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domingo, 2 de agosto de 2020

NOSSA LITERATURA E O CONTEXTO REGIONAL

         

    Para celebrar o dia do escritor, 25 de julho, a Associação Sociocultural de Conceição de Ipanema-MG (Concipa) realizou a série de lives denominada Semana Literária: Espaços e perspectivas para a produção literária no interior, nos dias 21 a 24 de julho de 2020. O evento foi organizado e mediado pelo Professor José Aristides da Silva Gamito.

         Participaram dessa atividade dois escritores de Mutum-MG, Cláudio Antonio Mendes no dia 21 com o tema O processo de produção literária e o prazer da leitura e José Ronaldo Siqueira no dia 24 com o tema O poder da literatura: A relação escritor/leitor e os benefícios da leitura. Foram entremeados com a participação de Romildo Alves, de Pocrane-MG, com o tema Falando de quem gosta de escrever!, no dia 23.

         A Concipa, que tem realizado uma série de lives como a Semana online de filosofia e Seminários de educação política, trouxe para a discursão as temáticas próprias da literatura, contribuindo para que a nossa região pudesse ter acesso a aspectos relevantes da produção literária no Brasil e seus desafios.

O Professor José Aristides da Silva Gamito concedeu ao blog Mutum Cultural entrevista falando sobre o evento:


Mutum Cultural: Como surgiu a ideia da Semana Literária?

José Aristides da Silva Gamito: A ideia surgiu da necessidade de dar continuidade ao projeto de incentivo à escrita e à leitura que a Associação Concipa vem fazendo desde 2018. O trabalho foi interrompido pela pandemia. Então, pensei no recurso das transmissões online (lives) para prosseguir com o projeto e utilizar as lives para entrevistar os escritores das cidades vizinhas que já possuem experiências. O projeto foi uma iniciativa minha com o apoio da Associação Sociocultural Concipa.

 

Mutum Cultural: Que outras atividades a Concipa já desenvolveu em relação à literatura? Em relação a outras atividades artísticas?

José Aristides da Silva Gamito: As atividades de valorização da arte acontecem através de uma agenda cultural anual. A cada dois meses, realizamos o Sarau Cultural. Nas demais ocasiões, aproveitamos as datas comemorativas para alcançar todas as formas de arte. Já realizamos exposições de pintura e escultura, festival de música, produção de curta-metragem, concurso de desenho, intercâmbio cultural. No campo específico da literatura, realizamos a publicação artesanal de suas coletâneas de poetas de Conceição de Ipanema. Além de haver em todos os saraus o cantinho da poesia.

 

Mutum Cultural: Qual a contribuição que a Semana Literária deu para alavancar a literatura na nossa região?

 

José Aristides da Silva Gamito: A primeira contribuição que esperamos é a motivação para que pessoas comuns mostrem seus talentos na escrita, que tenham coragem de escrever e de divulgar seus textos. Depois, esperamos criar vínculos com as cidades vizinhas para trocar experiência entre escritores. E também, gerar meios de amparo e de fortalecimento dos escritores do interior. Por isso, fiquei muito grato por receber na semana dois escritores mutuenses, Cláudio e José Ronaldo, e um escritor pocranense, Romildo!


         Para o professor e escritor Cláudio Antonio Mendes, iniciativas como essa contribuem como estímulo a quem escreve em nossa região. Com o advento das comunicações através da internet o caminho entre o escritor e os meios de produção editorial ficou mais curto, porém, com mais encruzilhadas. Didaticamente, o autor de obras como Uni versos, Decalogias poéticas e Duas noites de vingança salientou os cinco meios de produção em que um escritor poderá percorrer até ver sua produção literária transformada em produto para estar disponível para o leitor, Mas alertou para o entusiasmo em demasia, achando que vai conquistar centenas de leitores a partir de uma única obra. Ele também falou resumidamente do encanto de se ler, citando Monteiro Lobato como ilustração. Cláudio Antonio Mendes também falou sobre a importância de uma associação de escritores regionais.

         Cláudio Antonio Mendes ainda destacou a Lei Aldir Blanc como possibilidade de alavancar a produção no interior.

 

         Outro mutuense, de habitat, que participou foi José Ronaldo Siqueira, autor de O prisioneiro, Historinha é o escambau! e Manual não injuntivo de como criar um monstro. O blog também ouviu esse lavrador das narrativas que tem sido exitoso em concursos literários Brasil afora.

Na última semana, participei, juntamente com o amigo, colega de trabalho e irmão de pena e tinta, o Cláudio Mendes, de uma semana literária, idealizada e mediada pelo também amigo e colega José Gamito, de Conceição de Ipanema. A proposta era de se entrevistar autores da região, através de lives, sobre a forma de produção e a visão de escritores do interior sobre a literatura brasileira contemporânea e a exclusão ou não dos autores independentes interioranos no contexto nacional.

         Conversei sobre como é meu modus operandi quanto à concepção da história, como eu faço para produzir meus livros (o processo todo, desde a idealização até a publicação), onde eu comento, inicialmente, que o importante é se fazer um portfólio do seu material através de concursos literários espalhados por todo o país. Quando se coletar uma certa quantidade de textos premiados, pode-se ir atrás de uma editora. E, o mais importante de tudo: um escritor e´, antes de mais nada, um leitor em potencial. Não existe escritor que não consuma literatura (nacional ou não). O hábito de leitura é instrumento mais do que essencial nesse assunto.

         Foi algo realmente muito, mas muito interessante e importante a semana literária de Conceição de Ipanema. Pudemos nos divulgar, mesmo que com uma plateia singela, mas o mais importante: pontapé inicial foi dado para a divulgação do nosso trabalho e de que, saibam por aí, que o interior tem gente escrevendo, sim. Escrevendo e publicando.

 

Durante o evento foram sorteados dois livros Uni Versos contendo poemas de Cláudio Antonio Mendes. Os contemplados foram Phillipi Carlos Gonçalves, de Pocrane-MG, e Cleuza Dias de Assis Bernardes, de Alto São Luiz, Conceição de Ipanema-MG.  

         O fomento da nossa produção literária a nível regional deu um sobressalto a partir desse evento.

    

AGRADECIMENTO

O blog, na pessoa do presidente da Concipa, Alexandre Lima, ressalta o empenho de todos os integrantes da entidade promotora do evento.


terça-feira, 9 de agosto de 2016

PENTALOGIA POÉTICA: CLÁUDIO ANTONIO MENDES

No Pentalogia Poética de hoje estamos compartilhando poemas de um livro, quem ainda não esteja publicado fisicamente, está nos site de auto publicação. Hora é divulgado, ora é retirado.
Trata-se de UNI VERSO, de autoria de Cláudio Antonio Mendes, que em alguns momentos, apresenta-se com o pseudônimo KLAUS MENDES.


CAPA NO SITE CLUBE DE AUTORES

Segue cinco de seus poemas:
EMERGÊNCIA

corro
ao teu encontro
como ambulância
pro pronto socorro

estou enfermo
sem amor
sem termo
e temo a solidão eterna

dê-me
um balão de oxigênio
um beijo oxidante
quero prazer até enferrujar

EMERGÊNCIA!
o nosso amor não pode ficar
comprimido
em cumprimentos

***
BEIJOS

o xerife beijou o chifre do juiz
e fez o pacto

o juiz beijou o nariz do xerife
e se fez pacato

enquanto eu beijava teus lábios
e te amava de fato

***
ESPELHO MEU

perguntei ao espelho meu
se existe algum outro poeta
que escreve uma poesia
nem clássica, nem concreta

ele me disse que não
somente eu mesmo
em dias quente de verão
anda a esmo
no meio da multidão
tendo como companhia
a ironia e a solidão
e a barriga vazia
que reclama pelo pão
nosso de cada dia
nesse dia de cão

***
NOTA DE ABURGUESAMENTO

sempre me uniformizaram
de capacete e macacão
só agora me vestiram
um terno (de madeira)

sempre fui um inquilino
andando de cortiço em cortiço
conheço todos da cidade
todos tem o mesmo cheiro
e  o mesmo apetite sexual

agora jogarão na minha cara
um pouco de terra
mas ali não terei ameaças
de ser despedido
de ser despejado

sempre me empurraram
lotação adentro, lotação afora
agora me levam carregando
estão chorando
e eu sorrindo

sempre fui um inútil
para todos, menos para mim
e para a minha nega
nas noites de cio
e agora andam dizendo
que farei falta
e o padre que sequer sabia
que eu era fiel
rezará por mim no sétimo dia

agora que como
tuberosas pelas raízes antes da colheita
é que se lembra de acrescentar
uma cruz ao meu nome

agora não me pesam mais
agora não me medem mais
e nem me pedem exame de fezes
agora o que é perda
aos olhos dos que ficaram
é o que me enriquece
                               
a morte é emancipatória!

***

PÂNTANOS & PONTES

Uni versos meus
e preconcebi um poema
que anda, e canta, e ama, e manda
que vai a feira
que vai a festa
que vai a merda
que vai a fundo
num pulo de paraquedas
entre parabólicas e paranoicos
para dizer que um pingo
para o poeta
pode ser um pântano
pode ser uma ponte
tudo é uma questão
de ponto de vista

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UNI VERSOS (NO RECANTO DAS LETRAS)