domingo, 10 de setembro de 2017

UM MUTUENSE CHEIO DE HISTÓRIAS

NOTA DO BLOG: Procurando por história de pessoas da nossa terra na internet deparamos com a história de José Luiz Dias, um mutuense que foi entrevistado pelo site Museu da Pessoa (Um Mineiro Cheio de Histórias) que relata sua vida em Mutum, precisamente no Córrego Seco.

Outro testemunho importante é sobre seu pai durante a Revolução Constitucionalista de 1932, quando Mutum ficou sem policiamento. Veja o vídeo abaixo:



Agora leia a postagem no site Museu da Pessoa a partir da entrevista fica com nosso conterrâneo em terras bandeirantes. Reproduzimos na íntegra:

Um mineiro cheio de histórias
História de: José Luiz Dias
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/05/2014

SINOPSE
Em seu depoimento, José Dias lembra sua infância na região de Córrego Seco, município de Mutum, Minas Gerais. Fala da casa de infância, das brincadeiras e de como o pai se tornou uma figura respeitada na região. Recorda os acontecimentos que levaram o pai a se matar ingerindo formicida.  Conta como casou aos 25 anos e constituiu família em Mutum, decidindo migrar para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Em São Paulo, trabalhou em várias empresas e criou sua família de 9 filhos. Finaliza falando sobre a sua cegueira, originada por um glaucoma não curado.

HISTÓRIA COMPLETA
Meu nome é José Luiz Dias, eu nasci dia 5 de junho de 1935, mas os funcionários públicos errarem. Quando eu fui pegar a minha aposentadoria por idade é que achamos aquela diferença. No documento está 5 de julho de 1935, mas o nascimento mesmo é 5 de junho. Eu nasci lá no Córrego Seco, no Distrito de Centenário, município de Mutum, MG. Fica lá na zona de Governador Valadares, já divisando com o Espírito Santo, à esquerda, na Estrada Vitória-Minas. Meus pais são de Santa Isabel do Rio Preto, estado do Rio. O nome do meu pai era Manuel Luiz Dias e minha mãe, Maria Neves Dias. Esse pessoal veio da zona norte do estado do Rio pra nossa zona lá. Quando eles começaram era tudo mata. O meu pai e mais outros abriram lá as matas e formaram suas lavouras. Ele trabalhou pra um fazendeiro de tropeiro. Antigamente, de onde a gente estava até o Aimorés, onde tem a estrada Vitória-Minas dá mais ou menos uns 70, 80 quilômetros. Se precisasse comprar sal, querosene, arame de cerca, tinha que ir buscar no carro de boi ou nas costas de burro. Então, dez burros era uma tropa, encangava aqui, punha a saca e descia, ia lá embaixo buscar, depois trazia. Meus pais se conheceram nas rezinhas da roça lá, católico conhece seus namorados lá na igreja, na reza. Porque rezava mês de Maria, a novena de Santa Luzia, São Sebastião, São José.
Minha casa era de interior, eram dez metros por 20 ou 25 assim. Aí subia o centro da casa, eles punham aqueles pau-a-pique que era cumeeira que falava. Era a casa que meu pai fez pra gente morar. Eu tenho oito irmãos, comigo nove que escapou, antes desses nove acho que morreu três filhos da minha mãe e do meu pai. Meu pai era baixinho, pequeninho, brabinho. A minha mãe também, calculo mais ou menos, acho que ela era da mesma altura do meu pai, um pouquinho mais alta. Mas nenhum deles era gordão. Como meu pai nasceu na roça, mexendo com burro, ele era pequeno, mas era forte, virou atleta. Depois que ele namorou e casou com a minha mãe foi lá pra esses cantos lá da roça, comprou esse pedaço de terra, derrubou mato, plantou café, fez casa. Ele chegou a fazer acho que seis casas de colônia. Esses cafés nossos, nessa época, quando começava lá, colhia ele, limpava e ia levar lá no Aimorés. Aí, depois mudou, melhorou, surgiram alguns proprietários, caras mais ricos, começou a aparecer o caminhão. Aí já vinha pro lado de Ipanema, Manhuaçu, lá tinha estrada de ferro que pegava e ia pro Rio.
Esse pedaço de terra, lugar que era isso aí, dava 12 alqueires e meio de terra. Embaixo, tinha umas várzeas, depois subia um morro assim, aquela pradaria, depois dava uma descida, aí outra planicezinha, ali ele fez a nossa casa. O papai ficou um homem de destaque, ele ficou conhecido. Como ele era tropeiro, estava sempre indo de fazenda em fazenda buscando café, levando cereais pra eles. Na Revolução de 32, o Governo de São Paulo pediu ao Governo de Minas pra ajudar e o Governo de Minas, então, juntou todos os soldados que ele tinha na capital. Aí as cidadezinhas do interior ficaram tudo sem autoridade, sem soldado, sem nada. Como papai era conhecido na cidade e as autoridades sabiam que ele era uma pessoa de destaque, de representação, chamaram ele lá e disseram: “Olha, seu Manuel, o senhor vai ser o bate pau daquela região ali. Se precisar prender alguém você vai prender e traz pra cá. Você vai ser uma autoridade ali”. Aí, terminou a revolução, ele foi tocando a vida, mas o nome dele ficou lá na delegacia. E quando terminou a revolução e normalizou tudo, cada um tomou seus postos. E nessas alturas o papai ficou conhecido. Mas a nossa casinha lá na roça, no Córrego Seco, ficou alembrada pra esses policiais.
Nessa época, dessa nossa casa até a cidade devia dar uns 70 quilômetros, mais ou menos. Morria gente cá, punha num banguê lá, não era nem nesse caixão que faz assim, levado na mão. Não tinha condição nem nada, levado na mão lá pra cidade. Então, houve a necessidade de fazer um cemitério lá. O papai e os outros amigos dele fizeram uma igrejinha lá. Papai pegou o cemitério de empreitada da prefeitura pra fazer. Mandou derrubar uma sapucaia lá, rachou e trouxe. Deve estar até hoje lá. E o papai fez o cemitério. Estava pronto o cemitério, morreu uma velha lá na cabeceira de Santa Elisa. Então, os homens logo: “Vem cá, morreu” “Traz pra cá”. Mas não tinha oficializado o cemitério, papai tinha terminado, mas as autoridades da prefeitura não vieram pra oficiar o cemitério, né? Então todo mundo ficou de acordo com papai, aí conversou lá com meu tio: “Não, não tem problema. Nós vamos enterrar aí e amanhã nós vamos dar baixa lá”. Assim ficou, fez o enterro. A primeira pessoa que foi enterrada lá foi uma senhora de idade, a mãe do Chico Espanhola, dona Antonieta, outra família lá.
Daí uns tempos a vida seguiu, o papai comprou outra propriedade lá no município de Pocrane, vindo pro lado de Aimorés e de Assaraí. Então, ele pôs uma outra fazendinha lá. Era uma fazenda que tinha máquina de limpar café, máquina de limpar arroz, rodas d’água, tinha também a eletricidade pra iluminar a fazenda. Meu lazer era ajudar meu pai. Eu tinha lá meus aninhos de escola, a gente descascava milho, debulhava e levava pra moer no moinho. Prendia bezerro, tirava leite, prendia os porcos, tratava dos porcos e terminava a obrigaçãozinha e ia pra escola. E chegava na escola a gente ia, a meninada ia bem antes de começar a escola pra jogar bola na frente da escola. A escola era na fazendinha de um fazendeirinho lá, até na frente assim da escola era cheio de esterco, bosta de boi, esse negócio. As primeiras bolas que a gente brincava eram bolas feitas de meia. Botava meia e enchia de pano velho. As mamães sempre costuravam aquela bolinha. Era o meu lazer aquilo.
O meu pai fez uma tragédia, ele se suicidou, ele tomou formicida Tatu. E ele está enterrado lá em Assaraí, no município de Pocrane. O meu sonho, se eu pudesse, ir lá conversar com os prefeitos de lá, fazer uma sepultura pro meu pai lá no cemitério que ele fez. Aquele túmulo que nós fizemos pra ele lá em Assaraí, está lá a foto dele, tirar os restos mortais dele e trazer pro Córrego Seco, pro cemitério que ele fez. Esse é um dos meus sonhos. Quando ele se matou eu tinha 18 anos, foi em 1952. O meu pai gostava de beber. O meu irmão montou um negócio de jogo, toda vida foi viciado em jogo. Então, tinha um joguinho num canto lá no quarto, ficou meu irmão lá jogando com uns caras. E tinha um cara lá que era soldado foragido, o cara fugiu da polícia. Naquela região ele batia em todo mundo, ele dominava todo mundo. E o meu irmão encrencou com esse cara e brigaram. Meu irmão saiu de casa, tirando a garrucha, saindo pra fora e o outro vinha com uma faca e um chicote na mão, um barbeiro foi tentar segurar o cara. Todo mundo escutou um tiro e caíram dois homens mortos no chão. Papai chamou o advogado, escondeu ele. Faltavam três meses pro júri, papai apresentou ele lá, prendeu, ficou três meses preso, entrou no júri e saiu livre, livre. Aí esse meu irmão ficou bravo, ficou valente, criava problema com todo mundo e o papai acudindo daqui, acudindo dali, e ele não foi morto porque papai era uma pessoa de nome, de respeito, consideração, as pessoas toleravam. Então um cara noivou com a minha irmã. E como esse meu irmão era um cara valentão, encrencou com o noivo da minha irmã. Esse rapaz chamou a minha irmã e terminou o noivado com ela. Quando o papai ficou sabendo já tinha acabado o casamento, aquilo foi uma tragédia na cabeça do meu pai, porque ele gostava muito desse rapaz. Quando acabou o casamento, passou poucos meses, aí ele só bebia, só bebia, saía, bebia. E aconteceu dele suicidar.
Eu casei em 1960, com 25 anos. A minha esposa é muito simples. Aquelas meninas antigas, aquele respeito dos pais, da mãe. Casei com ela por amor, por paixão. Eu vivi 53 anos, vivi apaixonado por ela. Fui honesto com ela. Eu tive muita namorada. Mas namorar de longe, fazendo frete. Eu abracei minha mulher na semana que nós fomos casar. Porque eu dei um abraço e tinha uma porção de menina perto, tudo vigiando. Quando eu casei eu tinha uma venda na casa. A gente era colega de escola, eu comprei uma vendinha que era na propriedade do meu sogro. Eu casei lá no Córrego Seco, fiquei dono daquela vendinha. Depois nós fizemos inventário lá, separou, comprei um outro pedaço de terra. E daquela terra peguei, vendi e fui pra dentro da cidade de Mutum. Lá eu pus venda e tal, depois comprei caminhão, uma vidona. Na verdade, antes de eu vir pra São Paulo eu queria ir pro Paraná. Eu já estava casado, estava no Mutum, tinha um caminhão, trabalhava. A minha esposa estava grávida do primeiro filho nosso que chama José Luiz Dias Filho. Ela foi na casa de outro irmão em uma outra propriedade pra baixo, foi de charrete. Ela estava barrigudona, foi junto com ela uma prima dela que era casada com meu irmão. Antes de chegar lá os arreios desarrumaram, foi em cima da égua, o animal que puxava a charrete e ela disparou morro abaixo, uma descida assim. O meu irmão e a minha cunhada pularam fora da charrete. A minha mulher, barriguda, agarrou o pé no estribo da charrete e foi arrastada. Eu estava na venda, peguei um jipe e levei pra Mutum. Mutum não tinha médico. Aí levamos pra Aimorés. Aí, deixaram ela internada lá na Santa Casa e eu voltei pra Mutum. Quando nasceu, fui lá buscar, fui pagar. Aí, fui lá paguei as despesas todas, pus ela no ônibus e viemos pra nossa casa. Esse é o primeiro filho, José Luiz Dias. Eu tive nove filhos. Lá no Mutum nasceu esse, José, e quando eu vim pra São Paulo nós trouxemos um menino com um ano e seis meses, chamado Geraldo, e ela trouxe na barriga a Marisa, a outra filha mais velha. Nós viemos em 1965. Quando eu estava no Mutum, o caminhão fazendo carreto e tudo, eu peguei uma mudança de uns caras lá pra levar pra Campo Mourão, no Paraná. E os outros companheiros, amigos da onça: “Ah, não vai com esse caminhão, esse caminhão vai quebrar com isso, vai encravar esse povão tudo aí, não faz isso, não”. Vendi o caminhão e passei a mudança pra outros caras fazerem. Então eu fiquei mais uns seis meses, lá no Mutum e de lá que eu vim pra São Paulo. Vim morar em Diadema. Eu estava no bairro do Jardim Portinari. Vieram uns primos meus que começaram a trabalhar na Padaria Santa Teresa, na Praça da Liberdade. Eles moravam lá na Piraporinha, então por intermédio desse primo meu que eu vim pra Diadema. Quando eu vim pra Piraporinha já tinha outros conterrâneos por ali. De um outro conterrâneo meu eu comprei esse terreno no Portinari, com casa e tudo. Uma luta aí.
Eu comprei uma barraquinha de fruta em frente a Forjaria São Bernardo e trabalhei uns quatro, cinco meses ali. E de lá de São Bernardo nós vínhamos fazer compra aqui no mercado. Tinha um bar perto, o cara tinha uma barraca de frutas e eu comprei do cara a barraca pra ir trabalhar. Aí achei que aquilo não era futuro, fiz conhecimento com o pessoal da firma lá. Trabalhei na Forjaria São Bernardo até eu ser demitido no dia 1º de abril de 70. Eu trabalhei quatro anos lá. A firma foi vendida. Desse trabalho, eu saí, fui trabalhar na Mercedes-Benz, trabalhando na profissão que eu aprendi na Forjaria, operador de Máquina. Quando eu trabalhava na Mercedes Benz, veio esse meu irmão, eles quebraram lá e vieram pra São Paulo. Ele comprou um terreno de um pernambucano lá em Diadema e deu uma parte em dinheiro e ficou devendo. Depois ele não arrumava o dinheiro, voltou lá em Minas e não teve um parente que emprestasse dinheiro. Ele fica me atentando, me xingando, vou cobrir ele na peixeira. Aí pedi ao chefe da forjaria da Mercedes Benz me mandar embora. Peguei o dinheiro, emprestei lá pra ele.  Logo em seguida eu já entrei na Volks. Trabalhei sete meses lá e pedi a conta. Fui trabalhar por conta, quebrei a cara. Deu tudo errado. Minha intenção era comprar uma máquina de raspar taco. É o que estava na moda naquela época, a gente raspava o taco, punha cascolac, sinteco, ficava o piso bonito. Aí comprei a máquina pra raspar, quando eu entrei no negócio, não explorei, nem nada, tinha raspador de taco pra tudo quanto é lado. Você dava um preço, o outro ia lá e dava o outro e dava o outro. A pessoa que trabalhasse mais barato fazia alguma coisa. Eu me ferrei. Aí passou, passou o tempo, parei de raspar taco e fui trabalhar de pedreiro. Fui trabalhar de pedreiro. Trabalhei de pedreiro e não progredi.
Sobre a minha vista a história é a seguinte. Comecei a tratar lá na Fundação ABC. Aí surgiu a propaganda das Clínicas: Mutirão da Catarata. Parei lá e vim pras Clínicas. Entrei aí, era uns dois mil velhos na portaria das Clínicas. Mas eles não fizeram o mutirão da catarata, não era pra curar ninguém, não. É pra levar bastante velho pra servir de cobaia praqueles médicos estudar. E eu fui um desses azarados que ele não me curou, me deixou jogado lá pro estudante e não passou médico especialista pra olhar minha vista e deixou o glaucoma acabar com a minha vista.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

UM POEMA PARA MUTUM

FOTO: MUTUM ON-LINE


MUTUM

Minha terra tem palmeiras
Onde cantam canários da terra
Onde a praça é doce
E a fonte traz lembranças

Minha terra é tão bela
Que todo o dia penso nela
Alegria de chegada
Tristeza de partida

Onde ausentes se tornam presentes
No meio certo do ano
Onde não existe engano
Ao declarar meu amor

Cidade invejada por muitos
Pedra fincada eterna
Onde fiz minha morada
Mesmo que no coração

Poesia em forma de praça
Saudade em forma de pedra
Felicidade em forma de ruas
Amor em forma de ave

Mutum, doce lembrança.


Wagner Fonseca

terça-feira, 8 de agosto de 2017

OS INDRISOS DE ANA HUBNER

Ana Hubner, uma poetisa a ser conhecida, estreia em nossa Pentalogia Poética nos presenteando com seus belos indrisos, esse novo estilo poético que tem cada vez mais chamado atenção de quem, condenado e aprisionado a ser instrumento da poesia, expressa a liberdade em versos.


Vagando pela seara dos sentimentos humanos, como tédio e anseio, Ana Hubner, mais que escuta, ausculta o silêncio e traduz em belos poemas o que esse incômodo e edificante companheiro tem a nós dizer.


ILUSÃO

Meus olhos desenham o doce querer
Embriagado pela ilusão
De viver o ato pleno de existir

Em sonho, acaricio o mapa lúdico
Ferindo a alma, a realidade é densa e cruel
Viajo na eternidade do tempo

Num espaço infinito vejo

Uma vã luta e seus ciclos



TÉDIO

No indelével espaço da alma
Todo o mistério do viver
Intensa angústia da existência

Entre a sombra e a luz
Contemplo o mar mudo
Água adormecida

Sou fonte, sou ferida

Anseio e tédio
  

VOCÊ

Você é meu raio de sol
Luz que desperta
Meu coração de pedra

Sem você, meus dias são escuros
Vazios do amor que sonhei
Esperei, espero, esperarei

Teu sorriso, uma prece

Teus olhos, meu farol!


O SILÊNCIO

Ergo o olhar da estrada
Sinto saudades do outono
Deito-me nua ao luar

Minhas mãos cheias de desenhos
Acolhem o silêncio
O vazio do existir

Entre mim e o que penso

Resta apenas a sombra do voo


VEJO

No silêncio calado de nós dois
No lapso indeciso do tempo
Renovo a esperança com olhos gastos

Com pupilas dilatadas vejo
A gota d’água, o papel, o fio de cabelo
A partícula do mundo

Sem refúgio, insisto ver o luar

Sonhando, sou eu só




OUTRAS PENTALOGIAS POÉTICAS





sexta-feira, 4 de agosto de 2017

BANDAS CAPIXABAS: REZA FORTE

FAZ PARTE DA HISTÓRIA CULTURAL DE MUTUM: A banda REZA FORTE foi fundada no final dos anos 70 em Cachoeiro de Itapemirim/ES. Durante décadas o Reza Forte lotou clubes por esse Brasil. Com varias formações, algumas clássicas, o grupo que fazia bailes, gravou LP’s e CD’s com canções próprias ao longo de sua existência. Fica aqui a lembrança do inesquecível Robson, um dos maiores cantores capixabas.

A banda esteve diversas vezes em Mutum, sobretudo no Clube Recreativo Mutuense.







BANDAS CAPIXABAS: REZA FORTE: .

domingo, 30 de julho de 2017

A SINTONIA DO OLHAR FAUNÍSTICO DE JORGE ALVES

Essa pentalogia além de contemplar o poeta espirito-santense de São Mateus, mas residente em Vitória-ES, é também uma consideração ao nosso blog por um dos nossos leitores e parceiros, Juarez Mariano (Juarez da Lojinha) que nos apresentou o trabalho de Jorge Alves.

Durante o tempo que morou em terras capixabas, Juarez Mariano teve contato com vários escritores e pouco a pouco nos revela os trabalhos desses artistas.

Os poemas que reproduzimos são extraídos do livro Sintonia Do Olhar. O primeiro poema é o que dá título à obra e nos descreve o sol, fonte de energia para a vida na Terra. Os outros quatro têm em comum a descrição poética da fauna através das formigas, da preguiça, da relação entre as abelhas e suas classes sociais, uma metáfora das relações humanas. E por último aborda o desconforto do animal na selva de concreto. Boa leitura de cinco poemas em nossa série Pentalogia Poética.

SINTONIA DO OLHAR

Vemos o sol ao longe
nos giros que a terra dá
como um olho no universo
sempre a no acompanhar.
Iluminando nossos dias
e noites faz clarear,
em um flerte discreto
por trás do corpo lunar.
Trazendo o tempo para nós
sintonizados no seu olhar.


FORMIGAS

Formigas amigas, unidas
um exército a caminhar
apenas trabalham
não pensam em guerrear.

Carregam insetos
com a força que tem
e enormes vegetais
elas levam também.

O único objetivo
é alimentos guardar
para no inverno
poderem saborear.


PREGUIÇA

Lá vai ela
do seu jeito devagar
com braçadas preguiçosas
na árvore a escalar.
Sem preocupar-se com o tempo
nem hora de chegar
vendo espatifar no chão
frutas a se despencar.
Lá na ponta bem no alto
irá se refugiar
de predadores terrestres
que vierem lhe caçar.


DESLIZE NA COLMEIA

A rainha percebe
baixa produção
em uma das operárias
e quer saber a razão.
Rápida e discreta
começa a investigação
sendo surpreendida
com tamanha traição.
Descobre que a malandrinha
arranjou uma paixão
e ao invés do trabalho
vai namorar o zangão.
Abafa o acontecido
sem promover discussão
prendendo-os separadamente
matando-os de solidão.


BICHO SOLTO

Que lindo o mundo animal
quando se encontra
em seu habitat natural!
Presos em selva de pedras
leva uma vida infernal
são ditos de estimação
enquanto só têm ração
depois de cada apresentação.
Homens se dizem amigos
usando deturpação
e no curso da natureza

causando diminuição.


REGISTRO DO TRABALHO DE JUAREZ ALVES

OUTRAS PENTALOGIAS POÉTICAS AQUI NO MUTUM CULTURAL






terça-feira, 25 de julho de 2017

A ESCRITA CRIATIVA EM MUTUM - PARTE 3/3

Após a pausa do fim de semana, retornamos com as entrevistas da série Programa Especial Com Escritores Mutuenses dentro do Giro do Mutum, em comemoração ao Dia Nacional do Escritor. Abaixo as síntese das participações de Eni Gomes de Oliveira e José Ronaldo Siqueira, e nas considerações finais, o locutor Marcos Adriano.

ENI GOMES DE OLIVEIRA

24.07.2017

Eni Gomes de Oliveira, ou Tia Eni para muitos, compartilhou suas atividades de escritora e, sobretudo, poetisa, com os ouvintes da Rádio Cultura. Apesar de acreditar que escrever de forma criativa seja um dom, seu despertar para a literatura se deu com o saudoso professor Odilon através das redações na escola. Ainda da época de estudante, seus autores preferidos eram José de Alencar, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles. Mas a obra que realmente lhe encantou foi O Pequeno Príncipe.

Ela expressou sua constante leitura para aumento do vocabulário. E em horas não esperada, o poema vem. E quando isso acontece, é preciso por no papel, senão passa.
Cita também como escritor da sua lista de leitura J.G. de Araújo Jorge, poeta acreano. Prefere os poemas com rimas.
Mutum se faz presente em seus poemas. Principalmente na sua única obra publicada até aqui, Poemas e Orações, publicação do próprio autor. Mesmo longe da nossa terra, nos Estados Unidos, por exemplo, é de Mutum que ela lembra. Da Matriz São Manoel, da praça principal e da pracinha em frente à casa de seus pais. Recorda, por exemplo, quando a igreja de São Sebastião era perto da pracinha (Praça Raul Soares, onde funciona a feirinha). Expressa, em seus versos, os sentimentos nas várias etapas da vida.


JOSÉ RONALDO SIQUEIRA

25.07.2017

Nossa série se completa com José Ronaldo Siqueira, que mesmo não sendo mutuense da gema, acabou sendo da clara. Segundo ele, despertou para a escrita quando aqui já morava. Um prelúdio das suas escritas foi quando no fundamental, uma redação sua foi lida várias vezes. Mas foi o
texto que escreveu perante uma discussão entre dois ex-colegas de faculdade, já morando aqui na terrinha da Guaxima, a centelha para enveredar-se na escrita criativa. O texto veio a ser publicado no jornal de literatura da sua faculdade. A partir daí escrever para ele virou cachaça.
Seu modus operandi é escrever com mais intensidade quando viaja. Há também a inspiração dentro de sala, enquanto seus alunos estão fazendo as tarefas.
Dos escritores brasileiros ele cita João Guimarães Rosa e Clarice Lispector. Ele gosta dos textos que trazem fluxo de consciência quando o narrador vai e volta no tempo. Cita suas referências na literatura universal como James Joyce, Virgínia Woolf, William Faulkner entre outros. 
Como professor de Língua portuguesa, inglesa e espanhola e de literatura, José Ronaldo é fascinado pelo modo de expressar das pessoas. Ele percebeu que mesmo dentro do mesmo município, como Mutum, ele captou diversidade entre o linguajar do Himalaia para o linguajar de Roseiral, por exemplo. Esse modo diversificado de se expressar está presente em sua literatura.
Participa ativamente de concursos. Aconselha aos que querem divulgar seus textos, que também participe. Cita com exemplo o blog Concursos literários. Para ser escritor é preciso ser um bom leitor. Escreva, uma hora vai ser publicado se assim Deus quiser.
Com diversas participações em antologias, ele também destaca eu livro de contos O Prisioneiro e de microcontos, Historinha É O Escambau, fruto da sua bem sucedida participação no Prêmio Microcontos Escambau.

Nota: Em literatura, fluxo de consciência é uma técnica literária, usada primeiramente por Édouard Dujardin em 1888, em que se procura transcrever o complexo processo de pensamento de um personagem, com o raciocínio lógico entremeado com impressões pessoais momentâneas e exibindo os processos de associação de ideias.


Mais sobre José Ronaldo Siqueira 
no blog Mutum Cultural:






AS CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essa série de entrevista não seria possível sem a comunicação objetiva do apresentador do Giro do Mutum. Nessa última postagem de uma série de três, é dele as considerações finais:
 
Marcos Adriano entrevistando nossos
convidade
No decorrer desses sete dias de entrevistas, eu e os ouvintes do Giro do Mutum, tivemos o privilégio de conhecer um pouco da vida e obra de alguns dos muitos escritores mutuenses e com eles adentrarmos ao mundo da literatura. Mundo esse tão desconhecido por nós brasileiros.

É um fato incontestável que não só em Mutum, mas que em todo nosso país há um resumido número de escritores que conseguem publicar seus escritos, e um número ainda menor de mecenas, amantes e financiadores da arte em geral, que apoiam os nossos escritores que, a ser desprovidos de tal apoio, permanecem na sombra do anonimato.

Para esses que “jazem” no anonimato, digo que perseverem e continuem a confessar suas inspirações para o mais fiel confidente que é o papel, e quem sabe, talvez em um futuro próximo ou distante, esse confidente fiel lhe traía a confiança e traga a tona suas mais profundas confissões.

Já para aqueles que têm suas obras publicadas, não digo sequer uma palavra diferente, mas por outro lado imploro a vocês que também perseverem no ofício da escrita, pois é isso que a própria escrita ou a arte em geral faz, persevera, rompe as barreiras do tempo como fizeram as obras homéricas. Perseverem e tornem eternas as impressões do homem nas páginas da História que nem sempre é fiel aos fatos, mas que nem assim deixa de ser nossa história.

Além de eternizar o homem, a arte da escrita também tem o papel de entretê-lo e por que não engajá-lo em uma demanda social contra as tiranias e em favor da liberdade. Liberdade essa que é uma das melhores definições para a escrita, pois essa, na minha sincera e humilde opinião, não deve seguir os padrões ortográficos e muito menos deve ser sistematizada em formatos previamente estabelecidos , cada qual deve escrever sendo fiel à sua identidade que só é conquistada com sua dita liberdade. Não sejamos hipócritas de desprezar verdadeiras pérolas, no bom sentido da palavra, como “a gente somos inútil” ou “seu doutor me dê licença pra minha história contar” ou “eu so fio do nordeste não nego meu naturá”. Versos como esses e muitos outros são confissões fiéis daqueles que as escreveram. Por isso, são a mais pura arte, afinal “pão e pães é questão de opiniães”.

Marcos Adriano se preparando para entrar no ar


Para terminar, agradeço aos que acompanharam as entrevistas e também aos que as cederam, e esses eu me dei ao trabalho de definí-los em poucas, porém descritivas palavras. Muito obrigado ao clássico Olívio Araújo, ao inusitado Francisco Fagundes, ao humilde Cláudio Mendes, ao devorador de rosas Gisélio Alencar, à fiel saudosista Patrícia Soares, à maior mutuense Eni Gomes e por fim ao “maior” escritor de todos esses, meu amigo, José Ronaldo. Obrigado!

Marcos Adriano (Locutor da Rádio Cultura)

NOTA DO BLOG: Contamos que em 2018 possamos novamente fazer essa parceria com a Cultura FM 87,9.



MAIS POSTAGENS SOBRE 

O DIA NACIONAL DO ESCRITOR:




DIA DO ESCRITOR


"Escrever é estar no extremo de si mesmo"
João Cabral de Melo Neto

Ser escritor não é uma tarefa fácil, e não são muitos os que o conseguem. Trabalhar com palavras pode ser uma dádiva nas mãos certas. Há algo mais poderoso que palavras?

As palavras tem o poder de nos mudar, nos fazer chorar e rir. Elas causam ódio e amor ao mesmo tempo. Escritores são criadores de um mundo fantástico, melhor do que o que habitamos. Um mundo chamado Terra da Imaginação.

Sim, imaginação. O escritor pode ser descrito exatamente assim: Uma pessoa que imagina e sente correr nas veias a necessidade de transmitir o que se sabe, o que se cria e o que se sente.

Os escritores são aqueles que proporcionam voos ao céu com os pés no chão, propiciam navegas por todos os mares do mundo, ainda desconhecidos. 25 de julho: Dia do Escritor. Queremos enaltecer toda a criatividade e inteligência daqueles que colocam todos em contato com novas culturas, novas vidas e novos mundos. Agradecer àqueles que contam histórias para dormir, histórias para refletir, histórias que fazem acordar para a vida. Seja fantasia, seja real, não há segredo, um bom livro pode mudar toda uma vida.

A todos vocês, escritores, nossa sincera homenagem!

(Mensagem de abertura da série de entrevista PROGRAMA ESPECIAL COM ESCRITORES MUTUENSES)

Heloísa Alves