quinta-feira, 30 de julho de 2015

CULTURA REGIONAL: FESTA DO QUEIJO

NOTA DO BLOG: A transcrição do post se justifica por três motivos:
1) Gastronomia é arte, arte é cultura. Qualquer elemento da gastronomia quando feito em circunstâncias especiais, é digno de registro em cultura.
2) Vai rolar uma festa. Quando o povo se junta em algo que virou tradição, isso é cultura.
3) É em um município da nossa região, do leste de Minas Gerais, e esse blog busca ter esse alcance.

Então vamos transcrever o post de:PASCOAL ON LINE.
quinta-feira, 30 de julho de 2015
Cidade de Ipanema produz o maior queijo minas do mundo
imageIpanema (MG) - A cidade de Ipanema produz o maior queijo minas do mundo. O município já detém o recorde, com um queijo de 1.770 quilos produzido em 2014. Este ano, foram utilizados 17.500 litros de leite na produção do queijo, que deve atingir a marca de 1.850 quilos.

O produto será pesado e degustado na cidade no próximo sábado (1º). O recorde é quebrado a cada ano desde 2010.

Nesta 6ª edição da Festa do Queijo em Ipanema, também será produzido um doce de leite gigante com mais de 520 quilos. Em 2014, a iguaria, com 507 quilos, foi distribuída em pedaços juntamente com o queijo, durante a festa.

A Festa do Queijo é realizada pela prefeitura de Ipanema e conta com o apoio da Cooperativa Agropecuária de Ipanema (Capil) para a produção do queijo, que vai desfilar pela cidade em carro aberto, antes de ser cortado e distribuído gratuitamente para a população na Praça Coronel Calhau. Para a produção do queijo de 1,85 toneladas serão gastos, além dos 17.500 litros de leite, outros ingredientes, como cloreto de cálcio, coalho, fermento lácteo e 150 quilos de sal.

 Segundo o tecnólogo em laticínios da Capil, Ricardo Santana Paes, a fabricação do queijo vai passar por todos os procedimentos tecnológicos e de higiene adequados. “A produção será em uma queijomate automatizada, de onde seguirá para o processo de enformagem, que devido ao tamanho e dificuldade de movimentação do queijo, é enformado dentro da câmara fria onde permanece entre as temperaturas de cinco à dez graus até o dia do desfile”, explica.

 No sábado, às 15 horas, o queijo e o doce de leite serão auditados por um fiscal, que vai aferir peso e medidas, e verificar se o produto é próprio para o consumo. A apresentação dos dois produtos está marcada para as 16 horas.

ECONOMIA
A economia de Ipanema é voltada para a pecuária leiteira e, nos últimos anos, com o desafio de criar, anualmente, um queijo gigante, que bata o recorde de o maior do mundo, a cidade vem conquistando espaço ainda maior no mercado.

Segundo dados da Capil, principal cooperativa do município, em 2010, quando foi feito o primeiro queijo com peso de 800 quilos, o faturamento da Capil era de R$ 28 milhões anuais. Este ano é possível que supere os R$ 70 milhões. Existem cerca de 1,5 mil produtores de leite na cidade, que ganham da cooperativa de R$ 0,90 a R$1 por litro de leite captado. Somente a Capil recebe, por dia, 100 mil litros de leite.

Com informações do Jornal Diário das Gerais

segunda-feira, 27 de julho de 2015

PENTALOGIA POÉTICA: GISÉLIO JACINTO DE ALENCAR


A nossa série Pentalogia Poética dessa semana traz poemas de Gisélio Jacinto de Alencar, que coincidentemente, é seu aniversário. Confesso que foi coincidência mesmo. Já estava na nossa pauta desde semana passada publicar poemas desse poeta que é mutuense de coração, já que nasceu em Penha do Capim, terras de Aimorés.


Os cinco poemas são transcritos do livro FRAGMENTOS PERDIDOS. Buscamos aqui mostrar diferentes focos que a poesia de Gisélio Jacinto de Alencar nos oferece. A busca pela métrica em Além das Nuvens e da Lua, seu lado filosófico em Filosofando Sobre A Paixão, seu lado religioso em Explicando O Porquê da Fé, um poema classificado por nós como pop em Minha Vida, Veia Sangue e a aproximação de si em Minha Intimidade.



ALÉM DAS NUVENS E DA LUA
(SONETO)

Meus sonhos estão sempre além das nuvens
E pairo sobre estrelas para compor um verso
Conquisto uma e outra e as encontro
Mas elas tímidas são ainda resistentes.

Já me confundi com a nuvem sobre mim
Me absorvi em sua escuridão,
Pois a luz se compõe acima dela e
Pairo, ao ver-me entre as suas correntes.

Ansioso fico na berlinda na espera
Ou procuro a aura do seu manto,
Me guardo para aquela que se insinua

Mas de outra quero sim o que revela
Pois meus sonhos vão além do meu encanto
Além das nuvens, muito além da lua.



FILOSOFANDO SOBRE A PAIXÃO

Para todas as coisas existe uma razão
Mas a razão não existe em todas as coisas,
Pois elas existem nem sempre com motivo
E a pior delas é a paixão.

Paixão não dá razão e nem se explica
Nem motivo tem e nem comenta o porque,
Pois quem se apaixona sem medida
Não mede as consequências e nem vê.

Digo pois que a paixão é inconsequente
E pode acontecer sem nenhuma explicação
Pois a paixão cega a razão da gente

Então paixão não é razão aparente
Razão é amar e ser amado,
Mas amar sem ter medida, isto é paixão.



EXPLICANDO O PORQUÊ DA FÉ

A fé não descerá de seu degraus
Pois ela quer o infinito do alto
E mais ainda...
A fé é a procura mais constante.

Ela nunca acabará ela jamais morrerá.
Onde há vida, a fé ali estará,
Pois é ela a sua mola propulsora
E leva e trás toda a certeza.

Se acerca de todos os seus anseios
E te leva e te instrui.

As suas montanhas mais íngremes
Ela contigo subirá.

Construirá a sua casa, seu sonho,
Mesmo que obstáculos existam.

A fé sempre haverá de existir,
Pois é ela a razão do ser vivente
Que busca o seu ideal e luta e acredita
Como um navio que leva dentro de si
A alma sempre em frente


MINHA VIDA, VEIA SANGUE

Há um carro que desliza em um chão de predra
A procura de um lugar para estacionar
E é assim que parece estar havendo,
Nas canções da minha vida,
Se solto o freio, passa do ponto,
Se freio já passou do lugar.

Mas ainda quero cantar com o motor
Que é como o meu coração,
Que ronca e sofre por passar nesta estrada
Que tem pedra, poeira barro e subida,
Minha vida,
Que empaca no estribilho, ao ar livre
Mas põe o pau para quebrar
Pois aqui é nervo,
É veia e sangue, tem de lutar.


MINHA INTIMIDADE

Gosto de passear dentro de mim
E rever meus conceitos, meus valores,
Para ver de perto a minha intimidade
E sentir as batidas do meu coração.

Pois o meu íntimo é cheio de atalhos.
Há ali muitos caminhos e encruzilhadas.

Vejo neles as nascentes de perseverança
Que formam cachoeiras vislumbrantes,
Descendo com ruídos quais chocalhos.

Treme o peito quanto bato contra mim
Para buscar nele uma solução.

Encontro muito mais que eu procurava
Nas coisas que em mim guardadas
Resolvem minha questão
Embora um pouco demoradas.

sábado, 25 de julho de 2015

AMY WINEHOUSE E A ETÍLICA JUVENTUDE MUTUENSE


Todo mundo sabe resumidamente da história de Amy Winehouse, aquela cantora de soul, jazz e R&B (Rhythm & Blues) com uma voz linda e algumas músicas de sucesso como Back In Black e Rehab, só para citar duas do ano de 2006.


No entanto, todos nós acompanhamos mais seu fenecer que seu florescer. Era uma artista que a cada ano descia de patamar em termos de saúde ao passo que, inversamente, subia na degradação tanto física como moral.

Era uma tragédia anunciada que se consumou em 23 de julho de 2011, entrando para o famoso e terrível clube dos 27, cantores que morreram aos 27 anos como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison e Kurt Cobain, mais recentemente.

Mas a pergunta que podemos fazer é a seguinte: o que tem haver Amy Winehouse com Mutum, e em especial, com a cultura juvenil mutuense?

Algo haver. Poucos devem curtir Amy Winehouse em Mutum. Suas canções chegaram por aqui mediante seu definhamento. Mas a juventude mutuense, e isso me preocupa, anda meio Amy Winehouse. Lembro muito de um quadro do programa Pânico em que o personagem aparecia em qualquer situação com um copo na mão e ébrio.


Vejo muito nossa juventude com copo, latinha na mão, publicamente e em algumas frestas da cidade, algo a mais que latinha ou copo. Um canudinho, algo bem básico, ou um cachimbo “da paz”.

Então, na semana que lembramos a morte dessa mulher que poderia ser um ícone da cultura que se transformou em ícone da degradação humana. Coincidentemente, ontem li uma um artigo revelando um estudo que aponta que o consumo de álcool no mulheres.
Aí aquela famosa frase: Antes elas queriam cozinhar como a mãe, hoje elas querem beber como o pai.

Sem entrar nas questões de gênero, e minha bandeira é pela igualdade, não é pelo consumo de álcool que as mulheres deveriam se igualar aos homens.

Outro fato estarrecedor é que sete países da região não restringiram a venda de álcool aos menores de 18 anos e que quase 70% das nações não tem a propaganda de bebidas alcoólicas regulamentada.

Gostaria de ver uma juventude se pautando por sonhos e por busca desses sonhos se organizando em grêmios estudantis, coletivo de estudos, reflexão e ações e se manifestando através da arte.




 Quando vejo um jovem ou uma jovem levando um copo de bebida alcoólica até à boca, não sei quem está consumindo quem. Se é o jovem que está consumindo o álcool, ou se é o álcool que está consumindo o jovem.

Além de saber que o álcool é uma espécie de rufião das outras drogas, é a droga que prepara o terreno, tem duas perguntas a serem respondidas: Primeiro, a quem interessa o uso de álcool na sociedade, sobretudo, dos jovens? Como anda o fortalecimento de entidades como o Conselho Tutelar?

Enquanto a gente não reflete essas indagações, desce mais uma dose aí e daqui a pouco vamos ouvir um número considerável de jovens cantar:

They tried to make me go to rehab
But I said "no, no, no"
Yes, I've been black, but when I come back
You'll know-know-know
I ain't got the time
And if my daddy thinks I'm fine
He's tried to make me go to rehab
But I won't go, go, go.

Ou seja:

Tentaram me mandar pra reabilitação
Eu disse "não, não, não"
É, eu estive meio caída, mas quando eu voltar
Vocês vão saber, saber, saber
Eu não tenho tempo
E mesmo meu pai pensando que eu estou bem
Ele tentou me mandar pra reabilitação
Mas eu não vou, vou, vou


Que em Mutum possa surgir várias Amy Winehouse na música ou em outras atividades culturais, e se possível nenhuma Amy Winehouse que faça parte do clube dos 27, ou menos ainda.

Link para o estudo sobre aumento do consumo de álcool na América:





segunda-feira, 20 de julho de 2015

DA SÉRIE PENTALOGIA POETICA: QUEIJO, GOIABADA E POESIA

NOTA DO BLOG: O blog MUTUM CULTURAL, na sua singela pretensão de pouco a pouco vir a ser a revista cultural eletrônica do nosso município buscará semanalmente publicar esta série intitulada PENTALOGIA POÉTICA, cinco poemas, ora de um único autor, ora de alguma antologia, como essa que reinauguramos.

Os poemas a seguir são transcrito do grupo no facebook QUEIJO GOIABADA E POESIA que é uma bela iniciativa de Wagner Fonseca.

Não deixe de visitar periodicamente essa bela página que tem se firmado como um espaço para quem gosta de se expressar com poemas.


CRISTINA NUNES

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho
Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz
E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...
Vinicius de Moraes
 


ITAJACI CORRÊA  

Venha
Sem pressa,
sem medo e sem
desculpas.
Eu sou a tua menina,
quem gosta, de brincar
de maré, na rua.
que é toda tua.
Não demore.
Estou a tua espera.
Venha antes
do entardecer
para vermos a lua
nascer e fazermos
serenata, até o
amanhecer!
 
 

WAGNER FONSECA       

 
CRISTALIZADO OLHAR

Cristalizado olhar
Queiras tu minha presença no além
Assim como desejo a tua no meu dia
Rasga-me o peito
Nostalgia acirrada
Noite fria abalada
Meu tormento infindável
Se já não tens pétalas
Repousar-te em escuro breu,
Brancas és no pensamento,
Um momento de tormento
Segue a razão pelo coração
Pois a mente não socorre
O suplicio da minha carne
E envolto em agrura
Desfaleço em querer-te
E no triste olhar
No horizonte não a vejo.
Sua presença meu desejo.
 
 

CELSO FERRUDA


OS POETAS SÃO PROFETAS

O poeta é um profeta.
suas sábias palavras, como o profeta, toca multidões.
O bom poeta tem na poesia amor,
assim como o profeta, a lei do senhor.
-sentimento nobre da salvação:
-"amai-vos uns aos outros, como eu vos amei..."
Poeta è um profeta dos novos tempos,
que ama e profetiza o eterno amor.
O grande profeta anunciava o salvador.
O poeta em seus passos, o grande seguidor...
-(prega a luz que ainda brilha de seu senhor.)
-"Não tomai seu santo nome em vão!"
O profeta tinha a lança da justiça e da humildade em seu cajado.
O poeta tem na humildade a justiça a seguir do que vem do passado.
"Honrai!" -sua mãe e seu pai, são mestres da vida.
Poetas são profetas...
Sua grandeza é o espelho para a nova luz.
Divinas são suas palavras. (Lhes conforta.)
Traduz o grande caminho ao verbo:
-eis o grande homem entre nós!...
- outro profeta, um poeta. Só fala de amor...
-hoje sua carne já está morta.
Mas vivo entre nós porém.
"vem e segue - me!"
- "Eu sou teu senhor!"
-"quem me segue, não andará nas trevas!"
 

VALDIR LOPES

UM AMOR

Um amor,
Um silêncio,
Uma palavra
Falada ao seu tempo,
Uma poesia escrita
Em um coração que escuta,
Uma voz suave que não cansa.
As lagrimas que rolam
No rosto da mulher amada,
O sorriso brilhante
E o grito,
A esperança,
A saudade que doe,
A dor que não passa,
A falta que faz
Um amor sincero,
Que ao seu tempo constrói
E jamais acaba;
Pra sempre será,
Um amor de verdade.


sexta-feira, 17 de julho de 2015

CULTURAL REGIONAL: 13º SALÃO INTERNACIONAL DE HUMOR DE CARATINGA

Sobre o Salão Internacional de Humor de Caratinga, um evento importante de humor de nossa região, reproduzo o artigo de Edra, postado ontem em:

Hoje é a Abertura do 13º Salão Internacional de Humor de Caratinga em Homenagem a Ruy Castro


Ruy Castro, jornalista e escritor brasileiro. Mais um caratinguense ilustre a ser homenageado pelo Salão de Humor de Caratinga





Edição terá como tema único caricaturas do jornalista e escritor brasileiro Ruy Castro

Inserido na programação do Festival de Inverno, o Salão Internacional de Humor regressa a Caratinga.

A 13ª edição do Salão será realizada de hoje a 31 de julho na Casa Ziraldo de Cultura, com entrada franca.

Depois de homenagear outros caratinguenses ilustres como Ziraldo, Agnaldo Timóteo e Míriam Leitão, o Salão terá como tema único caricaturas do jornalista e escritor brasileiro Ruy Castro. Como premiação serão distribuídos para os três primeiros colocados uma mesa digitalizadora.

Haverá também uma mostra paralela "Je Suis Charlie, Uai" reunindo trabalhos de 25 artistas mineiros em homenagem aos profissionais cruelmente assassinados no atentado ao jornal francês Charlie Hebdo.

O primeiro salão de humor foi realizado em 1998, no 150º aniversário de Caratinga. “Pela organização e credibilidade adquirida ao longo de doze edições realizadas, o Salão Internacional de Humor de Caratinga é o principal do nosso estado e está entre os cinco maiores do Brasil”, ressalta Edra.

“Para que o evento fosse uma homenagem perene ao cartunista Ziraldo, instituí o Troféu ‘Pererê’, o que ajudou ainda mais a projetar o nome da nossa cidade, por meio de sua criatividade e pelo talento dos seus traços”, diz Edra.

Estes são os artistas que estarão participando da mostra competitiva:

- Alan Souto Maior Alves – Rio de Janeiro / RJ

- Anderson de Oliveira Delfino – Sorocaba / SP

- André Luis Mello Camargo – Porto União / SC

- Antônio Santos – Amarantes / Portugal

- Antônio Máximo de Medeiros da Rocha / Rio de Janeiro / RJ

- Ariel Silva – São Carlos / SP

- Eder Santos (2) – São Paulo / SP

- Eliabe Davia Alves – Natal / RN

- Elihu Ribeiro Duayer Filho – Rio de Janeiro / RJ

- Ednio Ferreira Júnior – Franca / SP

- Fabrício dos Santos Brito – Rio de Janeiro / RJ

- Flávio Roberto Cordeiro Miranda – São Paulo / SP

- Gervásio Pires de Castro Neto – Rio de Janeiro / RJ

- José Luiz de Souza Silva – Cabo Frio / RJ

- João Bento de Souza – Belém / PA

- José Augusto de Oliveira Camargo – São Paulo / SP

- Josemar Oliveira Melo – São Paulo / SP

- Paulo José Barbosa Pinto – Gandra / Portugal

- Max Eduardo Portella Ziemer – Rio Grande / RS

- Milton de Faria – Rio de Janeiro / RJ

- Moisés Macedo Coutinho – Mogi Guaçu / SP

- Raimundo Waldez C. Duarte – Belém / PA

- Sérgio Luiz Roda – São Carlos / SP

- Ulisses José de Araújo – Paraíba do Sul / RJ

- Walter Alvarez Toscano – Peru





O QUE SE EXPÕE EM UMA EXPOMUTUM

DA SÉRIE: RELATOS DESCOMPROMISSADOS
FOTO: LÉO GOMES


    A exposição, a priori, é para expor produtos da agricultura e da pecuária.
    Mas mandioca de dois metros ou aquelas vacas que dão oitenta litros de leite por ordenha, é o que menos se vê.
Diria os maldosos que o que se expõe são outras mandiocas e outras tetas.
    Tirando a maldade de lado, o que se expõe é muito mais que produtos da agricultura e da pecuária.
Tem um parquinho que é um tormento para os pais. No começo fica a ala das crianças menores, a turma da educação infantil: os famosos carrosseis com seus cavalinhos fazendo trezentos e sessenta graus, que de um tempo prá cá tem carrinho também. Vai que alguma criança não se encanta com cavalos, não faça questão de uma montaria. Tem mais cavalo no carrossel que nas baias.
    Mas o cavalinho do carrossel ainda pode chamar a atenção. Minha geração chamada de coca-cola, geração rock n'roll, se espanta como a vida é cíclica. Como a adolescência e juventude de hoje gosta de uma cavalgada. A empolgação é a mesma que tinhamos diante da possibilidade de um festival de rock. Mas o roqueiro ficou estigmatizado em propagandas dos postos Ipiranga. Somos rebeldes que só dizem sim.
    Em uma coisa a cavalgada até se parece com um festival de rock, ops, era para falar da exposição.
    Voltando ao parquinho de diversões e de gastança dos pais, mais para o meio vem os brinquedos da turma dos anos iniciais do ensino fundamental. O bate-bate é o preferido. É quando os nossos rebentos querem nos imitar a dirigir. Mas batem conforme o nome do brinquedo sugere.
    No fundo fica a diversão para a turma do Ensino fundamental nos anos finais e a turma do ensino médio. É o samba. Fica no fundinho. Sabe se lá porquê.
    Bem, a turma universitária até revisita o parquinho. Mas as barraquinhas de drinques não estão ali.
Exposição também é tempo de transpor antes de se expor. Muitos querem beber muito para se transpor da realidade rotineira para a realidade etílica. Uma espécie de mundo virtual onde na bebedeira tudo posso.
    Expõe-se a beleza juvenil. Quanto é prazeroso desfilar pelo parque de exposição ao lado de alguém bonito ou bonita. Ser pegador ou pegadora no momento de pico, é estar ao lado de alguém que satisfaz os padrões de beleza impostos pela sociedade, e esses padrões são cada vez mais exigentes. Aqui vale ressaltar que se vê em todos os cantos os grupos daqueles que não se encaixam nos padrões fazendo uma espécie de pré-aquecimento para uma possível pegança mais tarde. A boate fica no canto, mas o seu som estridente a certas horas toma de assalto todo o parque de exposição.
    Na exposição agropecuária também se expõe roupas. Cada qual quer está elegante. As meninas adeptas dos trajes mínimos encaram o frio numa boa como que num prenúncio do aquecimento global.
Tem também a exposição da vida familiar entre colegas de trabalho. Sobretudo daquele novo colega que aparece na exposição ao lado do cônjuge, puxando pela mão seus filhos, os pequenos apenas. Aí dá pra ter ciência da família dos colegas de lida.
    Tem exposição de artistas. São em exposições do interior que artistas regionais, em dias de semana, acabam biliscando uma chance de se apresentar em uma estrutura melhor.
    Diria alguns que também tem a exposição de caras de pau. Isso se dá sobretudo na abertura com a presença dos políticos, sobretudo dos que fazem uso da fala.
    Bem, se a gente abrisse uma enquete com a hashtag, o que tem na exposição, daria uma lista enorme.
O que eu sei é que na exposição se expõe muito mais que mandioca e úberes bovinos.


Cláudio Antonio Mendes