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sábado, 20 de agosto de 2022

DESTINO: A ESCRITA CRIATIVA DE SYLVIA LAIGNIER

 
DESTINO: A ESCRITA CRIATIVA DE SYLVIA LAIGNIER

 

A imersão de Sylvia Laignier no universo do mercado literário com sua obra comercializada em forma digital na Amazon é mais uma evidência de que Mutum é uma terra literária para além de Guimarães Rosa.
 
Neste pequeno bate-papo, a autora de Para onde ir? nos fala do seu primeiro livro da série Universo Segredos para o blog Mutum Cultural.
 
Quando e como surgiu o seu envolvimento com a escrita criativa?
Meu envolvimento com escrita começou na infância, logo que aprendi a escrever. Eu passava muito tempo com a minha avó paterna, enquanto meus pais trabalhavam, consequentemente como ela sempre foi envolta com leitura e escrita, nós duas passávamos horas escrevendo prosas e poesias.
 
E a ideia da série Universo Segredos? Ela veio antes ou depois de Para onde ir?
Esta questão foi engraçado. Quando eu tinha uns 13 anos estava totalmente indignada que os personagens masculinos dos romances que eu lia nos livros não eram muito legais, por exemplo, ciúmes, palavras torpes e etc, eu tinha ficado com raiva e minha amiga apenas disse "se está ruim, faz você algo melhor", meio que eu levei isso ao pé da letra e acabei fazendo um personagem com falhas, mas ainda sim uma ótima pessoa, por isso que o Ismael surgiu.
 
O que o leitor encontrará em Para onde ir?
Uma leitura mais fluída e calma, conflitos familiares, risadas, romance água com açúcar e indícios de amores para toda vida com os meninos.
 
Os quatro personagens principais, Marcos, Hugo, Yuri e Ismael surgiram independentes ou juntos na criação do Romance?
Então, voltando à pergunta, veio primeiro o Ismael. Mas, eu sempre fiquei chateada com o ponto dos protagonistas nunca terem mais de um amigo, por isso veio os outros, cada vez que eu explorava mais a escrita no livro do Ismael as ideias vieram para os dos outros, até montar tudo certinho com o roteiro.

O enredo nos parece ser adaptado em uma cidade grande, como Belo Horizonte.
É sim, adaptado em Belo Horizonte, porque eu sou mineira, escritora nacional e queria reinventar os clichês dos livros, então por que iria seguir aquela risca de se passar em outro país com o Brasil tão bonito para ser explorado?
 
O relançamento será sexta-feira, dia 26 de agosto de 2022. O que te levou a fazer este relançamento?
Foi o meu perfeccionismo. Eu queria fazer tudo certinho, por causa que tive problemas com revisão, arrumei algumas coisas que tive de fazer e deixei a versão ainda mais completa com o epílogo.

***
 
Então temos um destino, a leitura do livro de Sylvia Laignier que está à venda na Amazon: PARA ONDE IR?


segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

SEXTA-FEIRA TEREMOS LIVRO SENDO LANÇADO

 SEXTA-FEIRA TEREMOS LIVRO SENDO LANÇADO
 


Acsa da Luz Mendes fará o lançamento do seu livro Boas Novas De Um Novo Tempo. Trata-se de uma obra que traz textos tanto em verso quanto em prosa, mas nunca abrindo mão da poesia e da percepção de realidade da jovem autora.

O Evento será na Casa de Cultura, dia 07 de Janeiro de 2022, a partir das 19:30 horas. Vamos valorizar este momento ímpar da literatura mutuense.

 Segue a mini-entrevista que fizemos com a autora.

Quando você começou a escrever?
Comecei a escrever em 2016, com 16 anos, inspirada por uma imensa paixão pela filosofia e espiritualidade, e pela vontade de registrar as ideias que eu acessava em minhas meditações, para refleti-las, e mais tarde quem sabe, publicá-las.
 
BOAS NOVAS DE UM NOVO TEMPO é o seu primeiro livro?
Boas novas de um novo tempo é meu primeiro livro, já tem outro em andamento, continuo registrando essas ideias que tanto me servem, com o genuíno intuito de que sirva também aos leitores que irão adquirir a obra
 
Como foi o processo de publicação?
No processo de publicação participei ativamente junto com a editora, embora o tempo dado pelo edital fosse curto, fizemos um belo trabalho, que me permitiu realizar um grande sonho.
 
O que o leitor encontrará em seu livro?
No meu livro você há de encontrar textos e poemas expressos com grande clareza, que trazem em si o que chamo de grafia dos anjos, quando as palavras servem a um propósito mais elevado e se tornam meios de trazer elucidações, sentimentos nobres. Isto será percebido pelo leitor, gosto de dizer que os textos são inspirados e canalizados dos céus para que sirvam ao nosso desenvolvimento, e ao propósito divino que é criar um novo tempo para a humanidade, e através da elevação de nossas consciências, trazer à realidade o Reino de Deus, uma forma também de fortalecer a fé e a esperança diante dos dias difíceis que passamos, visando percebê-los como os sintomas de uma ferida, que se não fosse percebida nos levaria à morte, dói para que a percebamos e procuremos a cura.
 
Fale sobre o lançamento e suas expectativas para o evento:
Estou imensamente feliz por realizar essa apresentação, senti de organizar também uma exposição de artesanatos, para também presentear meus convidados através de sorteios no decorrer do evento, o mesmo farei com alguns livros, não estou preparando palestra, o que houver de ser dito será baseado nos sentimentos que me serão dados a perceber ao me apresentar, de antemão, sinto imenso prazer, honrada em compartilhar com meu povo essa obra tão importante e inspirada, sinto também uma grande alegria por reunir na nossa Casa de Cultura alguns dos meus mais queridos conterrâneos, dentre eles professores que participaram de minha educação, diretoras das escolas públicas que estudei, representantes políticos da nossa casa legislativa e alguns membros da administração da cidade, também se encontraram presentes os prezados poetas mutuenses, escritores que publicaram livros com recursos da Lei Aldir Blanc, dentre outros, será um evento memorável, um dia marcante para mim e para quem estiver presente, prestigiando esse passo importante na  ascensão da literatura de Mutum!

EVENTO: Lançamento do livro Boas Novas De Uma Nova Era
AUTORA: Acsa Da Luz Mendes
QUANDO: Sexta-feira, 07 de Janeiro de 2022.
ONDE: Casa de Cultura
HORÁRIO: A partir das 19:30 horas.

sábado, 1 de maio de 2021

ANATOMIA POLIDA: ATLAS DOS NOSSOS MUNDOS P(OL)UÍDOS

 

José Ronaldo Siqueira é um carioca que reside em Mutum. Atlas anatômico para almas puídas é seu quarto livro (o segundo pela Editora Patuá). Também são seus os livros: O prisioneiro (2012); Historinha é o escambau! (2016); Manual não injuntivo de como criar um monstro (2018), também pela Patuá, foi finalista (3º lugar) no concurso da Biblioteca Nacional em 2019, na categoria romance.

 

Vamos deixar que o autor falar da sua obra, com seu jeito franco, nesta mini entrevista.

                                                                    CABEÇA


“Morri. Morro. Acordei. Acordei? Acho que sim. Mas como assim, acho, não tenho certeza se acordei? Como não ter certeza?"


MUTUM CULTURAL: Atlas anatômico para ideias puídas é um livro de contos. O que o leitor pode encontrar nas páginas da sua obra? Há um fio condutor que interliga os contos?

ZÉ RONALDO: Há. Mas no tocante ao motivo. O Atlas é um livro que versa sobre esperança/desesperança. Sabe aquela história de que no fundo do poço ainda há um alçapão, pois então, quanto mais nos afundamos no desespero e na falta de um vislumbre qualquer de lume, mais forte e crescente é, ao mesmo tempo, a sensação de que tudo ainda pode, de uma maneira que não imaginamos qual seja, dar certo. Essa desesperança acaba por, de certa forma, alimentando nossa esperança. O Atlas é o segundo livro de uma trilogia. O Manual foi o primeiro. O terceiro já está pronto. Talvez o lance ano que vem, ou espere um pouco mais.



                                            TRONCO


“Ah, disso eu tenho minhas dúvidas. Dissimulada e expert na chantagem emocional, como você sempre foi, não me admiraria...”



MUTUM CULTURAL: É seu segundo livro pela Patuá, uma editora bem conceituada no mercado editorial. A que você credita este feito?

ZÉ RONALDO: Olha, imagino que o que me possibilitou lançar novamente pelo selo da Patuá, tenha sido o fato de que o Manual ficou em 3º lugar no concurso da Biblioteca Nacional, que é um dos 5 concursos do grand slam da literatura nacional (Oceanos, Prêmio São Paulo, Jabuti, BN - Biblioteca Nacional - e Sesc - este último, só para autores ainda não publicados). Só vejo por aí. O livro anterior, o Manual, não vendeu muito pelo site (a Patuá não distribui os livros em livrarias, diz que não dá lucro para a editora, por isso opta apenas pela venda online, no próprio site da editora), foi só os que eu vendi no lançamento e alguns poucos depois. Sou melhor autor do que vendedor, hahahahahahahaha. 

                                                                        

                                                                     MEMBROS                                                              

“E se fugir? E se eu sair de casa? Será que esse bicho me segue? Será que vem atrás de mim? E se eu me escondesse em um bosque ou uma floresta, onde não houvesse paredes?"

 


MUTUM CULTURAL: Como o leitor pode adquirir sua obra?

ZÉ RONALDO: Como eu já disse, uma das formas de adquiri-lo é através do site da Editora Patuá, e, sempre tenho alguns comigo também, para quem quiser já tê-lo autografado, podem me encontrar no facebook .




NOTAS DO BLOG:

I) Estamos idealizando uma série de postagens intitulada por enquanto de Década Fértil: A produção literária de 2011-2020. Valorize os autores de Mutum. Somos destaque na região em termos de produção literária.

II) Como foi dito na mini entrevista, Atlas anatômico para almas puídas é o 2º livro de uma trilogia. Vamos aguardar o terceiro para podermos fazer uma postagem envolvendo toda trilogia.

sábado, 12 de setembro de 2020

UMA COLETÂNEA, DOIS MUTUENSES


Foi coincidência dois mutuenses selecionados para a mesma coletânea literária do projeto Apparere, ligado à editora PerSe. Foi o que ocorreu em agosto, quando os escritores Cláudio Antonio Mendes e Sérgio Rodrigues de Souza tiveram seus textos aprovados para participar da coletânea Meus filhos, meu maior tesouro!

 

Cláudio Antonio Mendes participa dessa coletânea com o poema No abraço dos rebentos. Nele, o poeta fala da força de uma mãe que carrega nos ombros o desprezo do mundo, a desilusão  e todo tipo de sortilégio encontra no abraço dos seus filhos para ainda continuar respirando.

 

Sérgio Rodrigues de Souza integra a coletânea com o texto tendo o mesmo título da coletânea. Ele faz um mergulho em vários aspectos, incluindo o filosófico, para enriquecer a reflexão que devemos fazer sobre o que de fato um filho é para seus pais. Faz distinção entre dádiva e presente e que os pais também têm muito a aprender com os filhos. Filhos são tesouros não por carregar a herança genética do pai, mas pelo que o filho oferece aos pais.

 

Ambos já participaram de outras coletâneas do projeto Apparere além de terem livros publicados e vendidos na plataforma da editora.

 

Livros vendidos pelos autores na PerSe:

Cláudio Antonio Mendes

Sérgio Rodrigues de Souza


Link para o projeto: 

APPARERE


Link para adquirir o livro: 

Coletânea Meus Filhos, meu maior Tesouro!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

A PERGUNTA QUE TODOS FAZEMOS - PARTE II




Nessa segunda parte da entrevista, o autor do livro O Que Farei Da Minha Vida Ao Sair Daqui? Um Ensaio Sobre Pedagogia Carcerária, que abrilhantará o Café Literário, no próximo sábado, a partir das 08:00 hs, na Biblioteca Municipal, evento promovido pela Secretaria de Cultura de Mutum.
         Sérgio Rodrigues de Souza nos conta sobre a iniciativa de escrever essa obra em que filosofia, antropologia, psicologia social e pedagogia se encontram para analisar o homem em suas prisões a partir da busca de perspectiva para a vida.
         O autor também fala da sua expectativa para o Café Literário quando poderá compartilhar com os participantes, cara a cara, sobre a história do seu livro que traz em seu bojo parte da sua história e da sua concepção de vida.



ENTREVISTA


MUTUM CULTURAL: O seu livro surgiu a partir de uma experiência pedagógica em um ambiente específico. Comente sobre essa prática que te levou à reflexão:

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: No ano de 2008, a Professora Márcia Luzia Pires de Sá, à época Secretária Municipal de Educação de Mutum, junto à Inspetora Meyre Ribeiro, me convidaram para trabalhar, como professor regente de turma, na Unidade Prisional de Mutum.
Na oportunidade, iniciei um trabalho de registro das atividades pedagógicas, de observação-participante, de depoimentos dos detentos [na condição de estudantes], entrevistas, histórias pessoais, coletivas e sobre todo este material, construí uma investigação acadêmico-científica fundamentada no estudo de autores clássicos nos campos da Antropologia, da Psicologia, da Filosofia e da Sociologia.
Em 2014, fui estudar sob a orientação do Professor Dr. Luis Eligio Martelly, em Havana, que é pesquisador na área de educação prisional e a maior autoridade mundial no assunto, tendo criado métodos inéditos de pesquisa neste campo. Na oportunidade, pude conhecer o sistema educacional cubano, o sistema prisional daquele país e assim, elaborar propostas pedagógicas para adolescentes em condições de privação de liberdade.
Em 2016, fui estudar com a eminente Professora Drª. Amelia Haydèe Imbriano, na Universidad Kennedy (Buenos Aires), a mais conceituada cientista internacional em crimes violentos cometidos por crianças e adolescentes, autora de vários clássicos que trazem reflexões profundas sobre o tema. Neste momento, é que elaboro meus estudos sobre a questão da delinquência juvenil como forma de busca por reconhecimento individual e coletivo, mais uma forma estranha de compensar a ausência da autoridade e da presença parental concreta.
Neste mesmo ano (2016), tenho a oportunidade e a honra de orientar um estudante de Mestrado da Universidad Del salvador (Buenos Aires), o Sr. Belarmino Oliveira, que estudava e pesquisava sistema de educação na Penitenciária de Viana (ES). Este representou um momento ímpar, porque era a hora de observar o trabalho sobre prisões a partir de uma lente externa.

MUTUM CULTURAL: Na sua percepção, o que a perda da liberdade pode provocar no homem?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: A primeira coisa que a perda de liberdade provoca é um alijamento social, o que por si só, já representa um fardo muito intenso e bruto para um ser humano suportar, porque desde muito cedo, somos educados e educamos para uma vida em comunidade, em companhia de outros e isto, a pertença grupal é um sentimento instintivo mais antigo que o próprio ser humano, porque a estrutura cerebral reptiliana antecede em centenas de milhões de anos à estrutura cortical consciente. Estar afastado da sociedade significa, em termos primitivos, a uma condenação existencial.
Na esteira disto, ocorre a perda de alguns sentimentos, como a perda de empatia, transformando o que antes poderia ser um ser humano em qualquer coisa, chegando ao ponto de ser classificado como monstro, ou seja, uma casaca vazia que não sente nada por ninguém.
A perda de noção de tempo é outra parte do processo, as paredes brancas tendem a ir desgastando o senso de mudança das horas e estações até que não exista mais, no indivíduo, a capacidade de determinação do espaço-tempo pensado de forma abstrata como é possível fazer. Ocorre, ainda perda da racionalidade, alterações psicológicas, estas difíceis de prever, porque cada ser irá reagir de forma singular quando privado de sua condição de liberdade.
O pertencimento social conduz a obediência a leis e costumes que dado o seu constante exercício forma o que se chama de consciência social, princípios morais, obediência civil, civilidade, urbanidade, ética. Quando se afasta o indivíduo deste processo, aos poucos seus sentimentos com relação a estas situações vão desaparecendo, uma vez que não são praticados e o que resta é um ser que segue suas próprias leis, este que Aristóteles (384-322a.n.e. [2007] classifica como não sendo humano, chegando a afirmar que ou é um deus ou é um animal, porque somente os deuses e os animais podem viver sem leis e/ou sozinhos.

MUTUM CULTURAL: O que precisa ser aprimorado no nosso sistema prisional?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: A estrutura de cumprimento da sentença, em que a maioria dos condenados fica sem ter o que fazer, perdidos em pensamentos espúrios e vazios. Nisto, surge a necessidade de que se aprimore na questão de proporcionar atividades laborais concretas, destinadas a produzir bens de consumo próprio e que possam gerar divisas para o Estado.
A questão do ensino e das atividades físicas, religiosas, também necessita ser pensadas de forma a que os detentos tenham acompanhamento profissional adequado e isto não se trata de dar a eles, nenhum tipo de privilégio, mas parte da ideia de proporcionar auxílio para que possam ter o mínimo possível de condições de reabilitar-se socialmente.
Quando o sistema deixa o indivíduo entregue à sua própria sorte, crente de que a natureza divina cuida de proteger os homens do mau, direcionando-os para caminhos virtuosos, tem-se a produção de criaturas estranhas e sem medidas que seguirão seus próprios princípios de fé e de verdade.
Atividades laborais irão contribuir para o aperfeiçoamento e mesmo para uma profissionalização do apenado, porque em sua maioria não possuem profissões de ofício, a começar que são detidos em tenra idade; agrega-se a isto, o nosso combalido sistema educacional que, ao estrangular o ensino técnico, entrega para a sociedade, um jovem de 18 anos de idade que não possui uma profissão oficializada, ainda. Dispõe na sociedade um sujeito crítico, mas que não sabe fazer absolutamente nada!



MUTUM CULTURAL: Ao construir sua narrativa, é utilizado a logopeia de Ezra Pound, ou seja, a comparação com narrativas da cultura universal. Dois exemplos são a velha história árabe d’O Gênio Na Garrafa e o Minotauro da mitologia grega. Qual a importância dessas narrativas universais para a compreensão do ser humano na sociedade hoje?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: A garrafa representa o que hoje se preconizou chamar de bolha, onde todos nascem, crescem, formam uma personalidade virtual, reproduzem um vazio intelectual e espiritual, tudo isto na ausência mais completa de qualquer relação de empatia, porque não existe contato físico, como se tal coisa fosse transmitir uma doença crônica mortal.
Assim é que, no aniversário dos amigos e mesmo das pessoas mais próximas como marido, esposa, namoradas, filhos, manda-se um emoj de flores, de abraço, de beijo, uma oração [re]copiada de algum site qualquer, tudo isto em nome do tempo, da falta de tempo, etc... Em pouquíssimos anos, todos à volta são estranhos, o que faz com que quando ocorre um atropelamento, todos querem tirar fotos e selfies com a vítima arrebentada, ao invés de chamar a ajuda especializada.
Com o tempo, torna-se avesso ao contato humano, ao ponto de que se alguém vem com a intenção de dar um abraço isto já é interpretado como assédio e um processo judicial ou um empurrão aguarda o indivíduo inocente. Perde-se a humanidade quando se passa muito tempo afastado do contato humano com seres humanos, lidando tão somente com situações mecânicas de relacionamentos.
Com relação ao Minotauro, o labirinto representa esta existência vazia, sem sentido e que não mostra a menor possibilidade de uma fuga em que o ser humano percorre não se sabe que vias, em busca sabe-se lá de quê, sozinho, porque teme procurar ajuda e nisto admitir que está perdido, porque o seu companheiro, mais perdido que ele, procura em si esta condição de força e de coragem. F. Nietzsche tem um aforismo onde diz: “Eu sou o valor que dou a mim mesmo!” E o valor que a igualdade pode auferir ao ser humano é isto: o nada!, a solidão, o vazio, a ausência de sentido completa para si mesmo. A vida e a existência não podem ser reduzidas a um labirinto sem saída, porque o fracasso constante embrutece até o ponto de ver-se entregue a um estado deplorável de psicopatia.

MUTUM CULTURAL: Em que situações da vida atual o ser humano sente-se como encarcerado e não ousa fazer a pergunta que intitula o livro?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: No Século XXI, a todo instante. E tornou-se escravo desta condição porque teme a resposta que virá de si mesmo; ele não sabe o que fazer de sua vida no instante seguinte, dado que a existência e toda a liberdade porque o ser humano lutou desde fins da década de 1960, transformou-o em um autômato, uma criatura anômica, sem saber o que quer da vida, vivendo de acordo com a gíria: seguindo o fluxo.
Para fazer tal pergunta, é preciso ousar e saber que a resposta pode ser um simples não sei e isto não significa estado de decadência, devendo ser tomado como princípio para buscar uma resposta. Em Filosofia, toda grande descoberta parte de uma pergunta, para a qual inicialmente não se tem resposta alguma, às vezes, nada mais que hipóteses, suposições, elucubrações. O valor encontra-se na coragem de se fazer a pergunta e ao deparar-se com uma incerteza ou um vazio, compreender que faz-se necessário preencher estes espaços em branco e isto somente se consegue enfrentando a realidade, por mais cruel que possa parecer e mesmo apresentar-se ao indivíduo.
O fato de evitar fazer tal pergunta representa despreparo para com a existência, medo de ter que enfrentar a vida e fracassar. No entanto, fracasso e sucesso são faces da mesma moeda, produtos da ação. Como diria o Zaratustra de Nietzsche: “Eis a vida! Então, vamos à vida!”    

MUTUM CULTURAL: O que este livro diz para os trabalhadores na educação como professores, especialistas, diretores e serviçais, bem como os gestores, no exercício da sua profissão?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: Educação é um compromisso social, não um direito como se quer fazer acreditar; é um dever cívico. A comunidade escolar deve tomar para si a missão de formar um homem em sua integralidade. E isto implica em construir valores concretos, tendo em vista a história daqueles que nos antecederam e a pretensão de construir um Estado melhor, não abstendo da tradição clássica e nem dos princípios humanísticos que permitiriam ao homem resistir a tantas e tantas mudanças radicais.
À escola cabe ensinar aos estudantes como aplicar seu intelecto para o crescimento individual e social e nisto inclui o respeito e a obediência àquilo que mais se possui de valor na sociedade: O Outro. Nietzsche expressa sobre isto o seguinte: “Quando se julga um criminoso, diz-se que ele falhou com a sociedade. engano fatal. Foi a família, a escola, o padre, o pastor, todos que falharam com ele” (2007) e, por consequência, todos falharam ainda com a sociedade que passa a temer este indivíduo e a sofrer em suas mãos.

MUTUM CULTURAL: Quais são as suas expectativas para o Café Literário no dia 15 desse mês, na Biblioteca Municipal?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: Minha expectativa é a de que os participantes entendam que o livro é uma expressão de que existe uma necessidade premente de discussão sobre uma problemática e não sobre um problema isolado. Todo o texto traz uma discussão em torno de uma situação factual, presente e crescente e que a não intervenção eleva o custo social da existência, onde todos estão se tornando escravos da própria inépcia social, no que se refere ao assunto posto.

 PRIMEIRA PARTE DA ENTREVISTA: MUTUM CULTURAL


                      O blog Mutum Cultural reforça o convite para o Café Literário.


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

A PERGUNTA QUE TODOS FAZEMOS


ENTREVISTA COM SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA


O convidado para o primeiro Café Literário de 2020 é o Pós-doutorado em Psicologia Social, graduado em Pedagogia e Ciências Sociais, sócio-diretor do Instituto Educacional Athena, Sérgio Rodrigues de Souza.



A sua obra O que farei da minha vida ao sair daqui? Um ensaio sobre pedagogia carcerária, publicado pela editora Appris em 2018, começou a ser gestada a partir de suas anotações em 2008, durante uma aula na Cadeia Pública de Mutum (Centro de Detenção Provisória) cujo tema tornou-se título do livro.

Foram dez anos de amadurecimento. A obra nos faz refletir sobre essa pergunta. Estamos sempre saindo de algum lugar, alguma situação. Planejamos, mas nem sempre o destino nos possibilita realizar o que pautamos para o tempo vindouro.

Vale a pena conhecer essa obra através do Café Literário, dia 15 de fevereiro a partir das 08:00 hs.

Leia a entrevista com o autor:

ENTREVISTA

MUTUM CULTURAL: Na apresentação do livro é dito que uma das finalidades é mudar o EU. Quais as principais lições que o leitor pode tirar ao ler seu livro?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA É muito difícil dizer que mudanças ocorrerão nas estruturas cognitivas e intelectuais de alguém a partir da leitura de um livro e muito mais complexo é determinar uma mudança comportamental. Cada indivíduo representa um mundo e este EU, a que me refiro é a representação de uma conjuntura gnosiológica.
Mas, arrisco-me a apresentar algumas importantes lições que podem ser extraídas:

1) A família, solidamente formada, é tudo para o ser humano;

2) Educação é um princípio social, não um direito subjetivo, onde eu faço uso ou não de acordo com a minha vontade deliberada;

3) A única forma eficiente de combate à delinquência é a prevenção; qualquer outra é mero paliativo, eufemismo. Entre os russos, existe um ditado interessante: ‘o que deixa bêbado é o primeiro gole, não o último’.

4) Assim como Aristóteles (384-322a.C.) já havia afirmado, o ser humano sente ânsia de pertença a um conjunto social e M. Foucault (1926-1984) vem afirmar que o ser humano deseja ser reconhecido e para isto realiza coisas incríveis, indo desde criações úteis à sociedade, inúteis e mesmo nocivas. Nisto, todo o cuidado é pouco para que este desejo pathológico [sentimental profundo] de reconhecimento social não se transforme em um desejo patológico [doentio] de reconhecimento individual, onde os fins passam a justificar os meios.

5) O ser humano necessita de um objetivo na vida que o transcenda. Nossos pais são mais felizes que nós, porque realizaram seus objetivos em grande medida. Seus objetivos eram ter filhos, vê-los crescer, formar uma família unida e se alguém quiser me rebater alegando que muitos construíram grandes coisas, realizaram grandes feitos, tudo isto foi feito em nome da família, em prol dela e em torno da mesma.


MUTUM CULTURAL: Sem fazer juízo sobre sua ideologia política, há uma leitura interessante sobre o tempo em que Adolf Hitler passou encarcerado e a contribuição deste para a sistematização das suas ideias no livro Mein Kampf. Que paralelo você faz sobre o encarceramento vivido por Hitler e o encarceramento vivido aqui no Brasil?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: A título de esclarecimento, minha análise não é nem ideológica e muito menos político-ideológica. Ela é antropológica, fundamentada nos princípios da Epigenética. Eu busco ali analisar o espírito do homem quando sob condições extremas, alijado do contato com a cultura ampla, em que ele se volta para a cultura micro que, para sua maldição, não dá conta de proporcionar-lhe contato com um universo de coisas, sentimentos, frustrações e experiências.
Na vida, não é a experiência que se vive que provoca transformações no espírito. É a forma como se é atravessado por esta experiência que vai determinar as mutações, a curto, médio e longo prazos. Esta observação valeu a Frederico Nietzsche (1844-1900) a afirmação de que nossa personalidade é caracterizada muito mais pelas experiências que não vivemos.
O livro de A. Hitler (1889-1945) é um tratado escrito fundamentado sobre uma narrativa sociológica e antropológica, onde ele analisa o homem alemão de fins do Século XIX e início do Século XX, capturado e imerso em um ambiente completamente diferente do que estava acostumado a viver e a batalhar. No entanto, não eram mais indivíduos dotados de espírito revolucionário, capazes de pegar em armas e derrubar tudo, para começar do zero.
Como nórdicos, estavam anestesiados e alienados, mas bastou que alguém o incite para a destruição que aderiram sem pensar muito, porque o próprio autor já havia percebido este sentimento de indiferença quanto às rebeliões e ao caos, quando o indivíduo é submetido por muito tempo à opressão.
Infelizmente, Hitler utiliza a máquina estatal para fazer despertar este sentimento no povo, o que faz com que a maioria [quase absoluta] enxergue o seu ato como uma política ideológica. Ele fez uso da Psicologia Social, que aliás provou ser conhecedor e exímio manipulador.
O engodo mais intrigante da nossa era é o de crer na ideia ingênua de que o Estado está à margem de nós, o povo, ou que nós, o povo, vivamos à margem dele. É o povo quem dita as regras das políticas de Estado e não este quem dita a forma como o povo irá se comportar. O ethos social é um componente variante do ethos cultural, fundamentado sobre princípios muito sólidos, sobre os quais estão os fundamentos filogenéticos e ontogenéticos.
Quando Hitler é apresentado ao povo alemão como seu chanceler, o grande gênio Sigmund Freud (1856-1939), escreveu um texto alertando para o fato de que dias muito sombrios se abateriam sobre a Alemanha.
Quando Hitler cai preso, em 1923, ele tinha uma única certeza, a de que seria morto, afinal, estava condenado por crime de estado, nisto se transforma na criatura mais perigosa que existe, na concepção de Goethe, aquele que já não tem mais nada a perder. Isto influenciou, sobremaneira, na carga pathológica que deposita em seu livro, descrevendo cada detalhe, cada centímetro quadrado da vida de Viena, o que viveu, o que viu e o que teve que fazer para sobreviver.
Seu livro Mein Kempf (Minha Luta) é o único tratado sociológico, na história da humanidade, que narra a condição de miséria do ser humano que vivia nos guetos e sarjetas, a partir da experiência miserável que esta condição de vida e ausência de qualquer perspectiva de futuro podia proporcionar-lhes. Ele se fundamenta e provoca o seu leitor a compreender a realidade social alemã a partir da falta de uma visão de futuro, a anomia. Por isto que fomenta o espírito nacionalista no povo alemão e todo o discurso de patriotismo alemão puro.

MUTUM CULTURAL: O questionamento feito aos detentos em 2008 “o que farei da minha vida ao sair daqui?” poderia ser feito aos estudantes de nossas escolas, independente do contexto?

SÉRGIO RODRIGUES DE SOUZA: Sem dúvidas. Porque esta pergunta é de caráter retórico e tão comum ao ser humano, até a geração a qual pertence nossos pais e em grau muito diminuto, ela é feita pela geração que tem menos de 40 anos de idade, momento em que acontece um interessante paradoxo onde alguns eruditos sem ter o que fazer da vida, resolveram dizer que as crianças e os jovens deveriam ser livres para pensar suas vidas como bem entendessem. Fizeram todas as besteiras da vida que a sociedade permitiu, mas na hora de pagar a conta, cadê a potência para isto? Foram transformados em homens de palha (parafraseando Nietzsche); mas voltando à questão original, esta foi a pergunta feita pelo Primeiro Homem, Adam, quando recebeu a sua sentença do Pai Criador.
Trata-se da construção de uma visão de futuro, de um ideal, entendendo o ideal não como uma utopia, mas como um fato social ambicionado e pelo qual se luta, na expectativa de o alcançar, de o conquistar e não simplesmente de conseguir.
O estudante deve entender que educação acadêmico-escolar não é um direito que ele assume; trata-se de um dever social, uma responsabilidade que ele assume e que o acompanhará por toda a sua existência, logo, se ele não tem uma visão de futuro é porque a sociedade na qual está inserido, também não possui e o condenou a este vazio existencial.
Sócrates argumentava que a vida desprovida de um profundo exame antropológico não é digna de ser vivida.

CONVITE: CAFÉ LITERÁRIO




SEGUNDA PARTE DA ENTREVISTA

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A VIDA DÓI?!: SOMOS CONFLITO

“Falo com meu corpo, e isto sem saber. Digo, portanto, sempre mais do que sei. É aí que chego ao sentido da palavra sujeito no discurso analítico. O que fala sem saber me faz eu, sujeito do verbo.”
Jacques Lacan

Com suas crônicas publicadas em seu blog, Evaristo Magalhães, filósofo e psicanalista, professor e escritor, ipanemense,
portanto, da nossa região, tem nos levado a refletir sobre a nossa existência, os nossos desejos de amar e ser amado em um mundo onde prevalece o incentivo ao individualismo. Ele chama a nossa atenção para nossas constantes perdas e a necessidade de nos ajeitarmos, não só no nicho, mas em nossa consciência do que realmente somos.
Mutum Cultural não só está acompanhando o lançamento do livro A VIDA DÓI?! de Evaristo Magalhães, como teve a oportunidade de entrevistá-lo. Compartilhamos esse bate papo com nossos leitores na intenção de que possamos entender os objetivos da obra.

MUTUM CULTURAL: Gostaríamos que, antes de conversarmos sobre o livro, você se apresentasse para nossos leitores de Mutum e região:
EVARISTO MAGALHÃES: Meu nome é Evaristo Magalhães. Nasci em Ipanema-MG. Estudei Filosofia e Psicologia na UFMG. Sou mestre em Educação e doutor em Clínica Psicanalítica pela UFMG. Atualmente, sou professor universitário e escritor.

MUTUM CULTURAL: O livro A VIDA DÓI?! quer transmitir
para o leitor qual recado? Suas postagens no seu blog estão presentes nessa obra?
EVARISTO MAGALHÃES: O livro A VIDA DÓI?! Trata de uma seleção de crônicas que publiquei no meu blog nos últimos dois anos. Atualizamos, organizamos e fizemos uma revisão criteriosa dessas crônicas. Meu objetivo é falar o quê do amor não é amor. O quê da felicidade não é felicidade e o quê da vida não é bem vida. Com isto, pretendo colocar meu leitor no que a psicanálise chama de inconsciente, no sentido de como cada um irá se arranjar com isto.

MUTUM CULTURAL: Ficaram criativo e sugestivo os pontos, de interrogação e exclamação, no título. Foi intencional?
EVARISTO MAGALHÃES: O título do meu livro vem acompanhado –propositalmente – de uma interrogação e de uma exclamação. Na vida, nada é constante e regular. Regularidade e constâncias dizem respeito às ciências exatas e da natureza. Quanto aos sentimentos, só nos resta o contraditório. Ninguém só é amado: amamos e desamamos. Tendemos a crer apenas no amor e na felicidade. Meu livro, busca com clareza e leveza, trazer à tona esse outro lado do nosso existir que é real, que tanto nos perturba e que tanto tememos.

MUTUM CULTURAL: Qual a relação de A VIDA DÓI?!  para CRÔNICAS PARA AMAR, lançado ano passado?
EVARISTO MAGALHÃES: Este livro, na verdade, é uma
Livro do autor lançado em 2016
continuidade do primeiro. O que difere são as leituras que venho fazendo – uma vez que todas as minhas crônicas nasceram das obras de um psicanalista francês que gosto muito chamado Jacques Lacan. O que li para este livro é bem diferente do que li para o primeiro.

MUTUM CULTURAL: Como surgiu a ideia de traduzir em crônicas a sua experiência como psicanalista? A experiência de ser professor está em suas crônicas?
EVARISTO MAGALHÃES: Sim, como professor, eu nunca dei aula para os cursos em que me formei. Atualmente leciono para médicos e advogados. Deste modo, tive que aprender a traduzir a psicanálise e a filosofia com clareza e leveza. Assim, tento levar para as crônicas essa experiência que vivencio na docência.

MUTUM CULTURAL: Você lançará o livro em Ipanema-MG, sua cidade natal. Quais são as suas expectativas?
EVARISTO MAGALHÃES: Saí de Ipanema com 19 anos. Era uma cidade com grande efervescência cultural. Inclusive, cheguei a participar de vários festivais de música. Em minha casa corria muitos livros, discos e revistas. Ao sair à rua, inevitavelmente, eu sempre me deparava com alguém tocando Belchior, Raul Seixas, Caetano Veloso e Chico Buarque. Grande parte do que sou, devo a essa cidade. Fico muito honrado, 30 anos depois, de poder voltar aqui para uma festa de lançamento de um livro meu. Espero rever os amigos e familiares. Espero fazer novos amigos e conhecer, pessoalmente todos que me seguem nas redes sociais – inclusive aqueles que moram nas cidades próximas a Ipanema. Faremos uma grande festa no dia 21 de julho, às 19h00, no Salão Paroquial. Espero todos lá.

"Normal é quem não se acovarda diante das certezas da vida. Normal é quem consegue se arranjar com seus enigmas. Normal é que não se aliena nas ilusões da cultura. Normal é quem consegue carregar pela vida isso que ninguém sabe direito o que é." 

Evaristo Magalhães - Psicanalista


MUTUM CULTURAL: Para você, qual é o principal conflito interior que o ser humano vivencia hoje?
EVARISTO MAGALHÃES: Não existe um principal conflito que atinge o ser humano. Somos conflito. Perderemos pessoas queridas. Nunca seremos amados como gostaríamos. Enfim, viver é ter que se haver com a dor de existir. A questão é o que fazer com isso. A questão é como se arranjar com isso.

MUTUM CULTURAL: Tem projeto para outros livros?
EVARISTO MAGALHÃES: Sim, acho que não vou parar de publicar livros nunca mais. Rsrs.

MUTUM CULTURAL: Deixe uma mensagem para os leitores do blog MUTUM CULTURAL:
EVARISTO MAGALHÃES: Quero convidar todo mundo de Mutum e de todas as cidades próximas, para estar comigo em Ipanema, sexta-feira, dia 21/07/2017, às 19h00, no salão paroquial, para celebrarmos esse momento de alegria. Fiz o lançamento em BH, dia 08/07/2017, na Leitura do Pátio Savassi. Depois de Ipanema, sigo para São Paulo. Farei o lançamento na Casa das Rosas, na Avenida Paulista. Depois lanço no Rio de Janeiro. Aguardo Vocês.


Links relacionados:
LIVROS DO AUTOR NA LOJA VIRTUAL DA EDITORA GIOSTRI:
https://lojavirtual.giostrieditora.com.br

BLOG DO AUTOR:
https://evaristomagalhaespsicanalista.com/

EVENTO DE LANÇAMENTO EM IPANEMA-MG
https://www.facebook.com/events/1427588660665316/





sábado, 3 de setembro de 2016

CANÇÕES DE FRANCISCO


Nossa Pentalogia Poética trás cinco poemas de Francisco Fagundes tendo como fio condutor o termo CANÇÃO no título.

O termo CANÇÃO em seus títulos nos coloca em sintonia com a melopeia em seus poemas, e que segue na terceira parte de sua obra, essa saudade se transforma em blues se eternizando, presente em alguns títulos.

A fanopeia aparece no seu remeter-se ao passado lembrando-se da seresta que não mais existe, mas que se canta o amor que ainda resta, ou pela saudade da moça triste e do velho em que o poeta se transformou pelas derradeiras madrugadas. E tudo se arremata na canção triste.

O poeta também, em outros poemas dessa obra, nos faz se sentir solidário com o Pedro Poeta em sua morte sentida no morro, mas ignorada pela cidade. Joãozinho Tristeza e sua faina amarga.

Para completar a trilogia de Enza Pound, temos a logopeia bem explicitada em Elementar, Meu Caro e Admirável Gado Louco, nos levando aos clássicos universais da literatura.


A trilogia de Enza Pound perpassa a trilogia “flor-abraço-saudade” de Francisco Fagundes nos abocanhando pela originalidade de seus versos.

CANÇÃO DE SERESTA ANTIGA

Não é mais tempo de seresta
Mas eu venho te embalar;
Trago o amor que ainda resta
-E um resto de luar.

Com certeza é primavera
Bem distante, em algum lugar.
Com certeza, alguém te espera
Em um porto, no além-mar.

Não é mais tempo de seresta
(Vem depressa, vem cantar!)
Eu via lua, de uma fresta
No horizonte, beijando o mar.


CANÇÃO PARA UMA MOÇA TRISTE

Existe uma moça triste
Que do amor se perdeu
Perdida em cada esquina
Do olhar dos olhos meus.

Existe uma moça triste
Que por amor enlouqueceu
Querendo viver a vida
De um jeito apenas seu.

Existe uma moça triste
Que não vê as estrelas do céu
Morrendo em cada saudade
Do amor que não viveu.

Existe uma moça triste
Que insiste em viver ao léu
Nos braços de outro homem
Pensando ser ele eu.

CANÇÃO DAS DERRADEIRAS MADRUGADAS

O velho saiu pela noite,
Saiu pela noite a cantar
Com suas sandálias surradas
Debaixo de um céu estelar.

O velho saiu pela noite
(Alcoólico de pasmar!)
Com seu andar de marujo
Que sente saudade do mar.

O velho saiu pela noite
Levando um azul no olhar;
Toda a grandeza do céu,
Toda a beleza do mar.

O velho saiu pela noite
Saiu pela noite a sonhar.
O velho sou eu pela noite
Levando, no sonho, o luar.


CANÇÃO PARA UM SOLO DE PISTON

(para Felício M. Fagundes)

Já é noite, de repente
E eu não vi
o dia passar.

Meu Deus! Já é tão noite
Que tenho medo
                    do outro dia não chegar.

E se é noite aqui na terra,
Noite funda de medrar,
                    será noite, além, no mar?

Será noite de lamentos,
Lamentos tristes de partir,
                    ou será noite de luar?
Já é noite de repente...
Noite funda de medrar!
Meu coração, doce demente,
Vai no sonho se encontrar...


CANÇÃO ANTIGA

Saio a cantar pela cidade
Uma triste canção antiga,
Braços dados com a saudade,
Olhos baixos para a vida.

Por que choro pela tarde
Se ora vejo o que já via?
É que em meu peito já não arde
O mesmo amor que outrora ardia...


(Leia as demais postagens da série PENTALOGIA POÉTICA.