sábado, 1 de setembro de 2018

LIBERDADE DE EXPRESSÃO: CENAS DE UM VOO (PARTE I)






Você já ouviu falar do Grupo Teatral Liberdade de Expressão? É um dos grupos de teatro com maior tempo de existência em Mutum.

Essa postagem pretende ser a primeira da série que tem por objetivo contar a história dessa bela iniciativa.

O texto a seguir faz parte da apresentação do grupo para a Secretária de Desenvolvimento Social, com algumas intervenções do blog. Agradecemos aqui a colaboração de José Alves Pinheiro para essa primeira postagem da série.

Teatro de São Sebastião - 2018



História do Grupo: 

Grupo Teatral 
Liberdade de Expressão

         Entre os anos de 1993 a 2000, no município de Mutum MG, neste período a pastoral da juventude, movimento pastoral da igreja católica, mais precisamente, os grupos de jovens existentes na zona rural e urbana da paróquia de São Manoel de Mutum.
         Os Grupos de Jovens Escalada e JESP desenvolviam em suas reuniões, dinâmicas encenações e pequenos teatros, onde os Jovens desenvolviam seus dons e aptidões, descobrindo nas artes cênicas uma nova realidade.
         Três jovens, José Manoel de Oliveira, Adriano de Carvalho e João Batista Alves, participando destes grupos de jovens e atuando nestes teatros juvenis, pegaram gosto pela arte e procurando aprender e desenvolver-se cada vez mais, atuando, dirigindo e escrevendo peças teatrais.
         Agrupando-se com outros jovens também com talento para arte, e com os mesmos ideais, decidiram por bem, no dia 10 de outubro de 2001 a formação de um grupo teatral amador, com o apoio do Pároco Padre Silas de Paula Barros, nesta noite também foi feita a eleição da diretoria do grupo, tendo como objetivo, se apresentar nas comunidades, escolas, festas e etc.
         Pretende-se também emocionar, as pessoas, com dramas, comédias e peças relacionadas a assuntos atuais na sociedade.
         No dia 13 de novembro de 2001, reunimos o Grupo Teatral, para escolhermos um nome para o mesmo, feito à eleição o nome mais votado foi: “Liberdade de Expressão” com o lema “O homem não é nada sem liberdade, liberte-se de suas fraquezas e tenha atitudes”.

INCURSÃO PELA SÉTIMA ARTE

VINGANÇA NA MONTANHA

         No ano de 2002, com roteiro próprio, o grupo teatral Liberdade de Expressão ensaiou e gravou um filme amador, denominado Vingança na Montanha, com poucos recursos, gasto do próprio bolso. Foi filmado na Pedra Invejada, ponto turístico de Mutum, em um único dia foi gravado todo o filme, por uma questão financeira e por falta de tempo mesmo, já que todos os 15 artistas têm seus trabalhos e ocupações.
         Precisamente no dia 03/11/2002 foi feito a filmagem, e depois de duas montagens, na cidade de Lajinha e depois Ipanema, teve seu lançamento nas locadoras do município de Mutum no dia 22/03/2003, grande parte da população assistiu, e entre elogios e criticas, teve o filme de Ação “Vingança na Montanha”, a sua exibição no canal 13, TV Mutum.

 QUARTETO SAPECÃO

         Cinco anos depois em 2008, o grupo Teatral Liberdade de Expressão, também com roteiro próprio, gravou o segundo filme, desta vez com patrocínio de alguns empresários, e com participação de 29 pessoas, entre atores, atrizes e figurantes.
         O filme de comédia, Quarteto Sapecão foi filmado entre os dias 04 de setembro a 12 de outubro de 2008 em 5 dias alternados de gravação.no dia 23/02/2009, o filme teve seu lançamento nas locadoras de Mutum, desta vez teve uma aceitação maior do público, com muitos elogios e poucas criticas. O filme Quarteto Sapecão, foi o mais locado e adquirido pela população em 30 dias consecutivos.


PÁGINA DO GRUPO NO FACEBOOK.

domingo, 29 de julho de 2018

CAFÉ E CANJICADA: NUTRINDO A LITERATURA MUTUENSE


A Secretaria Municipal de Cultura, tendo a frente o secretário César José Pires da Luz (César Tomé) vem promovendo dois eventos importantíssimos para a literatura mutuense.
CAFÉ LITERARIO/MARÇO 2018

Iniciando uma nova temporada em Março, o Café Literário, que ocorre todo terceiro sábado do mês, a partir das 08h00 na Biblioteca Municipal Rui Barbosa, reúne em torno de 20 pessoas para discutir uma obra ou um gênero literário. Já tivemos esse ano em discursão as obras O Prisioneiro (contos) de José Ronaldo Siqueira, Uni Versos (poemas) de Cláudio Antonio Mendes, e História da Minha Vida de João Pinto de Moura, e tivemos um que discutiu sobre crônicas. Foi maravilhoso.
CAFÉ LITERÁRIO/ABRIL 2018

O próximo café literário será 18 de agosto com a obra A Vida Continua, de Ronaldo Lopes Correa.
Outro evento que surgiu a partir do café literário que percebeu a importância de oportunizar a todos que não tinham como participar do café literário, seja pela limitação do número de participantes, seja pela incompatibilidade de horário, foi o Canjicada Literária, que passou a ocorrer toda 2ª segunda-feira do mês.

A primeira sessão ocorreu dia 09 de julho e foi avaliada como um sucesso. Participação de dezenas de pessoas com apresentação dos nossos autores, seja o que já vem participando do café literário, como de jovens que se aventuram no verso e na prosa. A próxima será dia 13 de agosto. Contamos com você que aprecia a literatura que se produz em Mutum.
Tão importante quanto oportunizar que nossos autores ou autores da região apresente suas produções, é incentivar quem tem o hábito da leitura participar ativamente dos eventos de forma interativa, reforçando em todos o hábito de se encantar com as histórias e com a poesia.
Canjicada literária, grande participação


PRÓXIMA CANJICADA LITERÁRIA

PRÓXIMO CAFÉ LITERÁRIO

sexta-feira, 27 de julho de 2018

#ESTUPRONÃO


Com essa hashtag o jovem poeta de Mutum Gabriel Oliveira narra em verso uma situação que ainda perdura em nossa sociedade, mesmo com a emancipação feminina, a coisificação do outro leva um ser humano julgar que pode ter tal atitude.
Autor da página no facebook Apenas Sendo Eu, ele justifica que tal poema nasceu ao tomar conhecimento do relato de uma de suas seguidoras:
“Espero que lendo este, vocês possam ter de alguma forma se emocionado por que essa é a atitude mais horrenda que um 'homem' pode tomar.

E gostaria que compartilhassem ou de alguma forma fizessem esse texto alcançar o máximo de pessoas possíveis. Não por mim, mas por quem passa ou já passou por isso. Obrigado!”


Ela era mulher de alma pura.
Tinha lá alguns obstáculos em sua vida,
mas nenhum era forte o suficiente pra derrubá-la.
Isso até que um dia de forma horrenda lhe roubaram tal pureza.


Visto por todos como um homem comum.

Entrou em sua casa como um amigo e saiu pior que um monstro.
Homem? Não! Um homem não faria isso.
Um homem de verdade não seria capaz de tal violência.


A jogou contra a parede, pôs a mão em seu pescoço 

e fez dela uma vitima.
Enquanto ela tentava gritar era sufocada, corrompida, destruída.
Pois um monstro penetrou seu corpo e alma.
Ela não pôde sequer reagir, sequer fugir, sequer viver.


Depois de cometer tal afronta ele se vestiu e saiu, só se foi.

E ela? Ela ficou ali, caída no chão sem conseguir se mexer,
Sem conseguir pedir ajuda, sem conseguir nem mesmo chorar.
O que ela sentiu? Nem mesmo isso ela podia dizer, pois sua voz ali não mais residia.


E aquela mulher que se sentia pura se desfez. Se afogou.

Afogada em dor ela apenas existia.
Sozinha ela vivia sem amparo já que as palavras que lhe restavam
Mal servia para dizer um falso 'eu estou bem'.


-Gabriel Oliveira-

#estupronão

domingo, 10 de setembro de 2017

UM MUTUENSE CHEIO DE HISTÓRIAS

NOTA DO BLOG: Procurando por história de pessoas da nossa terra na internet deparamos com a história de José Luiz Dias, um mutuense que foi entrevistado pelo site Museu da Pessoa (Um Mineiro Cheio de Histórias) que relata sua vida em Mutum, precisamente no Córrego Seco.

Outro testemunho importante é sobre seu pai durante a Revolução Constitucionalista de 1932, quando Mutum ficou sem policiamento. Veja o vídeo abaixo:



Agora leia a postagem no site Museu da Pessoa a partir da entrevista fica com nosso conterrâneo em terras bandeirantes. Reproduzimos na íntegra:

Um mineiro cheio de histórias
História de: José Luiz Dias
Autor: Museu da Pessoa
Publicado em: 14/05/2014

SINOPSE
Em seu depoimento, José Dias lembra sua infância na região de Córrego Seco, município de Mutum, Minas Gerais. Fala da casa de infância, das brincadeiras e de como o pai se tornou uma figura respeitada na região. Recorda os acontecimentos que levaram o pai a se matar ingerindo formicida.  Conta como casou aos 25 anos e constituiu família em Mutum, decidindo migrar para São Paulo em busca de melhores condições de vida. Em São Paulo, trabalhou em várias empresas e criou sua família de 9 filhos. Finaliza falando sobre a sua cegueira, originada por um glaucoma não curado.

HISTÓRIA COMPLETA
Meu nome é José Luiz Dias, eu nasci dia 5 de junho de 1935, mas os funcionários públicos errarem. Quando eu fui pegar a minha aposentadoria por idade é que achamos aquela diferença. No documento está 5 de julho de 1935, mas o nascimento mesmo é 5 de junho. Eu nasci lá no Córrego Seco, no Distrito de Centenário, município de Mutum, MG. Fica lá na zona de Governador Valadares, já divisando com o Espírito Santo, à esquerda, na Estrada Vitória-Minas. Meus pais são de Santa Isabel do Rio Preto, estado do Rio. O nome do meu pai era Manuel Luiz Dias e minha mãe, Maria Neves Dias. Esse pessoal veio da zona norte do estado do Rio pra nossa zona lá. Quando eles começaram era tudo mata. O meu pai e mais outros abriram lá as matas e formaram suas lavouras. Ele trabalhou pra um fazendeiro de tropeiro. Antigamente, de onde a gente estava até o Aimorés, onde tem a estrada Vitória-Minas dá mais ou menos uns 70, 80 quilômetros. Se precisasse comprar sal, querosene, arame de cerca, tinha que ir buscar no carro de boi ou nas costas de burro. Então, dez burros era uma tropa, encangava aqui, punha a saca e descia, ia lá embaixo buscar, depois trazia. Meus pais se conheceram nas rezinhas da roça lá, católico conhece seus namorados lá na igreja, na reza. Porque rezava mês de Maria, a novena de Santa Luzia, São Sebastião, São José.
Minha casa era de interior, eram dez metros por 20 ou 25 assim. Aí subia o centro da casa, eles punham aqueles pau-a-pique que era cumeeira que falava. Era a casa que meu pai fez pra gente morar. Eu tenho oito irmãos, comigo nove que escapou, antes desses nove acho que morreu três filhos da minha mãe e do meu pai. Meu pai era baixinho, pequeninho, brabinho. A minha mãe também, calculo mais ou menos, acho que ela era da mesma altura do meu pai, um pouquinho mais alta. Mas nenhum deles era gordão. Como meu pai nasceu na roça, mexendo com burro, ele era pequeno, mas era forte, virou atleta. Depois que ele namorou e casou com a minha mãe foi lá pra esses cantos lá da roça, comprou esse pedaço de terra, derrubou mato, plantou café, fez casa. Ele chegou a fazer acho que seis casas de colônia. Esses cafés nossos, nessa época, quando começava lá, colhia ele, limpava e ia levar lá no Aimorés. Aí, depois mudou, melhorou, surgiram alguns proprietários, caras mais ricos, começou a aparecer o caminhão. Aí já vinha pro lado de Ipanema, Manhuaçu, lá tinha estrada de ferro que pegava e ia pro Rio.
Esse pedaço de terra, lugar que era isso aí, dava 12 alqueires e meio de terra. Embaixo, tinha umas várzeas, depois subia um morro assim, aquela pradaria, depois dava uma descida, aí outra planicezinha, ali ele fez a nossa casa. O papai ficou um homem de destaque, ele ficou conhecido. Como ele era tropeiro, estava sempre indo de fazenda em fazenda buscando café, levando cereais pra eles. Na Revolução de 32, o Governo de São Paulo pediu ao Governo de Minas pra ajudar e o Governo de Minas, então, juntou todos os soldados que ele tinha na capital. Aí as cidadezinhas do interior ficaram tudo sem autoridade, sem soldado, sem nada. Como papai era conhecido na cidade e as autoridades sabiam que ele era uma pessoa de destaque, de representação, chamaram ele lá e disseram: “Olha, seu Manuel, o senhor vai ser o bate pau daquela região ali. Se precisar prender alguém você vai prender e traz pra cá. Você vai ser uma autoridade ali”. Aí, terminou a revolução, ele foi tocando a vida, mas o nome dele ficou lá na delegacia. E quando terminou a revolução e normalizou tudo, cada um tomou seus postos. E nessas alturas o papai ficou conhecido. Mas a nossa casinha lá na roça, no Córrego Seco, ficou alembrada pra esses policiais.
Nessa época, dessa nossa casa até a cidade devia dar uns 70 quilômetros, mais ou menos. Morria gente cá, punha num banguê lá, não era nem nesse caixão que faz assim, levado na mão. Não tinha condição nem nada, levado na mão lá pra cidade. Então, houve a necessidade de fazer um cemitério lá. O papai e os outros amigos dele fizeram uma igrejinha lá. Papai pegou o cemitério de empreitada da prefeitura pra fazer. Mandou derrubar uma sapucaia lá, rachou e trouxe. Deve estar até hoje lá. E o papai fez o cemitério. Estava pronto o cemitério, morreu uma velha lá na cabeceira de Santa Elisa. Então, os homens logo: “Vem cá, morreu” “Traz pra cá”. Mas não tinha oficializado o cemitério, papai tinha terminado, mas as autoridades da prefeitura não vieram pra oficiar o cemitério, né? Então todo mundo ficou de acordo com papai, aí conversou lá com meu tio: “Não, não tem problema. Nós vamos enterrar aí e amanhã nós vamos dar baixa lá”. Assim ficou, fez o enterro. A primeira pessoa que foi enterrada lá foi uma senhora de idade, a mãe do Chico Espanhola, dona Antonieta, outra família lá.
Daí uns tempos a vida seguiu, o papai comprou outra propriedade lá no município de Pocrane, vindo pro lado de Aimorés e de Assaraí. Então, ele pôs uma outra fazendinha lá. Era uma fazenda que tinha máquina de limpar café, máquina de limpar arroz, rodas d’água, tinha também a eletricidade pra iluminar a fazenda. Meu lazer era ajudar meu pai. Eu tinha lá meus aninhos de escola, a gente descascava milho, debulhava e levava pra moer no moinho. Prendia bezerro, tirava leite, prendia os porcos, tratava dos porcos e terminava a obrigaçãozinha e ia pra escola. E chegava na escola a gente ia, a meninada ia bem antes de começar a escola pra jogar bola na frente da escola. A escola era na fazendinha de um fazendeirinho lá, até na frente assim da escola era cheio de esterco, bosta de boi, esse negócio. As primeiras bolas que a gente brincava eram bolas feitas de meia. Botava meia e enchia de pano velho. As mamães sempre costuravam aquela bolinha. Era o meu lazer aquilo.
O meu pai fez uma tragédia, ele se suicidou, ele tomou formicida Tatu. E ele está enterrado lá em Assaraí, no município de Pocrane. O meu sonho, se eu pudesse, ir lá conversar com os prefeitos de lá, fazer uma sepultura pro meu pai lá no cemitério que ele fez. Aquele túmulo que nós fizemos pra ele lá em Assaraí, está lá a foto dele, tirar os restos mortais dele e trazer pro Córrego Seco, pro cemitério que ele fez. Esse é um dos meus sonhos. Quando ele se matou eu tinha 18 anos, foi em 1952. O meu pai gostava de beber. O meu irmão montou um negócio de jogo, toda vida foi viciado em jogo. Então, tinha um joguinho num canto lá no quarto, ficou meu irmão lá jogando com uns caras. E tinha um cara lá que era soldado foragido, o cara fugiu da polícia. Naquela região ele batia em todo mundo, ele dominava todo mundo. E o meu irmão encrencou com esse cara e brigaram. Meu irmão saiu de casa, tirando a garrucha, saindo pra fora e o outro vinha com uma faca e um chicote na mão, um barbeiro foi tentar segurar o cara. Todo mundo escutou um tiro e caíram dois homens mortos no chão. Papai chamou o advogado, escondeu ele. Faltavam três meses pro júri, papai apresentou ele lá, prendeu, ficou três meses preso, entrou no júri e saiu livre, livre. Aí esse meu irmão ficou bravo, ficou valente, criava problema com todo mundo e o papai acudindo daqui, acudindo dali, e ele não foi morto porque papai era uma pessoa de nome, de respeito, consideração, as pessoas toleravam. Então um cara noivou com a minha irmã. E como esse meu irmão era um cara valentão, encrencou com o noivo da minha irmã. Esse rapaz chamou a minha irmã e terminou o noivado com ela. Quando o papai ficou sabendo já tinha acabado o casamento, aquilo foi uma tragédia na cabeça do meu pai, porque ele gostava muito desse rapaz. Quando acabou o casamento, passou poucos meses, aí ele só bebia, só bebia, saía, bebia. E aconteceu dele suicidar.
Eu casei em 1960, com 25 anos. A minha esposa é muito simples. Aquelas meninas antigas, aquele respeito dos pais, da mãe. Casei com ela por amor, por paixão. Eu vivi 53 anos, vivi apaixonado por ela. Fui honesto com ela. Eu tive muita namorada. Mas namorar de longe, fazendo frete. Eu abracei minha mulher na semana que nós fomos casar. Porque eu dei um abraço e tinha uma porção de menina perto, tudo vigiando. Quando eu casei eu tinha uma venda na casa. A gente era colega de escola, eu comprei uma vendinha que era na propriedade do meu sogro. Eu casei lá no Córrego Seco, fiquei dono daquela vendinha. Depois nós fizemos inventário lá, separou, comprei um outro pedaço de terra. E daquela terra peguei, vendi e fui pra dentro da cidade de Mutum. Lá eu pus venda e tal, depois comprei caminhão, uma vidona. Na verdade, antes de eu vir pra São Paulo eu queria ir pro Paraná. Eu já estava casado, estava no Mutum, tinha um caminhão, trabalhava. A minha esposa estava grávida do primeiro filho nosso que chama José Luiz Dias Filho. Ela foi na casa de outro irmão em uma outra propriedade pra baixo, foi de charrete. Ela estava barrigudona, foi junto com ela uma prima dela que era casada com meu irmão. Antes de chegar lá os arreios desarrumaram, foi em cima da égua, o animal que puxava a charrete e ela disparou morro abaixo, uma descida assim. O meu irmão e a minha cunhada pularam fora da charrete. A minha mulher, barriguda, agarrou o pé no estribo da charrete e foi arrastada. Eu estava na venda, peguei um jipe e levei pra Mutum. Mutum não tinha médico. Aí levamos pra Aimorés. Aí, deixaram ela internada lá na Santa Casa e eu voltei pra Mutum. Quando nasceu, fui lá buscar, fui pagar. Aí, fui lá paguei as despesas todas, pus ela no ônibus e viemos pra nossa casa. Esse é o primeiro filho, José Luiz Dias. Eu tive nove filhos. Lá no Mutum nasceu esse, José, e quando eu vim pra São Paulo nós trouxemos um menino com um ano e seis meses, chamado Geraldo, e ela trouxe na barriga a Marisa, a outra filha mais velha. Nós viemos em 1965. Quando eu estava no Mutum, o caminhão fazendo carreto e tudo, eu peguei uma mudança de uns caras lá pra levar pra Campo Mourão, no Paraná. E os outros companheiros, amigos da onça: “Ah, não vai com esse caminhão, esse caminhão vai quebrar com isso, vai encravar esse povão tudo aí, não faz isso, não”. Vendi o caminhão e passei a mudança pra outros caras fazerem. Então eu fiquei mais uns seis meses, lá no Mutum e de lá que eu vim pra São Paulo. Vim morar em Diadema. Eu estava no bairro do Jardim Portinari. Vieram uns primos meus que começaram a trabalhar na Padaria Santa Teresa, na Praça da Liberdade. Eles moravam lá na Piraporinha, então por intermédio desse primo meu que eu vim pra Diadema. Quando eu vim pra Piraporinha já tinha outros conterrâneos por ali. De um outro conterrâneo meu eu comprei esse terreno no Portinari, com casa e tudo. Uma luta aí.
Eu comprei uma barraquinha de fruta em frente a Forjaria São Bernardo e trabalhei uns quatro, cinco meses ali. E de lá de São Bernardo nós vínhamos fazer compra aqui no mercado. Tinha um bar perto, o cara tinha uma barraca de frutas e eu comprei do cara a barraca pra ir trabalhar. Aí achei que aquilo não era futuro, fiz conhecimento com o pessoal da firma lá. Trabalhei na Forjaria São Bernardo até eu ser demitido no dia 1º de abril de 70. Eu trabalhei quatro anos lá. A firma foi vendida. Desse trabalho, eu saí, fui trabalhar na Mercedes-Benz, trabalhando na profissão que eu aprendi na Forjaria, operador de Máquina. Quando eu trabalhava na Mercedes Benz, veio esse meu irmão, eles quebraram lá e vieram pra São Paulo. Ele comprou um terreno de um pernambucano lá em Diadema e deu uma parte em dinheiro e ficou devendo. Depois ele não arrumava o dinheiro, voltou lá em Minas e não teve um parente que emprestasse dinheiro. Ele fica me atentando, me xingando, vou cobrir ele na peixeira. Aí pedi ao chefe da forjaria da Mercedes Benz me mandar embora. Peguei o dinheiro, emprestei lá pra ele.  Logo em seguida eu já entrei na Volks. Trabalhei sete meses lá e pedi a conta. Fui trabalhar por conta, quebrei a cara. Deu tudo errado. Minha intenção era comprar uma máquina de raspar taco. É o que estava na moda naquela época, a gente raspava o taco, punha cascolac, sinteco, ficava o piso bonito. Aí comprei a máquina pra raspar, quando eu entrei no negócio, não explorei, nem nada, tinha raspador de taco pra tudo quanto é lado. Você dava um preço, o outro ia lá e dava o outro e dava o outro. A pessoa que trabalhasse mais barato fazia alguma coisa. Eu me ferrei. Aí passou, passou o tempo, parei de raspar taco e fui trabalhar de pedreiro. Fui trabalhar de pedreiro. Trabalhei de pedreiro e não progredi.
Sobre a minha vista a história é a seguinte. Comecei a tratar lá na Fundação ABC. Aí surgiu a propaganda das Clínicas: Mutirão da Catarata. Parei lá e vim pras Clínicas. Entrei aí, era uns dois mil velhos na portaria das Clínicas. Mas eles não fizeram o mutirão da catarata, não era pra curar ninguém, não. É pra levar bastante velho pra servir de cobaia praqueles médicos estudar. E eu fui um desses azarados que ele não me curou, me deixou jogado lá pro estudante e não passou médico especialista pra olhar minha vista e deixou o glaucoma acabar com a minha vista.


terça-feira, 5 de setembro de 2017

UM POEMA PARA MUTUM

FOTO: MUTUM ON-LINE


MUTUM

Minha terra tem palmeiras
Onde cantam canários da terra
Onde a praça é doce
E a fonte traz lembranças

Minha terra é tão bela
Que todo o dia penso nela
Alegria de chegada
Tristeza de partida

Onde ausentes se tornam presentes
No meio certo do ano
Onde não existe engano
Ao declarar meu amor

Cidade invejada por muitos
Pedra fincada eterna
Onde fiz minha morada
Mesmo que no coração

Poesia em forma de praça
Saudade em forma de pedra
Felicidade em forma de ruas
Amor em forma de ave

Mutum, doce lembrança.


Wagner Fonseca

terça-feira, 8 de agosto de 2017

OS INDRISOS DE ANA HUBNER

Ana Hubner, uma poetisa a ser conhecida, estreia em nossa Pentalogia Poética nos presenteando com seus belos indrisos, esse novo estilo poético que tem cada vez mais chamado atenção de quem, condenado e aprisionado a ser instrumento da poesia, expressa a liberdade em versos.


Vagando pela seara dos sentimentos humanos, como tédio e anseio, Ana Hubner, mais que escuta, ausculta o silêncio e traduz em belos poemas o que esse incômodo e edificante companheiro tem a nós dizer.


ILUSÃO

Meus olhos desenham o doce querer
Embriagado pela ilusão
De viver o ato pleno de existir

Em sonho, acaricio o mapa lúdico
Ferindo a alma, a realidade é densa e cruel
Viajo na eternidade do tempo

Num espaço infinito vejo

Uma vã luta e seus ciclos



TÉDIO

No indelével espaço da alma
Todo o mistério do viver
Intensa angústia da existência

Entre a sombra e a luz
Contemplo o mar mudo
Água adormecida

Sou fonte, sou ferida

Anseio e tédio
  

VOCÊ

Você é meu raio de sol
Luz que desperta
Meu coração de pedra

Sem você, meus dias são escuros
Vazios do amor que sonhei
Esperei, espero, esperarei

Teu sorriso, uma prece

Teus olhos, meu farol!


O SILÊNCIO

Ergo o olhar da estrada
Sinto saudades do outono
Deito-me nua ao luar

Minhas mãos cheias de desenhos
Acolhem o silêncio
O vazio do existir

Entre mim e o que penso

Resta apenas a sombra do voo


VEJO

No silêncio calado de nós dois
No lapso indeciso do tempo
Renovo a esperança com olhos gastos

Com pupilas dilatadas vejo
A gota d’água, o papel, o fio de cabelo
A partícula do mundo

Sem refúgio, insisto ver o luar

Sonhando, sou eu só




OUTRAS PENTALOGIAS POÉTICAS





sexta-feira, 4 de agosto de 2017

BANDAS CAPIXABAS: REZA FORTE

FAZ PARTE DA HISTÓRIA CULTURAL DE MUTUM: A banda REZA FORTE foi fundada no final dos anos 70 em Cachoeiro de Itapemirim/ES. Durante décadas o Reza Forte lotou clubes por esse Brasil. Com varias formações, algumas clássicas, o grupo que fazia bailes, gravou LP’s e CD’s com canções próprias ao longo de sua existência. Fica aqui a lembrança do inesquecível Robson, um dos maiores cantores capixabas.

A banda esteve diversas vezes em Mutum, sobretudo no Clube Recreativo Mutuense.







BANDAS CAPIXABAS: REZA FORTE: .