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sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

UM MUTUENSE DE MUITO CORAÇÃO

 
Livro do escritor na Amazon

ENTREVISTA COM JOSÉ ARAUJO DE SOUZA
 
Completando a trilogia de postagens sobre o livro Operação Mutum de José Araujo de Souza, trazemos uma entrevista com o autor, alguém que gosta muito da nossa amada terrinha.
 
José Araujo de Souza nasceu em 29 de Outubro de 1945, Assaraí, pertencente hoje ao município de Pocrane, sendo que quando nasceu, tanto Assaraí como Pocrane eram distritos de Ipanema.
 
Aos dois meses de idade, seus pais Simplício Albano de Souza e Geracy Araujo de Souza mudaram-se de Assaraí para Aimorés, passando por Mutum. Segundo relatos que contaram para o nosso entrevistado, ele ficou em Mutum, por ter adoecido, aos cuidados dos seus avós, Olívio Araujo e Dona Cotinha, até que tivesse condições de voltar para a companhia dos seus pais. O que nunca mais aconteceu. Em Mutum ele seguiu morando até concluir o Segundo Grau. Indo para Belo Horizonte em 1966. Em Mutum ficou conhecido pelo apelido de Buté.
 
Em 2007, José Araujo de Souza sentiu-se honrado em ter Travessia lançado e exposto para vendas ao público no Stand da Oficina de Livros, durante a realização da XIII Bienal do Livro, no Rio de Janeiro.
 
Sua literatura é produzida cotidianamente, não tem um escritor de referência. Suas obras são solos. Já até produziu em outros campos da arte, mas apenas para fins didáticos quando lecionava. Mutum está presente em outros textos além de Operação Mutum como no Poema dedicado à terra do seu Coração
 
MUTUM
 
Há um pedaço de dor
encravado entre as montanhas
desenhadas contra o céu
(ainda será azul?)
e um rio nascendo dos olhos
formando na queda a cachoeira.
(ainda será fria e funda?).
 
Há um começo vermelho de noite
correndo ao encontro do encanto da lua.
(ainda será dos namorados a velha rua?)
 
Há no peito embrutecido uma suave saudade
e um coração ferido comandando o sangue
que flui para o corpo.
 
Lá, por certo, o tempo se incumbiu
de sucumbir tudo.
 
E ninguém mais se lembra de olhar
a montanha encantada e pedir um querer
de madrugada.
 
Nem flutua no rio a escura canoa
e nenhum menino desafia mais o remanso
ao entardecer.
 
Por certo, só existe a saudade que sinto de Mutum.
 
 
ENTREVISTA
(Entremeada com parágrafos de SOLIDOR, de autoria do entrevistado)
 
Qual a sua relação sentimental com Mutum? Você tem parentes aqui?
Eu sempre digo que sou mutuense. Desde que me entendo por gente, sou mutuense. Eu só vivi fora de Mutum, antes de vir para Belo Horizonte, por dois meses após ter nascido em Assaraí. Fui registrado lá. Sou, portanto, mutuense nascido em Assaraí. Digamos que, na dúvida entre o local onde nasci pertencer geograficamente a Ipanema ou a Pocrane, escolhi ser de Mutum, onde sempre vivi.
Tenho em Mutum meu querido irmão Olívio de Souza Araujo, Olivinho. O mais velho dos meus irmãos. Também tenho primos. A família Araujo é muito grande.
 
“Solidor é a solidão nascida de uma dor de não se ter mais. Surgida como por encanto, no final de um sonho, no começo de uma noite de chuva ou, até mesmo, na hora da morte. É a falta permanente ou passageira deixando marcas e maracás em cada batida surda do coração. É o vermelho do sangue correndo pelas veias dilaceradas, num contínuo fluir e refluir, pelo corpo cansado.”
 

Qual a sua formação e atuação profissional?
Minha formação profissional foi toda direcionada para o Magistério. Fiz o Curso Normal em Mutum, no Colégio Normal Dionísio Costa (grafado com i). Fui o primeiro homem a fazer o Curso Normal em Mutum. Eu era o único homem em uma sala de mulheres maravilhosas, a quem devo a conclusão dessa etapa. Sem a ajuda que tive delas, eu não teria conseguido concluir o curso. Fiz o Curso Superior de História na UFMG.  Depois, Pós Graduação em Metodologia do Ensino Superior. E, finalmente, fiz Mestrado em Educação. Lecionei em todos os três níveis de ensino. Primeiro e Segundo Graus, Superior e Pós.
 
“Solidor é fruto da paixão, desespero, vingança e ódio. É resultado de um amor. Um poema inacabado por falta de espaço no papel. Uma canção cantada baixinho, no ouvido direito da amada. É um lamento, um suspiro ou um nome soprado baixinho a se perder no vento. No nada.”

 
Como e quando foi seu interesse pela literatura?
Comecei a ler muito cedo.  Revistas em quadrinhos. Minha mãe era professora, então não faltavam material para leitura. De Monteiro Lobato a Jorge Amado. Na casa dos meus avós morava um médico, Dr. Bião, que me "mandava" sempre ler algumas revistas técnicas variadas, que assinava especialmente uma: Seleções de Raeder's Digest. Tinha de tudo. Contos, poesia, novelas, piadas, artigos científicos, enfim, uma verdadeira enciclopédia. Como era poliglota, o Dr. Bião insistia para que eu lesse algumas de suas revistas em outras línguas. O que eu não conseguia e me frustrava. Não sei, exatamente, quando comecei a escrever mas sei que sempre gostei.
 
“É solidor a saudade de não se estar mais na cidade natal. Ou quando se perde um pedaço da vida na morte de alguém. Quando, de um lugar qualquer distante no tempo, repentinamente, ressurge o cheirinho gostoso de comida caseira, feita pelas mãos da mãe que já não temos mais.”
 
 
Quando surgiu a ideia de escrever Operação Mutum?
A ideia me veio ao ler notícia de que os Estados Unidos assinaram um acordo com a Espanha, assumindo o compromisso de descontaminar a área atingida por bombas deixadas cair por um avião militar, em um acidente aéreo ocorrido em 1966, em Palomares, no sul da Espanha. Cinquenta anos depois, a população ainda continuava sofrendo os riscos de radiação. Imaginei, então, como seria se acontecesse a mesma situação em uma região montanhosa como a de Mutum. E fui criando a história na minha cabeça. Os personagens foram nascendo e o enredo sendo desenvolvido. Usei imagens da minha infância. Quando criança, muitas vezes fiquei olhando para o céu, altas horas da noite, acompanhando o piscar de luzes dos aviões que passavam sobre Mutum, vindo de não sei onde e indo para algum lugar desconhecido. Faziam parte dos mistérios da minha infância. Assim, apenas criei situações que imaginei para dar forma a uma história fantasiosa que já tinha começo meio e fim na minha cabeça.

 
“Solidor é chocolate escaldado em fogão de lenha. Bala de coco redondinha coberta de açúcar. Bola de meia rolando na poeira. Enchente de rio manso. Gabiroba do mato. Manga espada com terebentina na casca. Goiaba vermelha. É tristeza.”
 
 
Você tem outras publicações além de Operação Mutum?
Escrevi e publiquei outros livros. TRAVESSIA; CONSENOR; CANÇÃO PARA JULIANA; PELOS CAMINHOS DO TEU CORPO; DELES E DELAS; DELES; DELAS; MALDÍVIA; CONTOS ERÓTICOS DE QUALIDADE; OPERAÇÃO MUTUM; O LEÃO DE JUDÁ. São contos e poemas, contos eróticos e romances de ficção.
 
“Solidor é boneca de pano, rasgada, deixada num canto de um quarto. É calor de colo. Carinho de mão tocando de leve nos cabelos. Caminho de roça, cheio de mato. Preguiça gostosa de depois do almoço. Brinquedo de infância. É brincar de pique. É balanço. É cobra cega. Casamento de jeca. Pipoca. Balão aceso no céu. Lua cheia. Carnaval de rua. Banco de escola primária. É trança de menina. É Igreja na praça. Refresco de canudinho. Caldo de cana tirado na hora. É barquinho de papel descendo na enxurrada.”
 

Como é a sua rotina de produção literária?
Tenho um computador instalado no meu quarto. Assim, gosto de escrever quando a vontade me pega, sem um horário preestabelecido. Quase sempre, tenho mais de um trabalho começado, inacabado e arquivado à espera de que eu o termine. Não escrevo com um tempo determinado para concluir o que comecei. O certo é que posso acordar no meio da noite e dar sequência a alguma coisa que já comecei a escrever e deixei num arquivo qualquer. Ou posso, simplesmente, começar alguma coisa nova.
 
“Solidor é palavra inventada, que nunca esteve em dicionário. Mas que existe viva dentro de cada um de nós. É a saudade danada de uma coisa que incomoda. Mas que não queremos perder nunca, nunca, nunca..."
 

Fale sobre Travessias e quais são os projetos literários para o futuro?
O Projeto Travessia tem como objetivo distribuir gratuitamente, através das redes sociais, 10.000 (dez mil) exemplares em PDF, dos livros digitais de minha autoria, com versões em Português, Inglês e Espanhol. Esta é uma forma que encontrei de facilitar a vida das pessoas que se encontram em casa, impossibilitadas de manterem convívio social até com parentes mais próximos, por causa do risco de contágio com o COVID-19, essa praga que está dizimando grande parte da população mundial. Procuro deixar com essas pessoas os meus livros, para que possam ocupar um pouco mais do tempo ocioso que terão. Ler é uma boa forma de passar o tempo. Enquanto eu as ajudo, elas, em troca, me fazem mais conhecido.
Estou, no momento, concluindo mais dois livros. Ainda sem títulos. Um de poemas. O outro, de faroeste, uma história envolvendo bandidos e mocinhos no Oeste americano, mais precisamente no Estado de Nevada. Lá pelos idos de mil novecentos e pouco. Já estão bem avançados, mas sem prazo estabelecido para terminar. Vou caminhando, na velocidade que o tempo das histórias exigir.

***

O blog Mutum Cultural agradece ao escritor José Araujo de Souza por nos conceder tão enriquecedora entrevista.


DOIS LIVROS DO AUTOR NA AMAZON



FAZEM PARTE DA TRILOGIA SOBRE
OPERAÇÃO MUTUM
AS POSTAGENS:

segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

POEMAS DE UMA VIDA DE JOÃO CARLOS ROSA




" ...a melodia chega antes,

a letra chega mais tarde."






SÉRIE: PENTALOGIAS POÉTICA
LIVRO: UMA VIDA EM VERSOS
AUTOR: JOÃO CARLOS ROSA
EDITORA: TXAI EDITORAÇÕES

 
A sensibilidade poética de João Carlos Rosa vem de muito tempo, assim como sua militância pastoral e social. Ele é o poeta idílico que nos faz recordar dos tempos de roça e labuta. Dos tempos de plantações e rebanhos. E traz todos os trejeitos dos pastoreios para expressar seus sonhos e sua luta, mas acima de tudo a sua fé em Deus e em dias melhores.
 
Através dos cinco poemas retirados da sua primeira obra impressa, realizada com os recursos da Lei Federal nº 14.017/2020, denominada Lei Aldir Blanc, por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura de Mutum, Minas Gerais, buscamos mostrar para o leitor como fé, sonho e apropriação da realidade traduzem-se em versos pelas mãos de João Carlos Rosa e nos faz lembrar de outro Rosa, o Guimarães da prosa.   
 

 
VAQUEIRO RETIRANTE
Na noite escura
Do não me toques
Caminho na solidão
Como um vaqueiro cego
Que aboia boi na imaginação
O vento dança com os ramos
Afligindo o meu coração.
 
Sou um pobre vaqueiro retirante
Que atravessa todo o sertão
Em busca de água pura
Que cura toda paixão
Pois olho para os olhos profundos
Bem no fundo do coração.
 
Amanhã é certo
Que anoitecerá chovendo
Aumentando a escuridão
E o vaqueiro cego
Continuará aboiando
Boiada na imensidão
E o canto da ave de rapina
Que chegará em forma de oração.


A CASA
A casa fica longe
Onde não chega o aluguel
Mas chega a paz
É onde a melodia chega antes,
A letra chega mais tarde.
 
A noite aqui chega
Trazendo seu não
E os seus mistérios
Quando passa a madrugada
Chega a aurora
Tudo é desvendado
Com o sol que vem outro dia
Eu, sem tempo de sofrer.
 
E na hora santa do almoço
Na mesa farta da varanda
No fogão de lenha
Com gosto de panela de barro.
 
A casa fica bem longe
Cheia de buracos
Nas paredes de barro
Não acredito nem um pouco
Nas crendices deste lugar.
 
Aqui fica tão longe
Onde não chega o aluguel
Mas chega a paz
Onde a melodia chega antes
A letra chega mais tarde.

PAIOL
Eu resolvi pensar em nós
De barbas brancas já envelhecidas
Na festa de outro dia
Como nossos casos de ontem
Com dúvidas e dívidas
Armazenados no paiol da vida.
 
Ontem nós todos juntos
Com nossas vastas cabeleiras
Sem limite e sem basta
Chamados de jovens rebeldes
Andamos com calças apertadas
De boca de sino
E sapatos cavalo de aço
Sem medo do paiol da vida.
 
Hoje nós de cabelos brancos
Sem contar os que perdemos
Muitos de barrigas crescidas
Com medo do colesterol
Não degustamos hoje
Os mesmos pratos
Das festas daqueles dias
Todos assustados com o infarto.
 
Somos chamados de pai
Outros de avô
Vamos acumulando pontos
Na corrida do tempo
Com essa sabedoria divina.




MEU POÇO
Eu me lembro
Dos encantos da minha infância
Tenho na lembrança
O meu poço verde
Que o tempo secou.
 
Meu tempo de menino
Com o poço passou
Sem eu compreender
O que é sofrer
O que é a dor.
 
Eu vejo a areia branca
Um marco forte
Onde o poço verde existiu
Um dia quando criança
Com a vida eu brinquei.
 
Agora eu rastejo
Até seus pés
E mergulho no fundo
Do tempo que não volta.
 
A minha vida torta
Como as águas que correm
Pobre e poluída
Fraca e desnutrida
De nascentes desnudadas
Que passam no meu poço verde
Que um dia fui um rei.
 
Eu me lembro
Dos encantos da minha infância
Estão todos guardados
Nas paredes de barro.
 
As lembranças que não esqueço
Do meu poço verde
Que fez de mim
Um pensador torto
Dentro do meu ser
Assim tudo continua
O meu poço verde
Ainda está morto.
 
LIVRO DE BOLSO
Andei com fé
Nas ruas estreitas de Nazaré
Pois tinha um plano
Mergulhar no oceano
Da minha vida
E medir o tamanho da fé
Que caiba no meu livro de bolso.
 
Eu reparei em todas as ruas
Procurando sem rumo
A pequena casa escola
Que fica em Nazaré
Senti as minhas asas cortadas
Quando eu vi
Que ele tinha ido para Jerusalém.
 
Andei com fé
Nas ruas de Jerusalém
Ajudei ele a carregar o madeiro
Minha irmã enxugou seu rosto
Lembrei-me da fé
Ela não estava no bolso
Ela não cabia em mim
Na manhã da sua ressurreição.
 

OUTRAS PENTALOGIAS POÉTICAS


quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

OS ESCRITORES MUTUENSES, QUEM SÃO?

 

OS ESCRITORES MUTUENSES, QUEM SÃO?


Imagem: blog Rodrigo Gurgel


Ao registrar no nosso blog a Década de Ouro da Literatura Mutuense surge para nós uma questão sobre o recorte da nossa pesquisa. Quem pode ser considerado escritor mutuense?

Nossa intenção é não deixar ninguém de fora. Para tanto vamos organizar didaticamente quatro situações em que alguém que tem alguma produção literária, ainda que não esteja impressa, possa entrar na pauta. E aí surge outra questão. Vamos considerar apenas quem escreve ficção? E quem escreve história ou biografia, entra também? Artigos e trabalhos sobre educação, por exemplo? Com certeza todos que chegarem ao nosso conhecimento terá seu espaço nas nossas menções.

São as quatro situações:

  •       O escritor nasceu e mora em Mutum;
  •     O escritor não nasceu em Mutum, mas atualmente mora em Mutum;
  •     O escritor nasceu em Mutum, mas atualmente não mora em Mutum;
  •     O escritor não nasceu em Mutum e atualmente não mora em Mutum, mas já morou em algum momento da sua vida por algum tempo em nosso município.


Se você conhece alguém que se encaixa em uma das quatro situações acima, colabore e mencione-o para nós. Assim você estará colaborando com o nosso blog.

Sabemos que vai ficar bem abrangente, mas vai enriquecer muito nosso levantamento. O objetivo é conversar com todo mundo sobre literatura para que tenhamos mais uma década de ouro.

 

 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

SEXTA-FEIRA TEREMOS LIVRO SENDO LANÇADO

 SEXTA-FEIRA TEREMOS LIVRO SENDO LANÇADO
 


Acsa da Luz Mendes fará o lançamento do seu livro Boas Novas De Um Novo Tempo. Trata-se de uma obra que traz textos tanto em verso quanto em prosa, mas nunca abrindo mão da poesia e da percepção de realidade da jovem autora.

O Evento será na Casa de Cultura, dia 07 de Janeiro de 2022, a partir das 19:30 horas. Vamos valorizar este momento ímpar da literatura mutuense.

 Segue a mini-entrevista que fizemos com a autora.

Quando você começou a escrever?
Comecei a escrever em 2016, com 16 anos, inspirada por uma imensa paixão pela filosofia e espiritualidade, e pela vontade de registrar as ideias que eu acessava em minhas meditações, para refleti-las, e mais tarde quem sabe, publicá-las.
 
BOAS NOVAS DE UM NOVO TEMPO é o seu primeiro livro?
Boas novas de um novo tempo é meu primeiro livro, já tem outro em andamento, continuo registrando essas ideias que tanto me servem, com o genuíno intuito de que sirva também aos leitores que irão adquirir a obra
 
Como foi o processo de publicação?
No processo de publicação participei ativamente junto com a editora, embora o tempo dado pelo edital fosse curto, fizemos um belo trabalho, que me permitiu realizar um grande sonho.
 
O que o leitor encontrará em seu livro?
No meu livro você há de encontrar textos e poemas expressos com grande clareza, que trazem em si o que chamo de grafia dos anjos, quando as palavras servem a um propósito mais elevado e se tornam meios de trazer elucidações, sentimentos nobres. Isto será percebido pelo leitor, gosto de dizer que os textos são inspirados e canalizados dos céus para que sirvam ao nosso desenvolvimento, e ao propósito divino que é criar um novo tempo para a humanidade, e através da elevação de nossas consciências, trazer à realidade o Reino de Deus, uma forma também de fortalecer a fé e a esperança diante dos dias difíceis que passamos, visando percebê-los como os sintomas de uma ferida, que se não fosse percebida nos levaria à morte, dói para que a percebamos e procuremos a cura.
 
Fale sobre o lançamento e suas expectativas para o evento:
Estou imensamente feliz por realizar essa apresentação, senti de organizar também uma exposição de artesanatos, para também presentear meus convidados através de sorteios no decorrer do evento, o mesmo farei com alguns livros, não estou preparando palestra, o que houver de ser dito será baseado nos sentimentos que me serão dados a perceber ao me apresentar, de antemão, sinto imenso prazer, honrada em compartilhar com meu povo essa obra tão importante e inspirada, sinto também uma grande alegria por reunir na nossa Casa de Cultura alguns dos meus mais queridos conterrâneos, dentre eles professores que participaram de minha educação, diretoras das escolas públicas que estudei, representantes políticos da nossa casa legislativa e alguns membros da administração da cidade, também se encontraram presentes os prezados poetas mutuenses, escritores que publicaram livros com recursos da Lei Aldir Blanc, dentre outros, será um evento memorável, um dia marcante para mim e para quem estiver presente, prestigiando esse passo importante na  ascensão da literatura de Mutum!

EVENTO: Lançamento do livro Boas Novas De Uma Nova Era
AUTORA: Acsa Da Luz Mendes
QUANDO: Sexta-feira, 07 de Janeiro de 2022.
ONDE: Casa de Cultura
HORÁRIO: A partir das 19:30 horas.

sábado, 1 de maio de 2021

ANATOMIA POLIDA: ATLAS DOS NOSSOS MUNDOS P(OL)UÍDOS

 

José Ronaldo Siqueira é um carioca que reside em Mutum. Atlas anatômico para almas puídas é seu quarto livro (o segundo pela Editora Patuá). Também são seus os livros: O prisioneiro (2012); Historinha é o escambau! (2016); Manual não injuntivo de como criar um monstro (2018), também pela Patuá, foi finalista (3º lugar) no concurso da Biblioteca Nacional em 2019, na categoria romance.

 

Vamos deixar que o autor falar da sua obra, com seu jeito franco, nesta mini entrevista.

                                                                    CABEÇA


“Morri. Morro. Acordei. Acordei? Acho que sim. Mas como assim, acho, não tenho certeza se acordei? Como não ter certeza?"


MUTUM CULTURAL: Atlas anatômico para ideias puídas é um livro de contos. O que o leitor pode encontrar nas páginas da sua obra? Há um fio condutor que interliga os contos?

ZÉ RONALDO: Há. Mas no tocante ao motivo. O Atlas é um livro que versa sobre esperança/desesperança. Sabe aquela história de que no fundo do poço ainda há um alçapão, pois então, quanto mais nos afundamos no desespero e na falta de um vislumbre qualquer de lume, mais forte e crescente é, ao mesmo tempo, a sensação de que tudo ainda pode, de uma maneira que não imaginamos qual seja, dar certo. Essa desesperança acaba por, de certa forma, alimentando nossa esperança. O Atlas é o segundo livro de uma trilogia. O Manual foi o primeiro. O terceiro já está pronto. Talvez o lance ano que vem, ou espere um pouco mais.



                                            TRONCO


“Ah, disso eu tenho minhas dúvidas. Dissimulada e expert na chantagem emocional, como você sempre foi, não me admiraria...”



MUTUM CULTURAL: É seu segundo livro pela Patuá, uma editora bem conceituada no mercado editorial. A que você credita este feito?

ZÉ RONALDO: Olha, imagino que o que me possibilitou lançar novamente pelo selo da Patuá, tenha sido o fato de que o Manual ficou em 3º lugar no concurso da Biblioteca Nacional, que é um dos 5 concursos do grand slam da literatura nacional (Oceanos, Prêmio São Paulo, Jabuti, BN - Biblioteca Nacional - e Sesc - este último, só para autores ainda não publicados). Só vejo por aí. O livro anterior, o Manual, não vendeu muito pelo site (a Patuá não distribui os livros em livrarias, diz que não dá lucro para a editora, por isso opta apenas pela venda online, no próprio site da editora), foi só os que eu vendi no lançamento e alguns poucos depois. Sou melhor autor do que vendedor, hahahahahahahaha. 

                                                                        

                                                                     MEMBROS                                                              

“E se fugir? E se eu sair de casa? Será que esse bicho me segue? Será que vem atrás de mim? E se eu me escondesse em um bosque ou uma floresta, onde não houvesse paredes?"

 


MUTUM CULTURAL: Como o leitor pode adquirir sua obra?

ZÉ RONALDO: Como eu já disse, uma das formas de adquiri-lo é através do site da Editora Patuá, e, sempre tenho alguns comigo também, para quem quiser já tê-lo autografado, podem me encontrar no facebook .




NOTAS DO BLOG:

I) Estamos idealizando uma série de postagens intitulada por enquanto de Década Fértil: A produção literária de 2011-2020. Valorize os autores de Mutum. Somos destaque na região em termos de produção literária.

II) Como foi dito na mini entrevista, Atlas anatômico para almas puídas é o 2º livro de uma trilogia. Vamos aguardar o terceiro para podermos fazer uma postagem envolvendo toda trilogia.

sábado, 12 de setembro de 2020

UMA COLETÂNEA, DOIS MUTUENSES


Foi coincidência dois mutuenses selecionados para a mesma coletânea literária do projeto Apparere, ligado à editora PerSe. Foi o que ocorreu em agosto, quando os escritores Cláudio Antonio Mendes e Sérgio Rodrigues de Souza tiveram seus textos aprovados para participar da coletânea Meus filhos, meu maior tesouro!

 

Cláudio Antonio Mendes participa dessa coletânea com o poema No abraço dos rebentos. Nele, o poeta fala da força de uma mãe que carrega nos ombros o desprezo do mundo, a desilusão  e todo tipo de sortilégio encontra no abraço dos seus filhos para ainda continuar respirando.

 

Sérgio Rodrigues de Souza integra a coletânea com o texto tendo o mesmo título da coletânea. Ele faz um mergulho em vários aspectos, incluindo o filosófico, para enriquecer a reflexão que devemos fazer sobre o que de fato um filho é para seus pais. Faz distinção entre dádiva e presente e que os pais também têm muito a aprender com os filhos. Filhos são tesouros não por carregar a herança genética do pai, mas pelo que o filho oferece aos pais.

 

Ambos já participaram de outras coletâneas do projeto Apparere além de terem livros publicados e vendidos na plataforma da editora.

 

Livros vendidos pelos autores na PerSe:

Cláudio Antonio Mendes

Sérgio Rodrigues de Souza


Link para o projeto: 

APPARERE


Link para adquirir o livro: 

Coletânea Meus Filhos, meu maior Tesouro!

sexta-feira, 27 de julho de 2018

#ESTUPRONÃO


Com essa hashtag o jovem poeta de Mutum Gabriel Oliveira narra em verso uma situação que ainda perdura em nossa sociedade, mesmo com a emancipação feminina, a coisificação do outro leva um ser humano julgar que pode ter tal atitude.
Autor da página no facebook Apenas Sendo Eu, ele justifica que tal poema nasceu ao tomar conhecimento do relato de uma de suas seguidoras:
“Espero que lendo este, vocês possam ter de alguma forma se emocionado por que essa é a atitude mais horrenda que um 'homem' pode tomar.

E gostaria que compartilhassem ou de alguma forma fizessem esse texto alcançar o máximo de pessoas possíveis. Não por mim, mas por quem passa ou já passou por isso. Obrigado!”


Ela era mulher de alma pura.
Tinha lá alguns obstáculos em sua vida,
mas nenhum era forte o suficiente pra derrubá-la.
Isso até que um dia de forma horrenda lhe roubaram tal pureza.


Visto por todos como um homem comum.

Entrou em sua casa como um amigo e saiu pior que um monstro.
Homem? Não! Um homem não faria isso.
Um homem de verdade não seria capaz de tal violência.


A jogou contra a parede, pôs a mão em seu pescoço 

e fez dela uma vitima.
Enquanto ela tentava gritar era sufocada, corrompida, destruída.
Pois um monstro penetrou seu corpo e alma.
Ela não pôde sequer reagir, sequer fugir, sequer viver.


Depois de cometer tal afronta ele se vestiu e saiu, só se foi.

E ela? Ela ficou ali, caída no chão sem conseguir se mexer,
Sem conseguir pedir ajuda, sem conseguir nem mesmo chorar.
O que ela sentiu? Nem mesmo isso ela podia dizer, pois sua voz ali não mais residia.


E aquela mulher que se sentia pura se desfez. Se afogou.

Afogada em dor ela apenas existia.
Sozinha ela vivia sem amparo já que as palavras que lhe restavam
Mal servia para dizer um falso 'eu estou bem'.


-Gabriel Oliveira-

#estupronão

terça-feira, 8 de agosto de 2017

OS INDRISOS DE ANA HUBNER

Ana Hubner, uma poetisa a ser conhecida, estreia em nossa Pentalogia Poética nos presenteando com seus belos indrisos, esse novo estilo poético que tem cada vez mais chamado atenção de quem, condenado e aprisionado a ser instrumento da poesia, expressa a liberdade em versos.


Vagando pela seara dos sentimentos humanos, como tédio e anseio, Ana Hubner, mais que escuta, ausculta o silêncio e traduz em belos poemas o que esse incômodo e edificante companheiro tem a nós dizer.


ILUSÃO

Meus olhos desenham o doce querer
Embriagado pela ilusão
De viver o ato pleno de existir

Em sonho, acaricio o mapa lúdico
Ferindo a alma, a realidade é densa e cruel
Viajo na eternidade do tempo

Num espaço infinito vejo

Uma vã luta e seus ciclos



TÉDIO

No indelével espaço da alma
Todo o mistério do viver
Intensa angústia da existência

Entre a sombra e a luz
Contemplo o mar mudo
Água adormecida

Sou fonte, sou ferida

Anseio e tédio
  

VOCÊ

Você é meu raio de sol
Luz que desperta
Meu coração de pedra

Sem você, meus dias são escuros
Vazios do amor que sonhei
Esperei, espero, esperarei

Teu sorriso, uma prece

Teus olhos, meu farol!


O SILÊNCIO

Ergo o olhar da estrada
Sinto saudades do outono
Deito-me nua ao luar

Minhas mãos cheias de desenhos
Acolhem o silêncio
O vazio do existir

Entre mim e o que penso

Resta apenas a sombra do voo


VEJO

No silêncio calado de nós dois
No lapso indeciso do tempo
Renovo a esperança com olhos gastos

Com pupilas dilatadas vejo
A gota d’água, o papel, o fio de cabelo
A partícula do mundo

Sem refúgio, insisto ver o luar

Sonhando, sou eu só




OUTRAS PENTALOGIAS POÉTICAS





terça-feira, 25 de julho de 2017

A ESCRITA CRIATIVA EM MUTUM - PARTE 3/3

Após a pausa do fim de semana, retornamos com as entrevistas da série Programa Especial Com Escritores Mutuenses dentro do Giro do Mutum, em comemoração ao Dia Nacional do Escritor. Abaixo as síntese das participações de Eni Gomes de Oliveira e José Ronaldo Siqueira, e nas considerações finais, o locutor Marcos Adriano.

ENI GOMES DE OLIVEIRA

24.07.2017

Eni Gomes de Oliveira, ou Tia Eni para muitos, compartilhou suas atividades de escritora e, sobretudo, poetisa, com os ouvintes da Rádio Cultura. Apesar de acreditar que escrever de forma criativa seja um dom, seu despertar para a literatura se deu com o saudoso professor Odilon através das redações na escola. Ainda da época de estudante, seus autores preferidos eram José de Alencar, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles. Mas a obra que realmente lhe encantou foi O Pequeno Príncipe.

Ela expressou sua constante leitura para aumento do vocabulário. E em horas não esperada, o poema vem. E quando isso acontece, é preciso por no papel, senão passa.
Cita também como escritor da sua lista de leitura J.G. de Araújo Jorge, poeta acreano. Prefere os poemas com rimas.
Mutum se faz presente em seus poemas. Principalmente na sua única obra publicada até aqui, Poemas e Orações, publicação do próprio autor. Mesmo longe da nossa terra, nos Estados Unidos, por exemplo, é de Mutum que ela lembra. Da Matriz São Manoel, da praça principal e da pracinha em frente à casa de seus pais. Recorda, por exemplo, quando a igreja de São Sebastião era perto da pracinha (Praça Raul Soares, onde funciona a feirinha). Expressa, em seus versos, os sentimentos nas várias etapas da vida.


JOSÉ RONALDO SIQUEIRA

25.07.2017

Nossa série se completa com José Ronaldo Siqueira, que mesmo não sendo mutuense da gema, acabou sendo da clara. Segundo ele, despertou para a escrita quando aqui já morava. Um prelúdio das suas escritas foi quando no fundamental, uma redação sua foi lida várias vezes. Mas foi o
texto que escreveu perante uma discussão entre dois ex-colegas de faculdade, já morando aqui na terrinha da Guaxima, a centelha para enveredar-se na escrita criativa. O texto veio a ser publicado no jornal de literatura da sua faculdade. A partir daí escrever para ele virou cachaça.
Seu modus operandi é escrever com mais intensidade quando viaja. Há também a inspiração dentro de sala, enquanto seus alunos estão fazendo as tarefas.
Dos escritores brasileiros ele cita João Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Ele gosta dos textos que trazem fluxo de consciência quando o narrador vai e volta no tempo. Cita suas referências na literatura universal como James Joyce, Virgínia Woolf, William Faulkner entre outros. 
Como professor de Língua portuguesa, inglesa e espanhola e de literatura, José Ronaldo é fascinado pelo modo de expressar das pessoas. Ele percebeu que mesmo dentro do mesmo município, como Mutum, ele captou diversidade entre o linguajar do Himalaia para o linguajar de Roseiral, por exemplo. Esse modo diversificado de se expressar está presente em sua literatura.
Participa ativamente de concursos. Aconselha aos que querem divulgar seus textos, que também participe. Cita com exemplo o blog Concursos literários. Para ser escritor é preciso ser um bom leitor. Escreva, uma hora vai ser publicado se assim Deus quiser.
Com diversas participações em antologias, ele também destaca eu livro de contos O Prisioneiro e de microcontos, Historinha É O Escambau, fruto da sua bem sucedida participação no Prêmio Microcontos Escambau.

Nota: Em literatura, fluxo de consciência é uma técnica literária, usada primeiramente por Édouard Dujardin em 1888, em que se procura transcrever o complexo processo de pensamento de um personagem, com o raciocínio lógico entremeado com impressões pessoais momentâneas e exibindo os processos de associação de ideias.


Mais sobre José Ronaldo Siqueira 
no blog Mutum Cultural:






AS CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essa série de entrevista não seria possível sem a comunicação objetiva do apresentador do Giro do Mutum. Nessa última postagem de uma série de três, é dele as considerações finais:
 
Marcos Adriano entrevistando nossos
convidade
No decorrer desses sete dias de entrevistas, eu e os ouvintes do Giro do Mutum, tivemos o privilégio de conhecer um pouco da vida e obra de alguns dos muitos escritores mutuenses e com eles adentrarmos ao mundo da literatura. Mundo esse tão desconhecido por nós brasileiros.

É um fato incontestável que não só em Mutum, mas que em todo nosso país há um resumido número de escritores que conseguem publicar seus escritos, e um número ainda menor de mecenas, amantes e financiadores da arte em geral, que apoiam os nossos escritores que, a ser desprovidos de tal apoio, permanecem na sombra do anonimato.

Para esses que “jazem” no anonimato, digo que perseverem e continuem a confessar suas inspirações para o mais fiel confidente que é o papel, e quem sabe, talvez em um futuro próximo ou distante, esse confidente fiel lhe traía a confiança e traga a tona suas mais profundas confissões.

Já para aqueles que têm suas obras publicadas, não digo sequer uma palavra diferente, mas por outro lado imploro a vocês que também perseverem no ofício da escrita, pois é isso que a própria escrita ou a arte em geral faz, persevera, rompe as barreiras do tempo como fizeram as obras homéricas. Perseverem e tornem eternas as impressões do homem nas páginas da História que nem sempre é fiel aos fatos, mas que nem assim deixa de ser nossa história.

Além de eternizar o homem, a arte da escrita também tem o papel de entretê-lo e por que não engajá-lo em uma demanda social contra as tiranias e em favor da liberdade. Liberdade essa que é uma das melhores definições para a escrita, pois essa, na minha sincera e humilde opinião, não deve seguir os padrões ortográficos e muito menos deve ser sistematizada em formatos previamente estabelecidos , cada qual deve escrever sendo fiel à sua identidade que só é conquistada com sua dita liberdade. Não sejamos hipócritas de desprezar verdadeiras pérolas, no bom sentido da palavra, como “a gente somos inútil” ou “seu doutor me dê licença pra minha história contar” ou “eu so fio do nordeste não nego meu naturá”. Versos como esses e muitos outros são confissões fiéis daqueles que as escreveram. Por isso, são a mais pura arte, afinal “pão e pães é questão de opiniães”.

Marcos Adriano se preparando para entrar no ar


Para terminar, agradeço aos que acompanharam as entrevistas e também aos que as cederam, e esses eu me dei ao trabalho de definí-los em poucas, porém descritivas palavras. Muito obrigado ao clássico Olívio Araújo, ao inusitado Francisco Fagundes, ao humilde Cláudio Mendes, ao devorador de rosas Gisélio Alencar, à fiel saudosista Patrícia Soares, à maior mutuense Eni Gomes e por fim ao “maior” escritor de todos esses, meu amigo, José Ronaldo. Obrigado!

Marcos Adriano (Locutor da Rádio Cultura)

NOTA DO BLOG: Contamos que em 2018 possamos novamente fazer essa parceria com a Cultura FM 87,9.



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