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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

A PERGUNTA QUE TODOS FAZEMOS - PARTE II




Nessa segunda parte da entrevista, o autor do livro O Que Farei Da Minha Vida Ao Sair Daqui? Um Ensaio Sobre Pedagogia Carcerária, que abrilhantará o Café Literário, no próximo sábado, a partir das 08:00 hs, na Biblioteca Municipal, evento promovido pela Secretaria de Cultura de Mutum.
         Sérgio Rodrigues de Souza nos conta sobre a iniciativa de escrever essa obra em que filosofia, antropologia, psicologia social e pedagogia se encontram para analisar o homem em suas prisões a partir da busca de perspectiva para a vida.
         O autor também fala da sua expectativa para o Café Literário quando poderá compartilhar com os participantes, cara a cara, sobre a história do seu livro que traz em seu bojo parte da sua história e da sua concepção de vida.



ENTREVISTA


MUTUM CULTURAL: O seu livro surgiu a partir de uma experiência pedagógica em um ambiente específico. Comente sobre essa prática que te levou à reflexão:

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: No ano de 2008, a Professora Márcia Luzia Pires de Sá, à época Secretária Municipal de Educação de Mutum, junto à Inspetora Meyre Ribeiro, me convidaram para trabalhar, como professor regente de turma, na Unidade Prisional de Mutum.
Na oportunidade, iniciei um trabalho de registro das atividades pedagógicas, de observação-participante, de depoimentos dos detentos [na condição de estudantes], entrevistas, histórias pessoais, coletivas e sobre todo este material, construí uma investigação acadêmico-científica fundamentada no estudo de autores clássicos nos campos da Antropologia, da Psicologia, da Filosofia e da Sociologia.
Em 2014, fui estudar sob a orientação do Professor Dr. Luis Eligio Martelly, em Havana, que é pesquisador na área de educação prisional e a maior autoridade mundial no assunto, tendo criado métodos inéditos de pesquisa neste campo. Na oportunidade, pude conhecer o sistema educacional cubano, o sistema prisional daquele país e assim, elaborar propostas pedagógicas para adolescentes em condições de privação de liberdade.
Em 2016, fui estudar com a eminente Professora Drª. Amelia Haydèe Imbriano, na Universidad Kennedy (Buenos Aires), a mais conceituada cientista internacional em crimes violentos cometidos por crianças e adolescentes, autora de vários clássicos que trazem reflexões profundas sobre o tema. Neste momento, é que elaboro meus estudos sobre a questão da delinquência juvenil como forma de busca por reconhecimento individual e coletivo, mais uma forma estranha de compensar a ausência da autoridade e da presença parental concreta.
Neste mesmo ano (2016), tenho a oportunidade e a honra de orientar um estudante de Mestrado da Universidad Del salvador (Buenos Aires), o Sr. Belarmino Oliveira, que estudava e pesquisava sistema de educação na Penitenciária de Viana (ES). Este representou um momento ímpar, porque era a hora de observar o trabalho sobre prisões a partir de uma lente externa.

MUTUM CULTURAL: Na sua percepção, o que a perda da liberdade pode provocar no homem?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: A primeira coisa que a perda de liberdade provoca é um alijamento social, o que por si só, já representa um fardo muito intenso e bruto para um ser humano suportar, porque desde muito cedo, somos educados e educamos para uma vida em comunidade, em companhia de outros e isto, a pertença grupal é um sentimento instintivo mais antigo que o próprio ser humano, porque a estrutura cerebral reptiliana antecede em centenas de milhões de anos à estrutura cortical consciente. Estar afastado da sociedade significa, em termos primitivos, a uma condenação existencial.
Na esteira disto, ocorre a perda de alguns sentimentos, como a perda de empatia, transformando o que antes poderia ser um ser humano em qualquer coisa, chegando ao ponto de ser classificado como monstro, ou seja, uma casaca vazia que não sente nada por ninguém.
A perda de noção de tempo é outra parte do processo, as paredes brancas tendem a ir desgastando o senso de mudança das horas e estações até que não exista mais, no indivíduo, a capacidade de determinação do espaço-tempo pensado de forma abstrata como é possível fazer. Ocorre, ainda perda da racionalidade, alterações psicológicas, estas difíceis de prever, porque cada ser irá reagir de forma singular quando privado de sua condição de liberdade.
O pertencimento social conduz a obediência a leis e costumes que dado o seu constante exercício forma o que se chama de consciência social, princípios morais, obediência civil, civilidade, urbanidade, ética. Quando se afasta o indivíduo deste processo, aos poucos seus sentimentos com relação a estas situações vão desaparecendo, uma vez que não são praticados e o que resta é um ser que segue suas próprias leis, este que Aristóteles (384-322a.n.e. [2007] classifica como não sendo humano, chegando a afirmar que ou é um deus ou é um animal, porque somente os deuses e os animais podem viver sem leis e/ou sozinhos.

MUTUM CULTURAL: O que precisa ser aprimorado no nosso sistema prisional?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: A estrutura de cumprimento da sentença, em que a maioria dos condenados fica sem ter o que fazer, perdidos em pensamentos espúrios e vazios. Nisto, surge a necessidade de que se aprimore na questão de proporcionar atividades laborais concretas, destinadas a produzir bens de consumo próprio e que possam gerar divisas para o Estado.
A questão do ensino e das atividades físicas, religiosas, também necessita ser pensadas de forma a que os detentos tenham acompanhamento profissional adequado e isto não se trata de dar a eles, nenhum tipo de privilégio, mas parte da ideia de proporcionar auxílio para que possam ter o mínimo possível de condições de reabilitar-se socialmente.
Quando o sistema deixa o indivíduo entregue à sua própria sorte, crente de que a natureza divina cuida de proteger os homens do mau, direcionando-os para caminhos virtuosos, tem-se a produção de criaturas estranhas e sem medidas que seguirão seus próprios princípios de fé e de verdade.
Atividades laborais irão contribuir para o aperfeiçoamento e mesmo para uma profissionalização do apenado, porque em sua maioria não possuem profissões de ofício, a começar que são detidos em tenra idade; agrega-se a isto, o nosso combalido sistema educacional que, ao estrangular o ensino técnico, entrega para a sociedade, um jovem de 18 anos de idade que não possui uma profissão oficializada, ainda. Dispõe na sociedade um sujeito crítico, mas que não sabe fazer absolutamente nada!



MUTUM CULTURAL: Ao construir sua narrativa, é utilizado a logopeia de Ezra Pound, ou seja, a comparação com narrativas da cultura universal. Dois exemplos são a velha história árabe d’O Gênio Na Garrafa e o Minotauro da mitologia grega. Qual a importância dessas narrativas universais para a compreensão do ser humano na sociedade hoje?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: A garrafa representa o que hoje se preconizou chamar de bolha, onde todos nascem, crescem, formam uma personalidade virtual, reproduzem um vazio intelectual e espiritual, tudo isto na ausência mais completa de qualquer relação de empatia, porque não existe contato físico, como se tal coisa fosse transmitir uma doença crônica mortal.
Assim é que, no aniversário dos amigos e mesmo das pessoas mais próximas como marido, esposa, namoradas, filhos, manda-se um emoj de flores, de abraço, de beijo, uma oração [re]copiada de algum site qualquer, tudo isto em nome do tempo, da falta de tempo, etc... Em pouquíssimos anos, todos à volta são estranhos, o que faz com que quando ocorre um atropelamento, todos querem tirar fotos e selfies com a vítima arrebentada, ao invés de chamar a ajuda especializada.
Com o tempo, torna-se avesso ao contato humano, ao ponto de que se alguém vem com a intenção de dar um abraço isto já é interpretado como assédio e um processo judicial ou um empurrão aguarda o indivíduo inocente. Perde-se a humanidade quando se passa muito tempo afastado do contato humano com seres humanos, lidando tão somente com situações mecânicas de relacionamentos.
Com relação ao Minotauro, o labirinto representa esta existência vazia, sem sentido e que não mostra a menor possibilidade de uma fuga em que o ser humano percorre não se sabe que vias, em busca sabe-se lá de quê, sozinho, porque teme procurar ajuda e nisto admitir que está perdido, porque o seu companheiro, mais perdido que ele, procura em si esta condição de força e de coragem. F. Nietzsche tem um aforismo onde diz: “Eu sou o valor que dou a mim mesmo!” E o valor que a igualdade pode auferir ao ser humano é isto: o nada!, a solidão, o vazio, a ausência de sentido completa para si mesmo. A vida e a existência não podem ser reduzidas a um labirinto sem saída, porque o fracasso constante embrutece até o ponto de ver-se entregue a um estado deplorável de psicopatia.

MUTUM CULTURAL: Em que situações da vida atual o ser humano sente-se como encarcerado e não ousa fazer a pergunta que intitula o livro?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: No Século XXI, a todo instante. E tornou-se escravo desta condição porque teme a resposta que virá de si mesmo; ele não sabe o que fazer de sua vida no instante seguinte, dado que a existência e toda a liberdade porque o ser humano lutou desde fins da década de 1960, transformou-o em um autômato, uma criatura anômica, sem saber o que quer da vida, vivendo de acordo com a gíria: seguindo o fluxo.
Para fazer tal pergunta, é preciso ousar e saber que a resposta pode ser um simples não sei e isto não significa estado de decadência, devendo ser tomado como princípio para buscar uma resposta. Em Filosofia, toda grande descoberta parte de uma pergunta, para a qual inicialmente não se tem resposta alguma, às vezes, nada mais que hipóteses, suposições, elucubrações. O valor encontra-se na coragem de se fazer a pergunta e ao deparar-se com uma incerteza ou um vazio, compreender que faz-se necessário preencher estes espaços em branco e isto somente se consegue enfrentando a realidade, por mais cruel que possa parecer e mesmo apresentar-se ao indivíduo.
O fato de evitar fazer tal pergunta representa despreparo para com a existência, medo de ter que enfrentar a vida e fracassar. No entanto, fracasso e sucesso são faces da mesma moeda, produtos da ação. Como diria o Zaratustra de Nietzsche: “Eis a vida! Então, vamos à vida!”    

MUTUM CULTURAL: O que este livro diz para os trabalhadores na educação como professores, especialistas, diretores e serviçais, bem como os gestores, no exercício da sua profissão?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: Educação é um compromisso social, não um direito como se quer fazer acreditar; é um dever cívico. A comunidade escolar deve tomar para si a missão de formar um homem em sua integralidade. E isto implica em construir valores concretos, tendo em vista a história daqueles que nos antecederam e a pretensão de construir um Estado melhor, não abstendo da tradição clássica e nem dos princípios humanísticos que permitiriam ao homem resistir a tantas e tantas mudanças radicais.
À escola cabe ensinar aos estudantes como aplicar seu intelecto para o crescimento individual e social e nisto inclui o respeito e a obediência àquilo que mais se possui de valor na sociedade: O Outro. Nietzsche expressa sobre isto o seguinte: “Quando se julga um criminoso, diz-se que ele falhou com a sociedade. engano fatal. Foi a família, a escola, o padre, o pastor, todos que falharam com ele” (2007) e, por consequência, todos falharam ainda com a sociedade que passa a temer este indivíduo e a sofrer em suas mãos.

MUTUM CULTURAL: Quais são as suas expectativas para o Café Literário no dia 15 desse mês, na Biblioteca Municipal?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: Minha expectativa é a de que os participantes entendam que o livro é uma expressão de que existe uma necessidade premente de discussão sobre uma problemática e não sobre um problema isolado. Todo o texto traz uma discussão em torno de uma situação factual, presente e crescente e que a não intervenção eleva o custo social da existência, onde todos estão se tornando escravos da própria inépcia social, no que se refere ao assunto posto.

 PRIMEIRA PARTE DA ENTREVISTA: MUTUM CULTURAL


                      O blog Mutum Cultural reforça o convite para o Café Literário.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

A PERGUNTA QUE TODOS FAZEMOS


ENTREVISTA COM SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA


O convidado para o primeiro Café Literário de 2020 é o Pós-doutorado em Psicologia Social, graduado em Pedagogia e Ciências Sociais, sócio-diretor do Instituto Educacional Athena, Sérgio Rodrigues de Souza.



A sua obra O que farei da minha vida ao sair daqui? Um ensaio sobre pedagogia carcerária, publicado pela editora Appris em 2018, começou a ser gestada a partir de suas anotações em 2008, durante uma aula na Cadeia Pública de Mutum (Centro de Detenção Provisória) cujo tema tornou-se título do livro.

Foram dez anos de amadurecimento. A obra nos faz refletir sobre essa pergunta. Estamos sempre saindo de algum lugar, alguma situação. Planejamos, mas nem sempre o destino nos possibilita realizar o que pautamos para o tempo vindouro.

Vale a pena conhecer essa obra através do Café Literário, dia 15 de fevereiro a partir das 08:00 hs.

Leia a entrevista com o autor:

ENTREVISTA

MUTUM CULTURAL: Na apresentação do livro é dito que uma das finalidades é mudar o EU. Quais as principais lições que o leitor pode tirar ao ler seu livro?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA É muito difícil dizer que mudanças ocorrerão nas estruturas cognitivas e intelectuais de alguém a partir da leitura de um livro e muito mais complexo é determinar uma mudança comportamental. Cada indivíduo representa um mundo e este EU, a que me refiro é a representação de uma conjuntura gnosiológica.
Mas, arrisco-me a apresentar algumas importantes lições que podem ser extraídas:

1) A família, solidamente formada, é tudo para o ser humano;

2) Educação é um princípio social, não um direito subjetivo, onde eu faço uso ou não de acordo com a minha vontade deliberada;

3) A única forma eficiente de combate à delinquência é a prevenção; qualquer outra é mero paliativo, eufemismo. Entre os russos, existe um ditado interessante: ‘o que deixa bêbado é o primeiro gole, não o último’.

4) Assim como Aristóteles (384-322a.C.) já havia afirmado, o ser humano sente ânsia de pertença a um conjunto social e M. Foucault (1926-1984) vem afirmar que o ser humano deseja ser reconhecido e para isto realiza coisas incríveis, indo desde criações úteis à sociedade, inúteis e mesmo nocivas. Nisto, todo o cuidado é pouco para que este desejo pathológico [sentimental profundo] de reconhecimento social não se transforme em um desejo patológico [doentio] de reconhecimento individual, onde os fins passam a justificar os meios.

5) O ser humano necessita de um objetivo na vida que o transcenda. Nossos pais são mais felizes que nós, porque realizaram seus objetivos em grande medida. Seus objetivos eram ter filhos, vê-los crescer, formar uma família unida e se alguém quiser me rebater alegando que muitos construíram grandes coisas, realizaram grandes feitos, tudo isto foi feito em nome da família, em prol dela e em torno da mesma.


MUTUM CULTURAL: Sem fazer juízo sobre sua ideologia política, há uma leitura interessante sobre o tempo em que Adolf Hitler passou encarcerado e a contribuição deste para a sistematização das suas ideias no livro Mein Kampf. Que paralelo você faz sobre o encarceramento vivido por Hitler e o encarceramento vivido aqui no Brasil?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: A título de esclarecimento, minha análise não é nem ideológica e muito menos político-ideológica. Ela é antropológica, fundamentada nos princípios da Epigenética. Eu busco ali analisar o espírito do homem quando sob condições extremas, alijado do contato com a cultura ampla, em que ele se volta para a cultura micro que, para sua maldição, não dá conta de proporcionar-lhe contato com um universo de coisas, sentimentos, frustrações e experiências.
Na vida, não é a experiência que se vive que provoca transformações no espírito. É a forma como se é atravessado por esta experiência que vai determinar as mutações, a curto, médio e longo prazos. Esta observação valeu a Frederico Nietzsche (1844-1900) a afirmação de que nossa personalidade é caracterizada muito mais pelas experiências que não vivemos.
O livro de A. Hitler (1889-1945) é um tratado escrito fundamentado sobre uma narrativa sociológica e antropológica, onde ele analisa o homem alemão de fins do Século XIX e início do Século XX, capturado e imerso em um ambiente completamente diferente do que estava acostumado a viver e a batalhar. No entanto, não eram mais indivíduos dotados de espírito revolucionário, capazes de pegar em armas e derrubar tudo, para começar do zero.
Como nórdicos, estavam anestesiados e alienados, mas bastou que alguém o incite para a destruição que aderiram sem pensar muito, porque o próprio autor já havia percebido este sentimento de indiferença quanto às rebeliões e ao caos, quando o indivíduo é submetido por muito tempo à opressão.
Infelizmente, Hitler utiliza a máquina estatal para fazer despertar este sentimento no povo, o que faz com que a maioria [quase absoluta] enxergue o seu ato como uma política ideológica. Ele fez uso da Psicologia Social, que aliás provou ser conhecedor e exímio manipulador.
O engodo mais intrigante da nossa era é o de crer na ideia ingênua de que o Estado está à margem de nós, o povo, ou que nós, o povo, vivamos à margem dele. É o povo quem dita as regras das políticas de Estado e não este quem dita a forma como o povo irá se comportar. O ethos social é um componente variante do ethos cultural, fundamentado sobre princípios muito sólidos, sobre os quais estão os fundamentos filogenéticos e ontogenéticos.
Quando Hitler é apresentado ao povo alemão como seu chanceler, o grande gênio Sigmund Freud (1856-1939), escreveu um texto alertando para o fato de que dias muito sombrios se abateriam sobre a Alemanha.
Quando Hitler cai preso, em 1923, ele tinha uma única certeza, a de que seria morto, afinal, estava condenado por crime de estado, nisto se transforma na criatura mais perigosa que existe, na concepção de Goethe, aquele que já não tem mais nada a perder. Isto influenciou, sobremaneira, na carga pathológica que deposita em seu livro, descrevendo cada detalhe, cada centímetro quadrado da vida de Viena, o que viveu, o que viu e o que teve que fazer para sobreviver.
Seu livro Mein Kempf (Minha Luta) é o único tratado sociológico, na história da humanidade, que narra a condição de miséria do ser humano que vivia nos guetos e sarjetas, a partir da experiência miserável que esta condição de vida e ausência de qualquer perspectiva de futuro podia proporcionar-lhes. Ele se fundamenta e provoca o seu leitor a compreender a realidade social alemã a partir da falta de uma visão de futuro, a anomia. Por isto que fomenta o espírito nacionalista no povo alemão e todo o discurso de patriotismo alemão puro.

MUTUM CULTURAL: O questionamento feito aos detentos em 2008 “o que farei da minha vida ao sair daqui?” poderia ser feito aos estudantes de nossas escolas, independente do contexto?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: Sem dúvidas. Porque esta pergunta é de caráter retórico e tão comum ao ser humano, até a geração a qual pertence nossos pais e em grau muito diminuto, ela é feita pela geração que tem menos de 40 anos de idade, momento em que acontece um interessante paradoxo onde alguns eruditos sem ter o que fazer da vida, resolveram dizer que as crianças e os jovens deveriam ser livres para pensar suas vidas como bem entendessem. Fizeram todas as besteiras da vida que a sociedade permitiu, mas na hora de pagar a conta, cadê a potência para isto? Foram transformados em homens de palha (parafraseando Nietzsche); mas voltando à questão original, esta foi a pergunta feita pelo Primeiro Homem, Adam, quando recebeu a sua sentença do Pai Criador.
Trata-se da construção de uma visão de futuro, de um ideal, entendendo o ideal não como uma utopia, mas como um fato social ambicionado e pelo qual se luta, na expectativa de o alcançar, de o conquistar e não simplesmente de conseguir.
O estudante deve entender que educação acadêmico-escolar não é um direito que ele assume; trata-se de um dever social, uma responsabilidade que ele assume e que o acompanhará por toda a sua existência, logo, se ele não tem uma visão de futuro é porque a sociedade na qual está inserido, também não possui e o condenou a este vazio existencial.
Sócrates argumentava que a vida desprovida de um profundo exame antropológico não é digna de ser vivida.

CONVITE: CAFÉ LITERÁRIO




SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA

domingo, 29 de julho de 2018

CAFÉ E CANJICADA: NUTRINDO A LITERATURA MUTUENSE


A Secretaria Municipal de Cultura, tendo a frente o secretário César José Pires da Luz (César Tomé) vem promovendo dois eventos importantíssimos para a literatura mutuense.
CAFÉ LITERARIO/MARÇO 2018

Iniciando uma nova temporada em Março, o Café Literário, que ocorre todo terceiro sábado do mês, a partir das 08h00 na Biblioteca Municipal Rui Barbosa, reúne em torno de 20 pessoas para discutir uma obra ou um gênero literário. Já tivemos esse ano em discursão as obras O Prisioneiro (contos) de José Ronaldo Siqueira, Uni Versos (poemas) de Cláudio Antonio Mendes, e História da Minha Vida de João Pinto de Moura, e tivemos um que discutiu sobre crônicas. Foi maravilhoso.
CAFÉ LITERÁRIO/ABRIL 2018

O próximo café literário será 18 de agosto com a obra A Vida Continua, de Ronaldo Lopes Correa.
Outro evento que surgiu a partir do café literário que percebeu a importância de oportunizar a todos que não tinham como participar do café literário, seja pela limitação do número de participantes, seja pela incompatibilidade de horário, foi o Canjicada Literária, que passou a ocorrer toda 2ª segunda-feira do mês.

A primeira sessão ocorreu dia 09 de julho e foi avaliada como um sucesso. Participação de dezenas de pessoas com apresentação dos nossos autores, seja o que já vem participando do café literário, como de jovens que se aventuram no verso e na prosa. A próxima será dia 13 de agosto. Contamos com você que aprecia a literatura que se produz em Mutum.
Tão importante quanto oportunizar que nossos autores ou autores da região apresente suas produções, é incentivar quem tem o hábito da leitura participar ativamente dos eventos de forma interativa, reforçando em todos o hábito de se encantar com as histórias e com a poesia.
Canjicada literária, grande participação


PRÓXIMA CANJICADA LITERÁRIA

PRÓXIMO CAFÉ LITERÁRIO

domingo, 19 de outubro de 2014

NOTAS SOBRE O III CAFÉ LITERÁRIO

O III CAFÉ LITERÁRIO aconteceu nesse sábado, dia 18, na Biblioteca Municipal Rui Barbosa tendo como autor convidado Gisélio Jacinto de Alencar e boa participação de pessoas que gostam de poesia e um bom bate papo sobre o assunto. 

Gisélio Jacinto Alencar, autor convidado
O Secretário Municipal de Cultura, César José Pires da Luz explanou sobre a necessidade de trabalharmos para a sobrevivência de eventos significativos como esse e Telma Gomes nos trouxe o interesse de pessoas que residem fora de Mutum em apoiar esse evento bem como da formação de uma futura Academia Mutuense de Letras.

Gisélio Jacinto Alencar, há tempos residente em Mutum-MG, falou sobre seus dois livros publicados, UM OLHAR PARA O HORIZONTE e FRAGMENTOS PERDIDOS. Destacou a natureza como fonte de sua inspiração e do seu labor literário.

Bom bate papo sobre a arte de fazer literatura
Relatou também sua ida a uma escola de Chalé onde foi homenageado por seus poemas, algo que já aconteceu em Mutum praticamente em todas as escolas, e que ainda falta ser em  sua terra natal: Aimorés.

O próximo Café Literário ficou agendado para o dia 15 de novembro, quando possivelmente acontecerá a segunda edição do evento QUEIJO, GOIABADA E POESIA, coroando a OFICINA DE CONSTRUÇÃO POÉTICA que acontecerá dias 12, 13 e 14 de novembro.

O blog mutumcultural torce para que esse evento cresça e consiga congregar todos aqueles e aquelas que gostam dessa arte chamada literatura.
CONHEÇA A PAGE NO FACEBOOK DO GRUPO QUEIJO, GOIABADA E POESIA.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

III CAFÉ LITERÁRIO


PARA QUEM GOSTA DE LITERATURA
Convite

A Biblioteca Pública Municipal Rui Barbosa e a Secretaria Municipal de Cultura têm a honra de convidar você e sua família para participar do III Café Literário.Autor Convidado:Gisélio Jacinto de Alencar

Com duas obras: Um Olhar para o Horizonte e Fragmentos Perdidos são recheados de poemas e sonetos onde o autor retrata a vida cotidiana do nosso povo, sua infância, suas estórias de namoros, as viagens, fantasias que com seus amigos, há muitos anos atrás fizeram fora de hora,etc.
Data: 18/10/2014Hora: 08:00 ás 10:00Local: Biblioteca Pública Municipal Rui BarbosaR: Dom Cavati, 391(Prédio da Câmara) Centro/Mutum
Contamos com sua Presença!

Realização:Biblioteca Pública Municipal Rui BarbosaSecretaria Municipal de Cultura

Apoio Cultural:
SUPERMERCADO ANACLETO "O MÁXIMO EM ECONOMIA" AV: GENTIL CALDEIRA

FONE: 33-3312-1325