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sábado, 1 de maio de 2021

ANATOMIA POLIDA: ATLAS DOS NOSSOS MUNDOS P(OL)UÍDOS

 

José Ronaldo Siqueira é um carioca que reside em Mutum. Atlas anatômico para almas puídas é seu quarto livro (o segundo pela Editora Patuá). Também são seus os livros: O prisioneiro (2012); Historinha é o escambau! (2016); Manual não injuntivo de como criar um monstro (2018), também pela Patuá, foi finalista (3º lugar) no concurso da Biblioteca Nacional em 2019, na categoria romance.

 

Vamos deixar que o autor falar da sua obra, com seu jeito franco, nesta mini entrevista.

                                                                    CABEÇA


“Morri. Morro. Acordei. Acordei? Acho que sim. Mas como assim, acho, não tenho certeza se acordei? Como não ter certeza?"


MUTUM CULTURAL: Atlas anatômico para ideias puídas é um livro de contos. O que o leitor pode encontrar nas páginas da sua obra? Há um fio condutor que interliga os contos?

ZÉ RONALDO: Há. Mas no tocante ao motivo. O Atlas é um livro que versa sobre esperança/desesperança. Sabe aquela história de que no fundo do poço ainda há um alçapão, pois então, quanto mais nos afundamos no desespero e na falta de um vislumbre qualquer de lume, mais forte e crescente é, ao mesmo tempo, a sensação de que tudo ainda pode, de uma maneira que não imaginamos qual seja, dar certo. Essa desesperança acaba por, de certa forma, alimentando nossa esperança. O Atlas é o segundo livro de uma trilogia. O Manual foi o primeiro. O terceiro já está pronto. Talvez o lance ano que vem, ou espere um pouco mais.



                                            TRONCO


“Ah, disso eu tenho minhas dúvidas. Dissimulada e expert na chantagem emocional, como você sempre foi, não me admiraria...”



MUTUM CULTURAL: É seu segundo livro pela Patuá, uma editora bem conceituada no mercado editorial. A que você credita este feito?

ZÉ RONALDO: Olha, imagino que o que me possibilitou lançar novamente pelo selo da Patuá, tenha sido o fato de que o Manual ficou em 3º lugar no concurso da Biblioteca Nacional, que é um dos 5 concursos do grand slam da literatura nacional (Oceanos, Prêmio São Paulo, Jabuti, BN - Biblioteca Nacional - e Sesc - este último, só para autores ainda não publicados). Só vejo por aí. O livro anterior, o Manual, não vendeu muito pelo site (a Patuá não distribui os livros em livrarias, diz que não dá lucro para a editora, por isso opta apenas pela venda online, no próprio site da editora), foi só os que eu vendi no lançamento e alguns poucos depois. Sou melhor autor do que vendedor, hahahahahahahaha. 

                                                                        

                                                                     MEMBROS                                                              

“E se fugir? E se eu sair de casa? Será que esse bicho me segue? Será que vem atrás de mim? E se eu me escondesse em um bosque ou uma floresta, onde não houvesse paredes?"

 


MUTUM CULTURAL: Como o leitor pode adquirir sua obra?

ZÉ RONALDO: Como eu já disse, uma das formas de adquiri-lo é através do site da Editora Patuá, e, sempre tenho alguns comigo também, para quem quiser já tê-lo autografado, podem me encontrar no facebook .




NOTAS DO BLOG:

I) Estamos idealizando uma série de postagens intitulada por enquanto de Década Fértil: A produção literária de 2011-2020. Valorize os autores de Mutum. Somos destaque na região em termos de produção literária.

II) Como foi dito na mini entrevista, Atlas anatômico para almas puídas é o 2º livro de uma trilogia. Vamos aguardar o terceiro para podermos fazer uma postagem envolvendo toda trilogia.

sábado, 27 de agosto de 2016

VIRTUALIDADES DE UM LANÇAMENTO LITERÁRIO

Atraído pela vontade de entender as ondas pelas quais a literatura surfa em tempos de virtualidades, nosso blog acompanhou o evento do “Lançamento Virtual do Livro Quatro Contos de Amor”. Fizemos perguntas que foram publicadas no nosso grupo no facebook juntamente com as respostas.

ADRIANA IGREJAS

FOTO DO PERFIL DO FACEBOOK

Adriana Igrejas é do Rio de Janeiro-RJ, Professora de Português/ Literatura e Inglês, formada pela UFRJ. É autora de dois romances e de um livro de contos, além de participar de cinco antologias nacionais e duas portuguesas. Está recentemente lançando novos livros de contos em e-book pela Amazon. Recebeu o Prêmio Baixada 2014 na categoria Literatura. Faz parte da Academia de Letras de seu município. É casada e tem dois filhos.

MUTUM CULTURAL: Olá Adriana, como nasceu a ideia do livro?

ADRIANA IGREJAS: Obrigada por participar. Esses contos eu escrevi em ocasiões diferentes, por tema, para participar de concursos para publicar em antologias. Todos eles já foram publicados, só que cada um num livro diferente, dois no Brasil e dois em Portugal. Me ocorreu que meus leitores, aqueles que querem ler exclusivamente textos meus não iam comprar quatro livros diferentes para ler meus textos espalhados por aí... Então, resolvi juntar esses quatro que falam de amor em um e-book...

MUTUM CULTURAL: Qual o diferencial dessa obra para as demais que você já publicou como “A BABÁ GÓTICA”, “CAIPIRA, EU?” e “A FÓRMULA DA VIDA”?

ADRIANA IGREJAS: Bem, este livro é de contos, então se assemelha a "Um apartamento com vista para o mar e outras histórias", que também é de contos. "Caipira, eu", ainda a ser lançado é bem diferente, porque são contos meio soltos, sem a tal unidade, justamente por serem relatos verídicos de meu pai. Será uma obra de valor sentimental. Já "A babá gótica" e "A fórmula da vida" são do mesmo gênero, que é o romance - narrativa longa. Estes desenvolvem melhor os personagens, a trama é mais complicada e cheia de reviravoltas.

MUTUM CULTURAL: Como é o seu processo de criação?

ADRIANA IGREJAS: Logo que tenho a ideia, eu anoto a storyline (em uma linha ou pouco mais sobre o que é). Aí eu passo a elaborar toda a história na cabeça. Levo dias pensando e organizando tudo em minha mente. Depois anoto as linhas gerais, um story board. Depois faço a pesquisa de lugares, nomes, cultura do lugar etc. Depois, se é um conto, já escrevo. Se é um romance, faço um esquema com os nomes dos capítulos e o que vai acontecer em cada um. Só aí começo a escrever. Mas é lógico que muita coisa muda na hora da escrita efetivamente...

MUTUM CULTURAL: Esse é o seu primeiro lançamento virtual? Quais as principais diferenças entre esse tipo de lançamento e um lançamento físico? 

ADRIANA IGREJAS: Bem, sim, é o primeiro lançamento virtual, porque este é o primeiro livro que lanço apenas em e-book, ou seja, de certa forma é também um livro virtual. Meus outros livros, mesmo as antologias de que participei, foram livros físicos e tiveram lançamentos em livrarias ou casas de cultura. Eu já havia participado de outros eventos virtuais, como o FLAL, que envolve vários autores, que também respondem a tudo pelo facebook. A gente sabe que a participação é pouca, mas muita gente curte, dá uma olhada, enfim, fica sabendo sobre o livro e a divulgação é o principal objetivo.

MUTUM CULTURAL: Voltando a sua obra. O que você ressalta como característica principal em seus personagens?

ADRIANA IGREJAS: Acho que é a verossimilhança. Eles parecem pessoas reais e não é por acaso. Eu me esforço muito para que meus personagens ajam e falem como pessoas normais e brasileiras! Inspiro-me em pessoas que conheço ou conheci e esse toque de realidade tem agradado bastante, porque ninguém gosta de personagens artificiais.


MUTUM CULTURAL: Deixe uma mensagem para os leitores do Blog Mutum Cultural e membros do grupo no Facebook.

ADRIANA IGREJAS: Olá, leitores de Mutum! É um prazer estar compartilhando um pouco de meu trabalho com vocês! Espero ter satisfeito um pouco sua curiosidade. Adoro ter esse tipo de contato com leitores e trocar experiências. Torço para que fiquem ainda mais curiosos e passem a serem meus leitores. Estou sempre acessível através das redes sociais para quem quiser me contatar. Um grande abraço e beijinhos literários e culturais para vocês!

BLOG DA AUTORA

sábado, 22 de fevereiro de 2014

A CACHAÇA DO ZÉ RONALDO



Nossa série DIÁLOGOS AMISTOSOS tem uma pré-estreia com a divulgação do trabalho de Vitor Lacerda Siqueira pelo fato do seu blog estar concorrendo ao Prêmio Top Blog (ENTREVISTA COM VITOR LACERDA SIQUEIRA).
Agora estamos firmando nosso compromisso de levar essa série em diante abordando temas pertinentes com aqueles e aquelas que fazem a história acontecer.
Hoje estamos postando uma conversa amistosa com o professor José Ronaldo, Professor no Colégio Mutum e na Rede Estadual de Minas Gerais. Um carioca que tem Mutum no coração e certamente se inspira em nossa faina para criar seus personagens em contos que roda o Brasil em concursos literários e antologias.
A conversa (entrevista) teve como motivação a sua participação em um desafio de miniconto.
Por se tratar de um diálogo amistoso, conservamos a espontaneidade da conversa.

Como você entende o processo de fazer literatura em um país onde se lê pouco?
Na verdade é como percorrer o labirinto de Creta com um Minotauro no seu encalço perguntando “Para quê fazer isso?”, mas como todo autor escreve primeiro para si mesmo, então o ato de fazer literário vem, primeiramente, como um desejo inenarrável de escrever. Com o tempo, os poucos leitores que existem, começam a te notar e, quando vês, já tens alguns leitores. Espanto-me com alguns “facebookianos” que, às vezes, entram em contato comigo e se dizem meus leitores e fãs... poxa, cara, isso deixa qualquer escritor arrepiado de emoção!

Qual o principal objetivo da sua literatura?
Como eu respondi, na primeira pergunta, exortar meus próprios fantasmas e sentir um prazer sem escrúpulos da vida. Escrevo porque, em determinado momento de minha vida, um impulso, uma fagulha de não sei o quê me queimou a entranha cerebral e me vi num desejo de conjugação carnal danado de criar uma vida, ou várias, e delinear sua sequência vital. É uma sensação que não é facilmente explicável. Escrevo, também, porque quero compartilhar ideias minhas, produzo muito material envolvendo a figura do professor, classe desprestigiada da qual faço parte, no intuito de que, de algum modo, possa acontecer alguma mudança. E, por fim, escrevo para que alguém, algum dia, possa ler e se tocar de que tem essa mesma força interior divinal de criar vidas, como tantos outros escritores de que eu admiro também me incentivaram.

Quais prêmios você participou? (cite alguns)
Vixi, Cláudio, são tantos... Venci o Concurso Literário de Barueri em 2008, o Cléber Onias Guimarães, de São Paulo, em 2009, fui terceiro lugar no Concurso SESC-DF em literatura infantil, em 2010...é muita premiação que eu tenho, fora as antologias das quais faço parte por conta destes concursos...isso é uma cachaça, meu amigo, não dá vontade de parar não...
Você está participando de um desafio de minicontos?
É, estou, é uma competição amistosa, patrocinado pelo jornal virtual, o Olaria das letras (http://olariadasletras.blogspot.com.br) ...cada mês eles propõem um tema e uma forma de se apresentar os textos, pode ser conto, microconto, miniconto...comecei a participar no fim do ano passado...mês retrasado e passado fui primeiro lugar...vamos ver até quando eu consigo manter essa hegemonia....hahahahahahahahaha....
Você é apenas contista ou você também já produziu romance ou outro gênero?
Minha especialidade são os contos, mas também sou cronista e poeta... Embora esse último eu mesmo não me considere e tenho um romance inacabado que só JC saberá quando se concluirá....hahahahahahahahahahaha...

Sobre o que seu miniconto retrata?
Geralmente meus minicontos são sobre coisas fugazes que o olhar desatento não consegue captar no cotidianamente temporal, ou são reflexões minhas que converto nas mentes de outrens (minhas personagens)....são temas e situações que nos cercam e que a deixamos invisíveis por essa correria famigerada de mundo Canis.

Como você vê a literatura aqui em Mutum?
Olha, Claudão, em Mutum se não for por uma meia dúzia de dois ou três desbravadores que tomaram essa iniciativa, ela estaria ainda na era Hadaica da formação da Terra. Difícil se falar em Literatura em um lugar em que nem uma livraria exista! Bibliotecas escolares ainda estão bem nutridas de bons exemplares, graças aos programas do governo federal, mas limitam-se ao ambiente escolar. Sem livrarias, para a população tatear um exemplar, experimentá-lo, provar desse ambiente, é muito complicado. Quanto à produção de literatura em si, temos aqui em Mutum algumas boas almas que, amadorísticamente, como eu, deram alguns passos em direção ao progresso: Olivinho, o Gisélio, o Francisco Fagundes, entre outros.

O que precisa ser feito para “desabrochar” uma onda literária em Mutum?
Investimento da administração pública e do setor privado, por exemplo. Um curso de produção literária ou um grupo de leitura que orientasse para os clássicos. Uma feira literária, convidando editoras pequenas aqui de Minas (este estado é um celeiro de pequenas editoras!), qualquer ação que seja, que livre as mentes de nossos jovens do limo do tédio mental que leva à ruína.

O que mais você gostaria de dizer?

Há em Mutum, Cláudio, uma massa famélica de sonhos, expectativas e de cultura. Infelizmente, parece que cultura, aqui, para vocês, segundo os últimos administradores públicos, resume-se apenas à Exposição Agropecuária. Vai mais além do que isso. A Exposição é um elo forte cultural dessa região, mas não pode ser o único, ou o único que tenha verba para ser realizado. Existe uma leva grande de leitores adolescentes aqui, jovens músicos e poetas, atores promissores mirins. Deveríamos absorvê-los todos, abraçando-os, para que não se percam em caminhos atribulados, de becos sem-saída.