fáceis de executar, o intuito era gravar um clipe a “custo zero”, tive a ideia de usar um projetor com imagens que tivessem haver com a música e uma parede branca, gravamos na varanda do estúdio e deu certo.


“Era só de manhã” é uma composição de João Luiz Barbosa. Como você tomou conhecimento desta música composta pelo seu primo?

O João veio no estúdio há uns 2 anos e me contratou pra produzir essa música, gravamos tudo, até a voz, a ideia inicial era gravar outras 3 músicas e transformar em um EP. como o João não tem vontade de ir para os palcos, e sua ideia de gravar era apenas por prazer o projeto ficou engavetado, em determinado momento fiz uma proposta pra ele me passar o direito de gravar a música, e assim fizemos, não alterei nenhum arranjo, gravei a voz, refizemos a masterização da música, até por isso ela tem essa roupagem, a música não foi feita para o meu estilo musical, mas a melodia e harmonia sempre me agradaram muito por isso quis lançar em minha carreira.


Durante o lançamento você mencionou que está trabalhando uma nova música. Ela tem a mesma pegada de “Era só de manhã”?

Estamos trabalhando em uma música nova sim, também de composição do João Luiz, gravamos o videoclipe ao vivo no Réveillon 2025 na Praça Benedito Valadares em Mutum.

A música nova se chama “Ela é linda”, e tem uma estilo musical totalmente diferente da “Era só de manhã” porque como falei anteriormente, a “Era só de manhã” não foi feita pra mim, já a “Ela é linda” eu pude colocar minha identidade, opinar em tudo, e está em um estilo mais pop rock com uma mistura de rock reggae, pegamos referências atuais como a banda Lagum, Forfun e também bandas mais antigos como Charlie Brown Jr, Jota Quest.

 

Fique à vontade para acrescentar algo que você julga necessário e não foi contemplado pelas perguntas.

Quero agradecer a você Cláudio por esse espaço, é sempre muito importante poder compartilhar um pouco mais do nosso trabalho, assim mais pessoas conhecem e nos ajudam nessa caminhada. Agradeço também a todos os leitores do blog, todos que ouviram e gostaram da música “Era só de manhã”, fico imensamente feliz com todo carinho e atenção, Um beijo e abraço a todos.


NOTA DO BLOG: Agradecemos a Lucas Barbosa pela entrevista e que venha mais lançamentos.



ERA SÓ DE MANHÃ

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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

CUTUCANDO A ONÇA

Herege – “Terra Morta” (2016)



NOTA DO BLOG: No nosso trabalho de registro da cena underground em torno do Caparaó denominado CAPARAÓ UNDERGROUND, estamos compartilhando texto produzido na página METAL NA LATA sobre a banda HEREGE de Iuná, da qual o mutuense Lucas Barbosa faz parte.

 Mais uma banda totalmente desconhecida por mim que gerou uma ótima primeira impressão. O Herege vem da escola do Crust/Grind/HC, descontando suas frustações com a política e as mazelas que assolam a sociedade em letras diretas e contundentes, cutucando a onça com vara curta e cantando em português. É como eu sempre costumo dizer: é protesto para o time da casa mesmo, não pra inglês ver.
Criada em um país onde a matéria-prima pra novas composições é infinita e constantemente renovada, o Herege tem munição de sobra pra fuzilar a tudo e todos, e é o que fica explícito em "Terra Morta", seu primeiro trabalho. A música feia, suja, simples e brutal elaborada pelo quarteto resgata influências principalmente oitentistas, da fase áurea do Napalm DeathNausea - Los Angeles, e até alguns preceitos deDischarge e RATOS DE PORAO oficial. É música de protesto genuína, pra causar reflexão e repúdio simultaneamente no ouvinte.
Sangue nos olhos, punhos cerrados e a botinada come solta em "Terno e Gravata" (olha a lava-jato aí!), "Dinheiro", na martelada Crust/Grind fugaz e certeira de "Cegueira", e na maior das verdades refletida em "Bandidos no Plenário".
Após sobrevivermos ao massacre sonoro ao término do repertório, "Terra Morta" ainda trás como bônus cinco faixas ao vivo somente pra demonstrar do que esses sujeitos são capazes em cima de um palco, tudo amparado por uma ótima qualidade de gravação, o que realça ainda mais o poder de fogo do Herege.
Grande estréia! Espero que seja apenas o primeiro de muitos registros. Parabéns a todos os envolvidos e vida longa ao Herege.
Nota: 9,0

Ricardo L. Costa